#AT106 – Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs)

Plantas Alimenticias No Convencionales (PANCs)

Dia 15 | 10h00 – 12h00 | AUDITÓRIO PEQUI | #Agroecologia2017

Responsável(is): Georgeton Silveira (Emater-MG); Valdely Kinupp (IFAM); Coordenador: Nuno Rodrigo Madeira (Embrapa Hortaliças)

Responsáveis pela atividade: estamos ansiosos para publicar seus materiais aqui, mas precisamos de sua permissão. Basta enviar para o endereço eletrônico  relatosagroecologia2017@itbio3.org a mensagem:

Concordo com a disponibilização do(s) material(is) apresentado(s) por mim na atividade #AT106 – Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) no blog https://relatosagroecologia2017.itbio3.org/atividades/   e concordo  com o termo de uso do blog relatosagroecologia2017.itbio3.org/atividades/termo-de-uso/”.

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#AT105 – Construção Social de Mercados

Construcción de Mercados

Dia 15 | 10h00 – 12h00 | AUDITÓRIO JATOBÁ | #Agroecologia2017

Responsável(is): Sérgio Schneider (PGDR/UFRGS); Silvio Porto (ex diretor da CONAB – PAA); Andrea Zimmermann (CSA Brasil). Mediadora: Renata Navega

Arquivos:

Live de formas alternativas de comercialização dos produtos do seu SAF!!!! Construção social de mercados.Com Sérgio Schneider (PGDR/UFRGS) Silvio Porto (ex Diretor da CONAB -PAA)Andrea Zimmermann (CSA Brasília) e Renata Navega (CSA Brasília)#agroflorestadofuturo #congressoagroecologia2017 #xcongressobrasileirodeagroecologia #agroecologia2017 #agriculturasintrópica #CSA #CSABrasília

Posted by Agrofloresta do Futuro on Friday, September 15, 2017

Relato
A mediadora Renata Navega inicia a fala com a pergunta: O que te levou a estar na sala de construção social de mercados?

A atividade é discutida em dupla pelo público. Duas duplas comentam a resposta:

Alsimar e Daniela: destacam o encontro entre o agricultor de cabras e a vigilante sanitária; comentam as barreiras institucionais da pequena agricultura; sua expectativa é saber como o produto artesanal chega à mesa do consumidor.

Rodrigo e Fabiano: demonstram preocupação com a agricultura orgânica e a burocracia do selo de orgânico; têm expectativa de conhecer mais sobre o tema e compartilhar o que sabem.

Sergio Schneider: – Professor de pós-graduação em Desenvolvimento Rural da UFRGS

O palestrante inicia sua fala com uma exposição acerca dos diferentes conceitos de mercado:  mercado como espaço físico (espaço de compra); mercado como destino comercial (um lugar para o qual alguém envia um produto que será comercializado) e mercado no sentido abstrato (como aparece nos telejornais). Afirma que quando se fala em mercado, pensa-se em sociedades mercantilizadas (sociedades ocidentais com valores de uso e de troca, mercados impessoais) e não-mercantilizadas (sociedades indígenas, sociedades antigas, troca direta); Sérgio passa por esses conceitos para chegar à definição de mercados (no plural) e trazer clareza de que existem diversas formas de troca (mercados) e que o capitalismo é apenas uma forma.  Ressalta que o capitalismo é baseado no individualismo, livre compra e venda e concorrência enquanto as trocas podem também ser centradas na reciprocidade (igualdade, comunitarismo, solidariedade, parentesco, cooperação) e na redistribuição (centralidade, hierarquia, etc.). Traz então a definição de mercado como: “Relação social entre dois agentes cujo sentido é satisfazer os interesses econômicos ou outro através da troca”. Passa rapidamente pelas definições de mercado das teorias clássicas para chegar ao mercado como construção social que tem a seguinte origem: resistência e/ou oposição aos mercados hegemônicos; exclusão – social/econômica; luta social e luta por autonomia. Aponta as seguintes características dos mercados imersos “socialmente construídos”: as interações – com Sociedade/Mercado e com o Estado funcionam com distintividade – por produto, por processo, por lugar produzido; há atuação em redes – relações com consumidores; baseados na territorialidade e identidade social dos atores; atuam em forma de cadeias curtas; formalidade e informalidade andam juntas. Em seguida, o palestrante dá exemplos de mercados imersos (os socialmente construídos) e segue para uma classificação (dele mesmo) com cinco tipos de mercado: 1-O personalizado; 2- Personificados - face-a-face, fair trade; 3-Proximidade- feiras, sacolão; Institucionais- licitação, leilão, edital; 4-Centralizados -integradoras, cooperativas; e os 5-Convencionais - atravessador, comércio.

Ele finaliza colocando algumas questões e perigos para o debate atual:

- Forte insistência e tendência nos canais locais de comercialização dos produtos agroecológicos. “Por que eles devem estar inseridos somente nos mercados locais”?

- Restrições e tentativas de evitar canais tradicionais como o supermercado. “Será que não”?

- Tendência geral de feiras diretas (porta a porta) ou pela internet como principais canais de venda de produtos agroecológicos.

- Localismo: ele afirma que o sujeito cria o local e os novos entrantes são barrados sugerindo localismo defensivo e não democrático. “O local tem limites, sobretudo o tamanho da demanda. Se eu discutir a produção orgânica somente para os mercados locais impeço o crescimento dos produtores...não espraia os produtos para além do local, não se discute o alcance da agroecologia. Existe uma questão entre aumentar a oferta e crescer a dependência: crescer ou ficar como está”?

- Como fugir dos nichos – elitização do consumo via renda.

- Interfaces dos mercados agroecológicos. “Com os outros mercados pode haver coexistência”?

Sílvio Porto – Consultor Internacional em Segurança Alimentar

O palestrante inicia a fala afirmando que as relações de mercado são relações de poder que estão conectadas a um sistema agroalimentar, diferenciando assim mercado capitalista de regime capitalista. Explica o Codex Alimentarius, código que determina o padrão de alimentação e consumo que foi aderido por 187 países e que embora, a adesão seja voluntária, é obrigação dos países signatários adotarem as medidas no interior das suas respectivas legislações.  Em seguida, mostra alguns dados sobre o lucro de supermercados no Brasil. De acordo com os dados apresentados por Sílvio, esse setor movimenta R$ 315 bilhões de reais por ano (dessa soma, 2/3 pertencem a três empresas – Carrefour, Wallmart e Pão de Açúcar). Ressalta que um dos princípios do mercado neoliberal é a autorregulação: “talvez isso sirva para o capitalismo, mas, não para os mercados sociais”. Afirma que pela autorregulação cada um deveria ter as possibilidades de escolha para permitir que se constituíssem os códigos, os padrões; traz a Rede Ecovida como exemplo. É particularmente crítico à inserção da produção agroecológica e de orgânicos nos supermercados. Acredita que deixa de ser uma construção agroecológica e passa a ser uma relação mercantil. “É importante avaliar o nível de subordinação que as organização e associações se colocam” ressalta. Questiona quais são essas relações e qual é o contrato que o supermercado está estabelecendo com esses produtores. Enfatiza que se três grandes redes representam o que circulam no mercado alimentar (entre outros produtos) há um poder muito grande no sentido de formar hábitos e desestruturar economias regionais. “Como são então as relações com uma pequena cooperativa de leite, ou quem fornece frutas e hortaliças?”, pondera. Acredita na descentralização como um elemento para construir novas dinâmicas, na aproximação entre atores (produção e consumo), nas relações de confiança e de reciprocidade, na relação de proximidade (saber de onde vem e quem produz o alimento), mesmo que ele seja consumido à distância e, por último, na autonomia.

Andreia Zimmerman: agricultora e membro da CSA (Comunidade que sustenta a agricultura) Toca da Coruja, Lago Oeste, DF:

A palestrante narra um pouco da sua trajetória pessoal e de forma bem didática (a partir de charges e outras imagens) coloca como a escassez de recursos pode levar à construção de uma rede de pessoas que buscam se orientar de forma diferente par solucionar problemas. Define o CSA como uma comunidade que reestabalece a conexão em uma lógica da abundância pelos princípios da cooperação, solidariedade, empoderamento, respeito, confiança e satisfação mútua de necessidades. Traz um pouco da história dos CSAs no mundo dizendo que não necessariamente os CSAs fortalecem a agricultura familiar e a produção orgânica: “isso é algo que acontece no Brasil”, afirma. Explica o funcionamento de um CSA na prática: procura por um agricultor que levanta o custo de produção; o agricultor ganha o quanto ele acha justo e o quanto o grupo acorda contribuir; ele apresenta tudo que pode organizar e plantar e se compromete com um prazo; o termo de compromisso é firmado entre 6 meses e 1 ano; é necessário aceitar os produtos de alimentos da época; é pactuado entre o grupo arcar com um custo compartilhado dos riscos; o valor é definido antecipadamente  o valor é negociado na cota. Ela ressalta que são definidas também as cotas sociais – quem pode pagar mais e quem não pode pagar esse valor. Enfatiza que é uma comunidade que se estabelece em cooperação. Há um trabalho voluntário para organizar as atividades da comunidade como colheitas semanais e entrega de uma cesta com cerca de dez itens em um ponto de convivência. Aponta que a proximidade da terra e das relações que se estabelecem também influencia na formação da comunidade. “Cada comunidade cria sua escultura social”, afirma. Por fim, Andrea levanta os desafios dos CSAs:

- Formar comunidade, que requer vínculo, dedicação e tempo do estabelecimento do vínculo, para as pessoas descobrirem o que as aproximam.

- Compromisso e rotina de longo prazo. “Às vezes esse formato não se adequa à rotina da pessoa. Se ela não cozinha em casa, quando e como vai cuidar dos produtos? Assim, a rotatividade na comunidade se torna um desafio”, pondera.

- Produzir com a variedade necessária 12 meses por ano: sazonalidade x expectativas.

- Internalizar a cultura do apreço. “As pessoas ainda estão na transição e têm dificuldade de sair da relação de consumidor para co-agricultor.

- CSA não é a solução para todos os agricultores e para toda a produção. “Às vezes o agricultor vai estar na feira, produzindo... tem outros fornecedores para abastecer”.

- CSA não se adequa a todas as pessoas. Há diversas formas de comércio justo e solidário.

Foto da atividade:

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#AT104 – Diálogos entre Agroecologia e as Economias Críticas

Diálogos entre la Agroecología y las Economías Críticas

Dia 15 | 10h00 – 12h00 | AUDITÓRIO IPÊ AMARELO | #Agroecologia2017

Responsável(is): Walter Pengue (The Economics of Ecosystems and Biodiversity –TEEB / Intergov); Guilherme Delgado (IPEA); Isabelle Hillenkamp (IRD -França); Coordenadora: Emma Siliprandi (GT Mujeres, Agroecologia y Economia Solidária de CLACSO – Espanha)

Arquivo: Apresentação Isabelle Hillenkamp 

Relato:

Mesa para diálogo entre Agroecologia e Economias Críticas. Os convidados que compõem a mesa atuam e/ou realizam pesquisa na área de economia e trouxeram informação importante para conectar Economia e Agroecologia. O diálogo levantou questões que ainda caminham para um processo de solução, mas evidenciou o momento de ampliar o olhar para uma necessidade urgente de mudança para uma economia integral e ecológica. Inspirações em uma escala macro e micro, para repensar um sistema econômico de depreciação dos recursos naturais e reestabelecer uma cosmovisão das relações econômicas e sociais.

Guilherme Delgado:

Economista do IPEA, acompanha o movimento desde a luta pela reforma agrária e dos movimentos camponeses do Brasil. Delgado afirmou que, de fato, a corrente principal da economia convencional não dialoga com agroecologia. Explica que, para as correntes convencionais da economia, os progressos técnicos são molas propulsoras do desenvolvimento econômico, e cria-se o mito de que estes progressos técnicos sejam a solução da proposta civilizatória, do capital e do dinheiro. Essa visão possui muitas críticas ao longo do Século XX, sendo que algumas dessas críticas dialogam com a agroecologia. O palestrante apresenta quatro vertentes dessas críticas: a) economia política do capital com crítica aos fundamentos do capitalismo e à desigualdade da repartição dos rendimentos sociais; b) teoria do subdesenvolvimento: coloca a questão dos custos invisíveis do processo de desenvolvimento e a forte ligação com a exploração das vantagens comparativas naturais; c) privação de capacidades humanas e de suas liberdades; e d) vício estrutural do progresso técnico de alta entropia.

A economia ecológica, fundado nos anos 1970, possui princípios que são válidos como crítica à modernidade. O vicio estrutural de alta entropia, traduzido de forma simples, diz respeito à forte dissipação de energia útil que se materializa em poluição ambiental, diferentemente do foco na ideia livre que dialoga com a visão integral da agroecologia. Uma economia de cosmovisão pode ser considerada como uma revolução científica. O diálogo tem que ser com um conjunto de saberes, deve ser compatível com a vida em sociedade. O diálogo é pertinente para construção de um novo caminho, possui forte relação também, com a teologia abordado pelo atual Papa Francisco, que se preocupa com tema e é uma estrutura de poder.

Isabelle Hillenkamp:

Economista que trabalha com economia feminista, expôs a visão para uma escala micro em que as relações econômicas-sociais podem ser construídas. Afirma a importância do diálogo com o campo, e que a leitura feminista é um aprofundamento da história dentro da história. Iniciou nos anos 1970, juntamente com a reforma agraria, críticas à agricultura convencional e posicionou-se em prol da pluralidade existente. Isabelle citou que na década de 1990 atuou na inserção da visão agroecológica e do desenvolvimento sustentável, e em 2003, com foco em políticas públicas. A principal necessidade para o reconhecimento feminino da agroecologia é a valorização do trabalho dos conhecimentos agroecológicos, afirmou. Continuou, do ponto de vista do fluxo econômico, a busca por autonomia das mulheres mostra diferentes relações tanto monetárias como não monetárias. Essas relações merecem qualificação no sentido de buscar critérios. Hillenkamp disse que as práticas mercantis podem ou não trazer visão capitalista. Afirmou ainda que práticas não monetárias muitas vezes possuem propósito de comércio justo e solidário, como as trocas de sementes e mudas e as doações de alimentos, mas podem também, vir de uma situação impositiva e gerarem exploração e desigualdade. Por fim, informou que a economia feminista na agroecologia busca por sustentabilidade de vida com uma cultura de afeto, práticas de interdependência, reciprocidade, redistribuição, partilha doméstica e mercado.

Walter A. Pengue
 
Walter A. Pengue é professor e pesquisador na Argentina, com experiência das questões agrárias da América Latina. Expôs uma visão macro, da real necessidade de brutal transformação para o período pelo qual a humanidade passa. Afirma que agroecologia possui uma visão sustentável. Afirmou: precisamos entender que todos os modelos econômicos, sejam de esquerda ou direita, precisam olhar a questão ambiental, o solo, os recursos naturais, e seus impactos precisam ser tratados, para uma visão global e de necessidade da humanidade.

As estruturas de poder precisam tratar dos quesitos econômicos e recursos naturais em conjunto. Não é uma temática somente para América Latina. Precisamos considerar a economia e a ecologia, em uma situação de reparação para uma nova situação, uma mudança paradigmática, mudança civilizatória para a sociedade não desaparecer. Tem sido comum adicionarem adjetivos à economia, como exemplo, economia verde, circular, solidária e ecológica. Mas não tem sido efetivada uma mudança de fato. A economia ecológica nos traz uma visão abundante, avançar de forma mais rápida e socioecológica com transformação cultural.
 
Walter firmou que a América Latina precisa se restabelecer. Que possui muitos recursos naturais, que são explorados e aproveitados por países “mais desenvolvidos”. A China, por exemplo, tem criado uma mudança de demando sobre seus recursos no mundo. O planeta, de forma geral, comete um genocídio de seus recursos naturais. Perguntou: Como consertar essa realidade? Não será possível mudar somente a partir dos conhecimentos científicos, as mudanças veem dos movimentos sociais para uma economia ecológica e sustentável. Pengue afirmou ainda que será necessário aliar a visão macro e o nível micro, das organizações de tarefas familiares, passando pelas práticas de ocupação do mercado, até a proposição de um modelo mais geral.

Contribuições do público:

O público fez contribuições com questionamentos e com relatos de suas experiências e entendimentos na temática. Entre os questionamentos levantados, destacamos: a importância da valoração dos serviços ambientais; refletir sobre processos sem discriminação e igualitários; inserção da economia ecológica no currículo da graduação de economia de forma mais profunda, visto seu perfil marginal atualmente; mudança para um paradigma da abundância e economia do bem viver.

Ainda foi levantado que a economia feminista urbana trouxe contribuições importantes, mas sempre ficou atrelada em incluir as mulheres no sistema de mercado acelerado convencional. A participação das mulheres rurais traz uma possibilidade de renovação. Visão da natureza não como objeto, e sim como um sujeito do sistema. Discutir o direito à propriedade da terra, pois sem território não há agroecologia, construir como categoria no mercado de trabalho, agregar multidisciplinaridade de profissionais e incluir economia solidaria e feminista, e ecológica com respeito as relações sociais.

 

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#AT103 – Metodologias inovadoras para a construção do conhecimento agroecológico

Metodologías innovadoras para la construcción del conocimiento agroecológico

Dia 15 | 10h00 – 12h00 | AUDITÓRIO BABAÇU | #Agroecologia2017

Responsável(is): Willer Araújo Barbosa (UFV); Natalia Almeida (ABA); Coordenadora: Cristhiane Oliveira Amâncio (Embrapa Agrobiologia)

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#AT102 – ESPAÇO DE CO-CRIAÇÃO: perspectivas e estratégias de resistências para a Agroecologia

ESPACIO DE CO-CREACIÓN: perspectivas y estrategias de resistencias para la Agroecología

Dia 15 | 10h00 – 12h00 | SALÃO VEREDAS | #Agroecologia2017

ATIVIDADE CANCELADA

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#AT101 – CINE AGROECOLOGIA

CINE AGROECOLOGÍA

Dia 15 | 10h00 – 12h00 | AUDITÓRIO BURITI | #Agroecologia2017

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#AT100 – Painel VI – Agroecologia e Resiliência às Mudanças Climáticas

Panel VI – Agroecología y Resiliencia a los Cambios Climáticos

Dia 15 | 8h00 – 10h00 | AUDITÓRIO BABAÇU | #Agroecologia2017

Responsável(is): Eric Holt-Gimenez (Food First-USA); Luis Vazquez Moreno (Instituto de Investigaciones de Sanidad Vegetal – Cuba); Tomás León Sicard (Universidad Nacional de Colombia – Colômbia); Aldrin Pérez (INSA); Coordenadora: Clara Nicholls (SOCLA)

Arquivos:

Apresentação Aldrin Pérez

Apresentação Tomás León Sicard

Relato:

No dia 15 de Setembro de 2017 às 8:00, no Auditório Babaçu do Centro de Convenções Ulisses Guimarães foi realizado no âmbito do VI Congresso Latino-americano de Agroecologia, o X Congresso Brasileiro de Agroecologia o Painel - Agroecologia y Resiliência a los Câmbios Climáticos, promovido pela Sociedade Científica Latino Americana de Agroecologia - SOCLA, com a participação de: com a participação de Eric Holt-Gimenez, representando a Food First, organização Estado-Unidense; Tomás León Sicard da Universidad Nacional de Colômbia – Colômbia e  Aldrin Pérez, representando o Instituto Nacional do Semiárido - INSA do Brasil . O pesquisador Luis Vazquez Moreno do Instituto de Investigaciones de Sanidad Vegetal de Cuba não pode comparecer em função da passagem do furacão Irma, pelo Caribe.

Clara Nicholls, faz a abertura com uma breve apresentação dos participantes e do objetivo da mesa dentro do Congresso, focando na importância da discussão sobre o papel da agroecologia na construção da resiliência dos sistemas agrários no contexto das mudanças climáticas.

Aldrin Pérez - Instituto Nacional do Semiárido - INSA

Aldrin Perez inicia sua fala dizendo que a questão das terras secas no Nordeste Brasileiro tem relação com uma visão baseada um passado ruim, de um lado e, por outro lado, a uma perspectiva de futuro melhor. E completa “com as eleições de Lula e de Dilma se construiu uma perspectiva de futuro melhor em contraposição ao passado ruim e nesse momento essa perspectiva de futuro está em crise”.

Aldrin segue na sua apresentação, descrevendo como se deu a construção da proposta de pesquisa “Estratégias Agroecológicas e Sociais de adaptação a mudanças climáticas e Desertificação no Semiárido Brasileiro” construída em parceria com a ASA.

Relata que construíram uma pesquisa popular com a ASA, para se estabelecer o estado da arte dentro das organizações de apoio aos agricultores para o desenvolvimento de estratégias de convivência com o semiárido. Identificaram uma série de indicadores estabelecidos com as famílias envolvidas na pesquisa. A partir da análise dos dados se construiu modelagens para entender as estratégias de convivência das famílias com o semiárido, incluindo as espécies mais utilizadas pelas famílias.

De acordo com Aldrin, a pesquisa identificou que as estratégias de captação e armazenamento de água permitiram a ampliação dos agro ecossistemas. Destaca que os sistemas de manejo de água no solo também se mostraram muito importantes, bem como a restauração das áreas de preservação permanente, reserva legal e arborização em geral de propriedades e o acesso a políticas públicas".

Aldrin ainda afirma que a pesquisa identificou também que todo o processo de desenvolvimento e disseminação de inovações para a convivência com o bioma tem uma profunda base cultural, associada ao funcionamento das organizações e ao fortalecimento das bases comunitárias de intercâmbio de conhecimentos e de aprendizagem. Por fim, diz que estão buscando identificar quais elementos devem ser potencializados para fortalecer esta perspectiva de construção de um futuro melhor.

Acesse aqui o livro Futureo em PDF


Eric Holt-Gimenez (Food First-USA)

Eric Holt-Gimenez inicia sua apresentação dizendo que a resiliência é uma questão em disputa e é uma prática social, que tanto pode contribuir para a ampliação das desigualdades, como para fundamentar processos emancipatórios. Fala ainda que gostaria de fazer uma propaganda de um livro chamado Terra fértil, que acabou de ser traduzido para o espanhol pela organização Food First, onde trabalha.

Neste link, você pode adquirir o livro Tierra Fértil: Desarrollando la Agroecología de Abajo hacia Arriba


Eric, retoma sua fala dizendo os intercâmbios são uma das práticas mais importantes do movimento campesino a campesino na América Central, por onde trabalhou durante mais de dez anos. Relata que começaram a perceber que as propriedades dos agricultores envolvidos no movimento, se recuperavam de forma muito mais rápida dos impactos de desastres climáticos como furacões, que são muito comuns na região da América Central, e estão se tornando cada vez mais intensos e recorrentes

Neste link você pode baixar o livro Campesino a Campesino, escrito pelo palestrante

Em função dessas observações, Eric comenta que resolveram fazer um estudo envolvendo agricultores de quatro países da América Central sobre a resistência e resiliência dos sistemas de produção dos agricultores envolvidos no movimento. “Neste processo, percebemos uma relação profunda entre vulnerabilidade, resiliência e sustentabilidade. O estudo provocou um grande impacto, pois foi apresentado a governos e se buscou, a partir de seus resultados, estabelecer negociações para a construção de políticas públicas que fortalecessem as estratégias de reconstrução das propriedades em bases agroecológicas”, afirma.

O palestrante ressalta que, durante os processos de negociações, percebeu que há uma disputa com um conjunto de instituições que defendem uma visão capitalista de resiliência, que, de acordo com ele, tentam apagar todas as relações de poder e o aspecto político dos processos. “Essas organizações têm muito poder na definição das políticas públicas e muitas vezes propõem processos de reconstrução em que se nega o papel da agroecologia e de qualquer forma de agricultura, priorizando por exemplo estratégias de geração de emprego através da implantação de unidades industriais ao invés do fortalecimento dos processos de autonomia dos agricultores e suas famílias.

Eric comenta que, durante os processos de negociação, potencializados pela pesquisa, foram levantados os aspectos que podem diferenciar uma resiliência de uma resiliência industrial. “Dessa forma podem-se propor políticas que potencializam as estratégias de ampliação da organização e da autonomia dos agricultores e estratégias de reconstrução e desenvolvimento, assim como a ampliação da resiliência que reduzam as condições das famílias estabelecerem o sentido de suas trajetórias de vida” conclui.

Tomás León Sicard (Universidad Nacional de Colombia – Colômbia);

A apresentação do Prof. Tomás Sicard enfoca principalmente os aspectos teóricos que fundamentam as relações entre a agroecologia e o ambientalismo e sobre as mudanças climáticas e a agroecologia. “A partir do pensamento ambiental vamos fazer uma reflexão, resgatando o pensamento do Prof. Augusto Ángel Maya, que se perguntou se nós seres humanos ocupamos ou não um nicho nos ecossistemas da natureza?” questiona.

Prof. Tomás Sicard comenta que o Prof. Maya chegou à conclusão que não ocupamos um nicho, mas que, em todo o desenvolvimento da nossa espécie, a partir da linguagem e da inteligência, desenvolvemos um processo complexo de adaptação chamado de cultura. Constata que é um processo ambiental de adaptação da espécie humana aos ecossistemas e que todos os efeitos das interações entre cultura e natureza se dão de forma tal que produzem os impactos, as contaminações, as mudanças no clima, a deterioração dos ecossistemas, etc. Afirma que, dessa forma a agricultura também funciona como um processo de interação entre cultura e natureza.

Ainda em sua fala, o Prof. Sicard, comenta que na Colômbia se passa de inundações para secas todos os anos. Diz que, dependendo dos sistemas de medição, é possível identificar, de forma mais ou menos evidente, as mudanças de longo prazo dos ecossistemas. Diz que as mudanças e a variabilidade climática são dois aspectos do clima bem diferentes, mas que ambos são muito importantes para os camponeses. Afirma que se as mudanças de longo prazo são identificadas, é possível preparar-se, mas se não são identificadas, não é possível preparar-se para enfrentá-las. Ressalta que as mudanças de longo prazo são, em geral, associadas a processos profundos de mudanças culturais, que influenciam o desenvolvimento de sistemas de medição.

Sicard comenta que há muitos séculos se tem notícias de sistemas de manejo de água, como a construção de canais e sistemas de armazenamento. O povo Zenu, do oeste da Colômbia, chegou a manejar mais de 800 mil ha de áreas inundáveis, com terraços e canais. Este e outros, como as vilas em palafitas são sistemas de adaptação às condições ambientais das diferentes regiões, destaca o palestrante.

Ele afirma que, há algum tempo, as áreas ocupadas pelos povoados têm se tornado vulneráveis aos impactos das mudanças no clima. Apesar disso, ainda existem vários sistemas em desenvolvimento que retomam os conhecimentos tradicionais para a constituição de sistemas produção e ocupação adaptados a áreas críticas.

Por fim o prof. Sicard, pergunta para a plenária "O que é a resiliência?". E responde em seguida:  “Resiliência não é um conceito neutro, mas está enraizado em contextos políticos, culturais, técnicos e de poder”. E dá o exemplo de uma pesquisa no município da Colômbia, onde viviam los Panches, que identificou, entre outras coisas, que um aspecto muito importante da resiliência é o cultural.

Acesse aqui o livro Perspectiva Ambiental de la Agroecologia em PDF

Clara Nicholls - Presidente da SOCLA / Coordenadora da mesa

Clara Nicholls faz uma apresentação síntese em que traz elementos globais sobre as questões das mudanças no clima. Diz para “não esquecermos quem são efetivamente os responsáveis pela emissão dos gases que provocam as mudanças e que a emissão destes gases tem relação direta com o modelo capitalista e de hiperconsumo que caracteriza nossa economia e sociedade”.

Alega que os "Trumpstas" ou negacionistas não creem e muito menos discutem as raízes dos processos de mudanças no clima. “Para se contrapor a esse tipo de atitude a pergunta que fazemos na Red Iberoamericana de Agroecologia para el Desarrollo de Sistemas Agrícolas Resilientes al Cambio Climatico - REDAGRES é se: podem as mudanças no clima afetar a produção de alimentos?  E a resposta a essa pergunta fica cada vez mais evidente que é sim”. A Prof. Nicholls apresenta um conjunto de exemplos que confiram a resposta, no México, em Bangladesh e na África.

Afirma que muitos agricultores ao redor do mundo passaram a desenvolver inovações para se adaptar às novas condições produzidas pelas mudanças no clima. Traz novos exemplos na Colômbia e dos que praticam a zai no sahel africano, que desenvolveram sofisticados sistemas de manejo da água no solo para garantir as suas colheitas.

A Prof. Nicholls, ainda faz uma nova pergunta chave: A tecnificação melhora a adaptação às mudanças climáticas? E comenta que, se não entendermos o viés militante das ciências e a sua parcialidade, não conseguiremos responder esta questão de forma correta.

Por fim em sua fala, a Prof. Nicholls afirma que há muitos caminhos para a construção da resiliência. Diz que esses caminhos podem ser emancipadores, ou apenas reformistas, de forma que não dialogam necessariamente com as raízes dos problemas que geram as vulnerabilidades dos sistemas de produção. Neste contexto, ela afirma que devemos estar atentos aos diferentes aspectos dos agro ecossistemas que contribuem para identificarmos sua resiliência, sua vulnerabilidade, a avaliação dos riscos a que estão submetidos e a sua capacidade de resposta.

Perguntas e comentários do público.

-“O termo resiliência não está desgastado? E quanto tempo durou a pesquisa realizada pelo INSA, apresentada por Aldrin? ”

- “Ano passado 600 mil ha de florestas foram consumidos pelo fogo e os bosques nativos protegeram as propriedades. As estratégias de restauração com bosques nativos não deveriam ser consideradas para a ampliação da resiliência dos sistemas de produção? ”

- “A Reforma Agrária na Colômbia não está estagnada após os processos de negociação de paz estabelecidos entre o governo e as FARC? ”

- “O termo resiliência não seria um campo em disputa e quem estaria ocupando os lugares nesta disputa? ”

- “Apesar de o capitalismo negar as mudanças climáticas, há um campo de oportunidades abertas em que as empresas tentam se posicionar, como por exemplo o mercado de carbono, e que teríamos que tomar cuidado com as falsas soluções”.

Respostas dos membros da mesa:

Aldrin, do INSA, diz que a pesquisa continua e que eles levaram três anos para a construção da proposta. Concorda com a questão do participante e afirma que o termo resiliência em grande parte é um conceito cooptado, e que no caso deles trabalham com o conceito de "convivência com o semiárido".

O Prof. Sicard, afirma que “para nós, toda a propriedade privada na América Latina é ilegal, pois há muitos questionamentos jurídicos colocando em cheque o Tratado de Tordesilhas. O acordo de paz com as FARC, que estabelece a perspectiva de destinação de 3 milhões de hectares a Reforma Agrária em 10 anos, não terá condições de promover uma verdadeira reforma agrária, mas sim uma estratégia de desenvolvimento rural integrada à indústria, como as próprias FARC já vem afirmando”.

Eric comenta sobre a questão da resiliência. Diz que, em uma reunião, uma representante de uma importante agência de cooperação foi questionada pelos agricultores porque ela não propunha projetos de ampliação da resiliência para as grandes empresas bananeiras multinacionais que atuam na América Central? “Ou seja, para os grandes capitalistas oferecem capital e para os pobres oferecem resiliência despolitizada” destaca. Ainda comenta que o capitalismo está lutando com todas as suas forças para sobreviver nas condições insustentáveis que criou: “A privatização das sementes e a privatização do carbono são falsas soluções para manter vivo este sistema que está acabando com a civilização”.

Por fim, a Prof. Clara Nicholls, afirma que é necessário deixar claro quais são as raízes e as causas por traz das mudanças do clima e que a resiliência tem relação com aspectos sociais, econômicos, culturais e políticos e não apenas técnicos. Defende que os agricultores devem fazer suas opções por trilhar, caminhos que sejam reformistas, de transição ou transformadores.

E assim desfaz a mesa agradecendo aos participantes e aos palestrantes.

 

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#AT99 – Painel V – Educação em Agroecologia: Práticas e Saberes na perspectiva contra hegemônica

Panel V – Educación en Agroecología: Prácticas y Saberes en la perspectiva contra hegemónica

Dia 15 | 8h00 – 10h00 | AUDITÓRIO IPÊ AMARELO | #Agroecologia2017

Responsável(is): Luciana Jacob (ABA); Marcos Sorrentino (ESALQ/USP); Coordenadora: Virginia Aguiar (UFPE)

Arquivos:

Apresentação Marcos Sorrentino

Créditos vídeo: João Pedro Novaes

Relato:

A coordenadora da mesa, Maria Virginia de Almeida Aguiar (UFPE), abriu a atividade convidando os palestrantes a comporem a mesa e saudando a todos os presentes. Para iniciar o painel fez uma contextualização do estado da arte da Educação em Agroecologia.

Segundo Virginia, a pauta agroecológica está cada vez se ocupando do tema educação como uma questão essencial para a construção do conhecimento agroecológico. Destacou os núcleos de agroecologia que foram formados nas universidades e que têm atuado como espaços de expressão e diálogo nos territórios. Para demonstrar a importância atual do tema da educação em agroecologia, destacou que no primeiro CBA, realizado em Porto Alegre-RS em 2003, foram apresentados 9 trabalhos sobre educação e que neste congresso temos mais de 140 trabalhos apresentados na temática. No âmbito do grupo de trabalho sobre educação da ABA várias discussões importantes vêm acontecendo, como a questão curricular, as diferentes pedagogias utilizadas, os cursos de graduação e pós-graduação, as interfaces da educação no campo, entre outros. Após essa leitura de contexto, passou a palavra para a primeira palestrante.

Luciana Jacob (ABA)  (síntese da fala da palestrante)

A temática do painel é extremamente relevante nesse momento, onde as disputas políticas estão em evidência. Para que seja possível fazer uma discussão sobre o que seria uma educação não hegemônica, é necessário retomar os conceitos que estão sendo tratados, o que entendemos por hegemonia e contra hegemonia. Essa vigilância epistemológica é importante pois não podemos correr o risco de a narrativa ser esvaziada.

Para conceituar hegemonia a palestrante fez referência ao filósofo italiano, Gramsci, que conceitua o termo como:

“a total realidade da experiência social em um dado momento histórico que satura profundamente a consciência da sociedade. Assim, hegemonia, para Gramsci, em qualquer período e em qualquer sociedade é constituída por um sistema central de práticas, significados e valores que podem ser chamados de dominantes e eficazes. Trata-se, portanto, de todo um conjunto de práticas e expectativas, do investimento de nossas energias, da compreensão cotidiana que se tem do mundo” (Luciana Jacob)

Esses valores são dominantes e eficazes, pois nos faz pensar que não existem alternativas.  A hegemonia não esta só na política e na economia, ela está presente também nas nossas formas de conhecer o mundo. A hegemonia se mantém por duas forças: a da violência e a produção de consenso.  A produção de consenso é ideológica. E as escolas e universidades contribuem para a manutenção disso.

Partindo então desse conceito de hegemonia e olhando para o tema agricultura, o agronegócio no Brasil hoje se constitui como a única forma possível e qualificada de se fazer agricultura. O agronegócio, embora se demonstre moderno e refinado, é impregnado por elementos coloniais, como os latifúndios, a monocultura, a exportação de matéria prima, a violência contra os povos do campo, a liquidação do conhecimento pelo assassinato das pessoas e a produção extensiva e simplificada dos ecossistemas.

A Revolução Verde, que promoveu a modernização do campo num momento de ditadura militar no Brasil, se estabeleceu às custas da subtração dos modos de produção dos povos do campo e do desmatamento. O latifúndio é permeado por formas coloniais de produção e continua se reproduzindo com o apoio da bancada ruralista.

O golpe de 2016 reforça isso, pois foi um golpe patriarcal, machista e capitalista, para desarticular a sociedade e principalmente as populações do campo. Os golpistas não queriam que estivéssemos aqui hoje.

Nesse cenário, o que é então a contra hegemonia?

Gramsci aponta que onde há uma hegemonia, existem valores que não enquadram. Dentre esses que não se enquadram, existem dois grupos, um que questiona o paradigma, mas que contribui para a continuidade do sistema (a hegemonia aceita isso) e o outro grupo, que é aquele que busca desconstruir o paradigma dominante.

Considerando que não existe agroecologia num sistema patriarcal, machista e capitalista, é necessário desconstruir o paradigma dominante. A agroecologia conseguiu se desenhar dentro de um sistema hegemônico dominante graças à preservação do conhecimento tradicional pelas populações do campo e aos diálogos estabelecidos entre essas populações e o meio científico.

No Brasil, a gênese da agroecologia não partiu somente da apropriação científica dos conhecimentos tradicionais dos agricultores, mas também através de diálogos dos movimentos sociais, das escolas e universidades. A agroecologia ganha traços da ecologia de saberes de Boaventura de Sousa Santos, pois trata-se de um campo de confluência solidário.

E qual o papel então da educação em agroecologia?

A hegemonia é constituída por força e consenso. O consenso é conquistado através da mídia e também das instituições educadoras. Se a hegemonia é conquistada dentro das escolas, é aí que podemos construir a contra hegemonia.

Nas universidades o conceito de agroecologia está em constante disputa, pois nesses espaços se constroem ideias e projetos de mundo. Hoje o agronegócio domina as universidades.

Do ponto de vista epistemológico, a manutenção do paradigma do agronegócio se dá por meio das tecnologias geradas na academia e levada ao campo, no contato duvidoso das universidades com as empresas transnacionais, na formação das pessoas e na produção de conhecimento. Esse conhecimento produzido é divulgado tanto na mídia, quanto na produção científica.

Hoje as universidades respondem a duas questões: as questões colocadas pelo agronegócio e as questões que ela mesma formula, dentro dos muros da universidade. Os agricultores e as agricultoras familiares ficam à margem da construção das pesquisas.

E o que significa pensar a agroecologia na universidade?

Significa trazer as vozes que foram violentadas e silenciadas por todo esse tempo. É necessário resignificar a extensão universitária, reposicionar o papel da extensão, para ser o centro do processo. Essa é a única ferramenta capaz de levar o pesquisador fazer as perguntas fortes.

Atualmente existem nas universidades professores militantes, mas que se sentem solitários. Essa é outra forma de desmobilização causada pelo paradigma dominante, nos fazer sentirmos sós, alternativos, quando na realidade lidamos com mais de 70% da população do campo.

Os Núcleos de Agroecologia permitem que a sociedade entre na universidade. É aí que está a chave, onde viramos o jogo. Parar de produzir conhecimento para, para produzir com. Os núcleos vêm se consolidando como esse lócus. O movimento contra hegemônico precisa ser globalizado, precisa se articular com outros movimentos.

Para finalizar, utilizou uma frase de Paulo Freire, que diz: “O mundo não é, o mundo está sendo”.

Marcos Sorrentino (ESALQ/USP) (síntese da fala do palestrante)

Agradeço a presença de todos. Como já foram contextualizados os conceitos e a temática, vou direto para a sugestão de propor e dialogar sobre uma agenda de transição educadora agroecológica e ambientalista.

São 4 aspectos da agenda que precisam ser considerados: a rebelião, o ideário, a educação e a potência de ação.

Sobre a rebelião, essa reflexão surgiu nos corredores do congresso, face ao contexto político atual. Nossa luta política imediata é pelo fora Temer e fora todos os corruptos e corruptores. Esse grupo de políticos precisa sair. Precisamos de uma constituinte democrática e soberana, agenda construída por pessoas comprometidas com a transformação social e isto não é impossível.

Sobre as transformações sociais necessárias, Montesquieu diz que o espírito das leis, nas sociedades democráticas e populares, deve ser o da frugalidade, o da simplicidade voluntária. Precisamos de um compromisso com o bem comum. Sem isso não conseguimos fazer leis democráticas e populares. Então, como construímos uma estratégia de transição para isso?

Só vamos enfrentar o aquecimento do planeta Terra se diminuirmos o consumo de carne. E como falamos isso para a sociedade brasileira, que tem esse hábito arraigado em sua cultura?

Temos que levar os nossos filhos para a cozinha. Crianças precisam ir para a cozinha. Toda a mudança precisa ser acompanhada por transformações estruturais. Não tem como encarar o mercado da carne sem passar pela reforma agrária e pela reforma urbana. Temos uma situação vergonhosa de ter 850 milhões de hectares, dos quais 200 milhões estão destinados à pecuária. Com uma simples mudança de técnica poderíamos reduzir isso para 100 milhões de ha, com o simples piqueteamento de pasto. Precisamos buscar uma equidade no consumo, consumindo menos e fazendo uma produção mais racional. Temos sim que defender e lutar por reforma agrária e por reforma urbana. Não há possibilidade de transformação agroecológica com essa iniquidade.

Sobre o ideário, o movimento agroecológico precisa dialogar com outras agendas que estão aí há 40 anos. O socialismo libertário, o ambientalismo, o movimento LGBT existem desde a década de 60 e precisamos visitar e conhecer isso, para formar as alianças necessárias com esses movimentos chamados novos movimentos sociais.

A educação é outro ponto que precisa ser discutido. Não podemos simplificar a educação como sinônimo de escola. Em relação à educação escolar, precisamos ocupar as escolas públicas. Temos que ocupar o espaço público e obrigar deputados e senadores a colocarem seus filhos na escola pública. Se não conhecermos o sistema público, não temos como influenciar.

Ocupar os espaços públicos é fundamental, mas não suficiente. O território educador é todo o território que vivemos. O processo educador tem que ser permanente, articulado. A educação acontece não só na escola, mas também nas igrejas, sindicatos e outros espaços, buscando agendas educadoras integradas.

Os conselhos municipais de educação precisam assumir a responsabilidade da educação de todos os munícipes. Nesses conselhos se pensam só nas escolas públicas. Precisamos pensar numa agenda educadora para todo o município. Todos os conselhos são espaços que podem aglutinar os atores para a agenda educadora, tendo o município como espaço de educação para sociedades sustentáveis.

Por fim, a potência de ação é outro ponto de destaque. Não podemos deixar que o pessimismo do pensamento massacre o otimismo da ação. Não podemos deixar a confusão nos confundir.

A quantidade de informação negativa é tão grande, que dá vontade de jogar a toalha, mas esse momento exige assertividade.

DEBATE COM A PLENÁRIA

1 – Docente da Faculdade de Educação da Unicamp pergunta para  Marcos sobre a ideia de priorizar o município como esfera de ação. “Isso na Espanha tem acontecido muito. O desafio no Brasil é que focamos no espaço federal.  Não vejo a perspectiva das pessoas se envolverem numa democracia que esta só aqui em Brasília, sendo que a realidade muitas vezes está a mais de 1000km daqui”.

2 – Pedro, doutorando em saúde coletiva Unicamp. “O quanto essa confusão de que a educação formal (alfabetização) é necessária para avançar nos espaços educadores está nos travando?”

3 – Geraldo, do Caparaó, Rede Capixaba de Educação Ambiental. “A agroecologia é a prática que nos falta na educação ambiental”.

4 – Eli Lino de Jesus - Professor do curso de Agroecologia, do Instituto Federal do Sudeste de MG. “ Os cursos de agroecologia enfrentam muitas dificuldades. Os cursos formais necessitam de apoio para aprofundamento. Os cursos têm enfrentado barreiras enormes, os conselhos de classe profissionais não querem registrar o título dos formados em agroecologia, os concursos não selecionam agroecólogos. O agroecólogo não pode ser menor que os agrônomos. A ABA não prioriza esse debate há muito tempo”.

5 – Tadeu –“Sou resultado das políticas públicas, dos pontos de cultura, das salas verdes, de todo esse processo. O espaço da educação não é só o espaço das escolas, é no nosso dia a dia no contato com os diferentes. Agradeço pelas falas, que inspiram e dão ânimo”.

6 – Tiago – Fórum Alternativo Mundial da Água – embora a atividade seja tão rica, ele nota que o paradigma dominante vai se apropriando dos discursos e tentando coexistências. “Na abertura do evento foi falado que a agroecologia pode conviver com o agronegócio. Como conseguimos fugir disso? Como resistimos a apropriação dos espaços?”

CONSIDERAÇÕES FINAIS E RESPOSTAS AOS QUESTIONAMENTOS

Luciana Jacob

Sobre a metodologia campesino-campesino – existe uma pluralidade de saberes. Quem escolhe os saberes importantes são os grupos dominantes, que muitas vezes dizem: é importante só ser alfabetizado.

Com relação à ABA, esclareceu que se trata de um espaço de debate, dinâmico e que só funciona com a participação das pessoas. O GT está aberto para acolher diversos pontos de vista. Fica o convite para quem está presente. A ABA acolhe e dinamiza discussões.

Marcos Sorrentino

Ressaltou a importância da mídia na revolução. Precisamos fortalecer as mídias alternativas.

Como atuamos a partir do município? Como enfrentamos o coronelismo instalado nos municípios? Uma ideia é a construção de círculos de cultura, que dialoguem sobre essa agenda. É necessário formar uma rede, uma malha de cultura, com espaços de encontro, onde se discuta teoria e se pratique ações coletivas, que vai desde plantar juntos até incidir em políticas públicas. A comunicação é fundamental para uma rede de diálogo.

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#AT98 – ASSEMBLEIA SOCLA

ASAMBLEA SOCLA

Dia 14 | 17h00 | SERIEMA | #Agroecologia2017

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#AT97 – Feira de Troca de Sementes Crioulas

Feria de interCambio de Semillas Criollas

Dia 14 | 15h00 – 17h00 | FEIRA | #Agroecologia2017

Responsável(is): Jane Simoni Eidt (Embrapa – DTT)

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