#AT104 – Diálogos entre Agroecologia e as Economias Críticas

Diálogos entre la Agroecología y las Economías Críticas

Dia 15 | 10h00 – 12h00 | AUDITÓRIO IPÊ AMARELO | #Agroecologia2017

Responsável(is): Walter Pengue (The Economics of Ecosystems and Biodiversity –TEEB / Intergov); Guilherme Delgado (IPEA); Isabelle Hillenkamp (IRD -França); Coordenadora: Emma Siliprandi (GT Mujeres, Agroecologia y Economia Solidária de CLACSO – Espanha)

Arquivo: Apresentação Isabelle Hillenkamp 

Relato:

Mesa para diálogo entre Agroecologia e Economias Críticas. Os convidados que compõem a mesa atuam e/ou realizam pesquisa na área de economia e trouxeram informação importante para conectar Economia e Agroecologia. O diálogo levantou questões que ainda caminham para um processo de solução, mas evidenciou o momento de ampliar o olhar para uma necessidade urgente de mudança para uma economia integral e ecológica. Inspirações em uma escala macro e micro, para repensar um sistema econômico de depreciação dos recursos naturais e reestabelecer uma cosmovisão das relações econômicas e sociais.

Guilherme Delgado:

Economista do IPEA, acompanha o movimento desde a luta pela reforma agrária e dos movimentos camponeses do Brasil. Delgado afirmou que, de fato, a corrente principal da economia convencional não dialoga com agroecologia. Explica que, para as correntes convencionais da economia, os progressos técnicos são molas propulsoras do desenvolvimento econômico, e cria-se o mito de que estes progressos técnicos sejam a solução da proposta civilizatória, do capital e do dinheiro. Essa visão possui muitas críticas ao longo do Século XX, sendo que algumas dessas críticas dialogam com a agroecologia. O palestrante apresenta quatro vertentes dessas críticas: a) economia política do capital com crítica aos fundamentos do capitalismo e à desigualdade da repartição dos rendimentos sociais; b) teoria do subdesenvolvimento: coloca a questão dos custos invisíveis do processo de desenvolvimento e a forte ligação com a exploração das vantagens comparativas naturais; c) privação de capacidades humanas e de suas liberdades; e d) vício estrutural do progresso técnico de alta entropia.

A economia ecológica, fundado nos anos 1970, possui princípios que são válidos como crítica à modernidade. O vicio estrutural de alta entropia, traduzido de forma simples, diz respeito à forte dissipação de energia útil que se materializa em poluição ambiental, diferentemente do foco na ideia livre que dialoga com a visão integral da agroecologia. Uma economia de cosmovisão pode ser considerada como uma revolução científica. O diálogo tem que ser com um conjunto de saberes, deve ser compatível com a vida em sociedade. O diálogo é pertinente para construção de um novo caminho, possui forte relação também, com a teologia abordado pelo atual Papa Francisco, que se preocupa com tema e é uma estrutura de poder.

Isabelle Hillenkamp:

Economista que trabalha com economia feminista, expôs a visão para uma escala micro em que as relações econômicas-sociais podem ser construídas. Afirma a importância do diálogo com o campo, e que a leitura feminista é um aprofundamento da história dentro da história. Iniciou nos anos 1970, juntamente com a reforma agraria, críticas à agricultura convencional e posicionou-se em prol da pluralidade existente. Isabelle citou que na década de 1990 atuou na inserção da visão agroecológica e do desenvolvimento sustentável, e em 2003, com foco em políticas públicas. A principal necessidade para o reconhecimento feminino da agroecologia é a valorização do trabalho dos conhecimentos agroecológicos, afirmou. Continuou, do ponto de vista do fluxo econômico, a busca por autonomia das mulheres mostra diferentes relações tanto monetárias como não monetárias. Essas relações merecem qualificação no sentido de buscar critérios. Hillenkamp disse que as práticas mercantis podem ou não trazer visão capitalista. Afirmou ainda que práticas não monetárias muitas vezes possuem propósito de comércio justo e solidário, como as trocas de sementes e mudas e as doações de alimentos, mas podem também, vir de uma situação impositiva e gerarem exploração e desigualdade. Por fim, informou que a economia feminista na agroecologia busca por sustentabilidade de vida com uma cultura de afeto, práticas de interdependência, reciprocidade, redistribuição, partilha doméstica e mercado.

Walter A. Pengue
 
Walter A. Pengue é professor e pesquisador na Argentina, com experiência das questões agrárias da América Latina. Expôs uma visão macro, da real necessidade de brutal transformação para o período pelo qual a humanidade passa. Afirma que agroecologia possui uma visão sustentável. Afirmou: precisamos entender que todos os modelos econômicos, sejam de esquerda ou direita, precisam olhar a questão ambiental, o solo, os recursos naturais, e seus impactos precisam ser tratados, para uma visão global e de necessidade da humanidade.

As estruturas de poder precisam tratar dos quesitos econômicos e recursos naturais em conjunto. Não é uma temática somente para América Latina. Precisamos considerar a economia e a ecologia, em uma situação de reparação para uma nova situação, uma mudança paradigmática, mudança civilizatória para a sociedade não desaparecer. Tem sido comum adicionarem adjetivos à economia, como exemplo, economia verde, circular, solidária e ecológica. Mas não tem sido efetivada uma mudança de fato. A economia ecológica nos traz uma visão abundante, avançar de forma mais rápida e socioecológica com transformação cultural.
 
Walter firmou que a América Latina precisa se restabelecer. Que possui muitos recursos naturais, que são explorados e aproveitados por países “mais desenvolvidos”. A China, por exemplo, tem criado uma mudança de demando sobre seus recursos no mundo. O planeta, de forma geral, comete um genocídio de seus recursos naturais. Perguntou: Como consertar essa realidade? Não será possível mudar somente a partir dos conhecimentos científicos, as mudanças veem dos movimentos sociais para uma economia ecológica e sustentável. Pengue afirmou ainda que será necessário aliar a visão macro e o nível micro, das organizações de tarefas familiares, passando pelas práticas de ocupação do mercado, até a proposição de um modelo mais geral.

Contribuições do público:

O público fez contribuições com questionamentos e com relatos de suas experiências e entendimentos na temática. Entre os questionamentos levantados, destacamos: a importância da valoração dos serviços ambientais; refletir sobre processos sem discriminação e igualitários; inserção da economia ecológica no currículo da graduação de economia de forma mais profunda, visto seu perfil marginal atualmente; mudança para um paradigma da abundância e economia do bem viver.

Ainda foi levantado que a economia feminista urbana trouxe contribuições importantes, mas sempre ficou atrelada em incluir as mulheres no sistema de mercado acelerado convencional. A participação das mulheres rurais traz uma possibilidade de renovação. Visão da natureza não como objeto, e sim como um sujeito do sistema. Discutir o direito à propriedade da terra, pois sem território não há agroecologia, construir como categoria no mercado de trabalho, agregar multidisciplinaridade de profissionais e incluir economia solidaria e feminista, e ecológica com respeito as relações sociais.

 

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Publicado por

Layse Ennes

Sou Layse Ennes, Eng.ª Florestal, atual animadora do Grupo de trabalho de Agricultura Urbana do Movimento Nossa Brasília, sócia e Gestora de Projetos na Jardim Natural, atuação com foco na agricultura urbana, agroecologia e educação ambiental, por acreditar no processo de reconexão com o Planeta e na capacidade da integração urbano/rural despertar a consciência para as demais ações do nosso contexto.

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