#AT12 – Feminismo e agroecologia: mulheres em luta contra a Violência sexista, o capitalismo e o patriarcado

Feminismo y agroecología: mujeres en lucha contra la violencia sexista, el capitalismo y el patriarcado

Dia 12 | 14h00 – 18h00 | BARBATIMÃO | #Agroecologia2017

Responsável(is): Miriam Nobre (SOF – Sempre Viva Organização Feminista e MMM – Marcha Mundial das Mulheres); Maria Verônica Santana (MMTR-NE); Luiza Cavalcante – REGA; Verónica Vazquez – COLPOS/AMA-AWA; Michela Calaça (MMP); Coordenadora: Sarah Luiza de Souza Moreira

Relato:

Quem de nós, a cada instante, na rua, em casa não se sente violentada?”
Luiza Cavalcante, REGA e CBA-17

Michela Calaça - MMP inicia sua contribuição apresentando dados sobre a violência contra a mulher no Brasil: “a cada uma hora 503 mulheres são agredidas, 13 mulheres são assassinadas por dia e de 3 a 5 jovens dizem ter sofrido violência a cada 24 horas”.

Ela pontua que esses são dados importantes para dar visibilidade ao que acontece com as mulheres: “Contudo, quando se trata da mulher do campo, esses dados dizem pouco: as mulheres do campo não estão representadas nesses números.” E segue destacando que a violência contra a mulher não é um fato isolado, é uma violência sistêmica e funcional a forma da sociedade - capitalista. “As dimensões da violência contra a mulher podem ser percebidas na não valorização da produção das mulheres, na destruição dos territórios, na construção de barragens. Dessa forma, é importante entender o sistema capitalista para enfrentar a violência”.

De acordo com ela, no caso da destruição dos territórios, a primeira vida que muda é a das mulheres. “Atingir o território atinge diretamente o corpo e a vida das mulheres: estupro, prostituição, patriarcado e racismo estão imbricados no sistema capitalista. O papel da agroecologia é superar as contradições que esse sistema nos tem imposto.”

O enfrentamento ao capitalismo é cotidiano.

Michela destaca que o momento atual no Brasil é “temeroso para as mulheres” e que “o golpe foi contra todas as mulheres”. Ela afirma que o exemplo disso foi o fechamento da SPM (Secretaria de Politicas para Mulheres) que paralisou o enfrentamento à violência. E no que se refere ao impacto do golpe no campo, pontua que “as reformas trabalhista e previdenciária inviabiliza a existência de mulheres no campo”.

E a conversa continuou com Verônica Santana, agricultora agroecológica que trouxe a experiência do MMTR-NE no enfrentamento da violência contra a mulher. Antes de falar da atuação do movimento neste enfrentamento, a palestrante, em diálogo com o tema da mesa, pontua que o avanço do neoliberalismo vem precarizando a vida e levanta o seguinte questionamento a todas as pessoas presentes:  “se a vida no neoliberalismo não é uma coisa importante, imagina a vida de uma mulher”?

Ela também pontua que a culpabilização da mulher em torno da violência é muito forte e afirma que na maioria dos casos a companheira não denuncia, não chama a polícia. Para mudar o quadro de silenciamento cita a necessidade de: apostar na construção de políticas públicas, união com outros movimentos sociais, cobrar o orçamento público e ir para as ruas.

Em relação à aposta na construção de políticas públicas, ela lança uma problemática: “Não há estatísticas sobre a violência no meio rural. Dessa forma, é preciso dar o olhar do rural para as políticas públicas. Além disso, há de se pensar em outras estratégias de enfrentamento. Uma delas e muito importante, é o fortalecimento das mulheres a partir de rodas de compartilhamento de experiências e relatos. Lá as mulheres constroem seus questionamentos e passam a não se culpabilizar nem apontar outras mulheres pela violência sofrida. Dessa forma, é preciso discutir as dimensões da violência: a violência também estar na desvalorização do trabalho das mulheres....Temos que enfrentar muitas armadilhas”, como exemplo: colocar a causa da violência na outra, a mesma coisa é pensar que “ se eu não apanho, não sofro violência...”

Verônica Santana encerra sua fala dizendo que “nós mulheres precisamos cuidar umas das outras” e que “enfrentar o patriarcado é enfrentar a violência todos os dias”.

“A nossa luta/É todo dia/Somos mulheres/E não mercadoria”. Sarah Luiza

Verônica Vázquez, mulher, mexicana, feminista e acadêmica. Trouxe para a roda o caso da construção do Aeroporto Internacional da cidade do México. Mostra que essa grande obra, como todas, veio acompanhada da expropriação de terras, controle sobre os territórios e sobre os corpos principalmente das mulheres e meninas. 

Sobre a violência contra as mulheres, Miriam Nobre destaca que é preciso pensar sobre a espetacularização dessa violência na mídia e nas redes sociais e sobre como estabelecer processos de cura de todas nós: “o corpo é da mulher que vive uma situação de violência, mas todas nós sentimos”.

Ainda, segundo a palestrante, o capitalismo aliado ao patriarcado, racismo e colonialismo, é o fundador de uma lógica desigual e hierárquica que anula o outro. Ela afirma que o sistema capitalista desestrutura as comunidades para abrir os seus territórios para o capital. E conclui dizendo que a agroecologia vem como uma forma de tecer as comunidades e vínculos para defender os territórios.

“A violência contra a mulher não é o mundo que a gente quer/ Se tem violência contra mulher a gente mete a colher.” Sarah Luiza

Luiza Cavalcante, mulher, negra, agricultora agroecológica e feminista. É assim que ela inicia sua contribuição, dando luz à máxima de que o fundamentalismo religioso é um elemento importante que vem aplaudindo a violência. Fala também de uma violência sutil apresentada em espaços públicos em que os homens ditam os espaços das mulheres. Ela ressalta ainda que as mulheres do campo são as que sofrem mais violência acadêmica. Justifica que elas têm seu conhecimento sistematizado e arrebatado pela academia e instituições, sem o devido retorno.  Em seguida ela encerra dizendo que o papel da agroecologia é desmantelar e desestruturar o capitalismo e o patriarcado.

Em seguida, Sara Luiza pede para as pessoas ficarem de pé, darem as mãos e cantar:

Pisa ligeiro/Pisa ligeiro
Quem não pode com as mulheres não assanha o formigueiro

Depois desta mística, a coordenadora da mesa abre o espaço para perguntas, colocações, compartilhamento de experiências e relatos. 

Relatoras: Maires Barbosa e Domênica Rodrigues

Foto da atividade:

Vídeo passado na atividade:

Facilitação Gráfica:

Mais informações

Feminismo é tema de debate no X Congresso de Agroecologia

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Publicado por

Maíres Barbosa

Olá a todas/os, Eu sou a Maíres, uma nordestina que mora a um tempinho no DF. Acabei de me graduar em Ciência Política pela UnB. Durante a graduação, estudei movimentos de mulheres trabalhadoras rurais e pretendo aprofundar mais no mestrado e doutorado. Faço parte do grupo de pesquisa sobre Democracia e Desigualdades (Demodê - IPOL/UnB). Sou uma forrozeira pé de serra, toco pife e zabumba e a informação mais importante sobre mim: amo paçoca.

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