#AT17 – Auto apresentação das organizações que lutam contra agrotóxicos e OGMs

Auto presentación de las organizaciones que luchan contra agrotóxicos y OGMs

Dia 12 | 14h00 – 17h00 | TATU CANASTRA | #Agroecologia2017

Responsável(is): Coordenador: Leonardo Melgarejo. Relator: Valber Almeida de Matos Mediador: Eulina Marques / Jussara Leite Facilitação Gráfica: André Luis de Oliveira Araújo / Muriel P. Duarte Gonzales

Relato:

Estiveram presentes em torno de 50 participantes, representantes de ONG’s, contemplando paridade de gênero; representantes de comunidades tradicionais e étnicas; camponeses e profissionais da área rural; estudantes e professores de várias instituições de ensino e de níveis de escolaridade; brasileiros e estrangeiros (em especial, da América Latina). O objetivo foi criar uma pauta comum entre as organizações presentes para a Agenda Ciência Cidadã com base nas diretrizes estabelecidas na Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável), especificamente, no tocante às ações de luta contra o uso de agrotóxicos e aos transgênicos – organismos geneticamente modificados (OGM’s).  Leonardo Melgarejo apresentou a proposta metodológica com os seguintes temas de atuação: - Contaminação da água; - Contaminação dos solos; - Contaminação dos alimentos; - Contaminação dos genomas; e, - Contaminação do contrato social. A plenária sugeriu mudança pactuando os seguintes temas: - Contaminação da água, dos solos e dos subsolos; - Contaminação dos alimentos; - Contaminação da cultura alimentar; - Contaminação da biodiversidade; - Contaminação dos genomas; - Contaminação da comunicação/educação; - Contaminação da saúde. Todas e todos se apresentaram e às suas instituições (da sociedade civil e do poder público), com foco nas ações de luta a favor da agroecologia. Uma pessoa diz: “Nossos problemas não tem fronteira, as águas e os ventos não tem fronteira”. Traz a questão de que os países do sul têm que entrar em acordo quanto aos aquíferos e outras fontes hídricas consorciadas entre estes vizinhos, a exemplo do Aquífero Guarani, cujo nascedouro é no Brasil e que a contaminação na fonte generaliza os demais aquíferos interligados dos outros países. Outros falam da importância da água como bem maior do planeta, e que, sua contaminação contamina toda a vida terrestre. Também abordam a contaminação da água no urbano. Além das substâncias químicas provenientes dos detergentes e outros materiais de limpeza de uso doméstico, o uso dos químicos para dedetizações, pulverizações em jardins e os fumasses de combate às pragas e doenças semi-urbanas. Trazem também a contaminação dos solos que, consequentemente, contamina os subsolos e as fontes de água. Outro agravante são as compactações dos solos através do uso intensivo de máquina/tratores. Quanto à contaminação dos alimentos, que difere da cultura alimentar, o que citaram como mais agravante foi a alta produção de grãos, frutas, verduras e legumes com uso de agrotóxicos, parte destes proibidos em alguns países latino-americano. Outra questão é a crescente infestação dos OGM’s, que por sua vez, contaminam as sementes crioulas da agricultura familiar. A falta de rotulagem apropriada nos produtos industrializados e manufaturados, para identificar se contém OGM’s ou se são produzidos de forma convencional com o uso de agrotóxicos, compromete a Segurança e Soberania Alimentar e Nutricional dos consumidores. Existem práticas usuais do processo de higienização dos alimentos que deixam resíduos químicos e acabam contaminados pelos produtos "limpantes", como vinagres, e outros ácidos. A cultura do consumismo faz com que as sociedades não valorizem a cultura alimentar dos seus povos e se voltem ao consumo de produtos industrializados, incentivados pela mídia, e às vezes, até pelo governo, que investe na comercialização desses produtos. O Brasil, como ícone de país da gastronomia, enaltece as empresas de fast food e exclui os guardiões de sementes. Foi abordado o extermínio em massa das abelhas e outros insetos benéficos, principalmente pelo o uso de agrotóxicos, afetando o ecossistema e a manutenção da biodiversidade. Um participante relata que já tem pesquisas independentes que demonstram o risco do câncer com a ingestão dos transgênicos. Os presentes contestaram análises da ANVISA que certifica que os alimentos são apropriados para o consumo, mesmo apresentando resíduos de agrotóxicos. Algumas propostas de ação que os participantes devem realizar em suas regiões foram: - Participarem do Fórum Mundial da Água e levarem propostas contra o uso dos agrotóxicos em todas as nações. - Propor leis e mecanismos que garantam as análises químicas da água que se destina ao consumo humano (campo/cidade). Que esses índices e níveis de contaminação da água (resíduos e substâncias) pelas criações de animais a base de ração, uso de agrotóxicos, metais pesados e também por uso doméstico, sejam apresentados nas guias (talões) de cobrança da água ao consumidor; - Criar políticas públicas de combate à contaminação das águas, dos solos e dos subsolos; - Criar mecanismos de vigilância regional e observatórios dos impactos socioambientais para combate a eutrofização provinda dos acúmulos de resíduos químicos; - Fortalecer a agroecologia enquanto matriz curricular das escolas do campo, ampliando assim espaços de reflexão, formação e trocas a respeito da temática contra agrotóxicos e OGM’s; - Fomentar uma comunicação de massa para instruir a população sobre a gravidade dos contaminantes das águas, dos solos e dos subsolos, nas redes escolares, sociais e ao público em geral; - Descobrir o caminho das nascentes dos aquíferos e onde eles desaguam; - Fortalecer e incluir a aprovação do PRONADA e criar políticas públicas estaduais na mesma linha de atuação; - Fortalecimento das ações em prol da cultura alimentar saudável e sustentável através de redes; - Realizar seminários, congresso e ambientes de reflexões para ações efetivas e formação da sociedade na defesa contra os agrotóxicos e transgênicos; - Banimento dos agrotóxicos nas produções em APA’s (Áreas de Proteção Ambiental); - Realizar campanhas educacionais sobre os prejuízos dos agrotóxicos à saúde humana e ambiental, nas redes escolares; - Incentivar trocas de experiências agroecológicas entre os produtores e as produtoras rurais e urbanas; - Parcerias institucionais para o monitoramento e análise dos resíduos de agrotóxicos nos alimentos e estruturação de uma rede protetora à alimentação saudável; - Fiscalização efetiva no combate ao uso indiscriminado dos agrotóxicos; - Monitorar o percentual de recursos públicos e isenções fiscais investidos em programas que favoreçam o consumo de defensivos e fertilizantes químicos em comparação aos investimentos em programas voltados à produção livre de veneno; - Fomentar a criação de Leis que prevê o financiamento às culturas alimentares, considerando a agroecologia em suas práticas à cultura; - Reconhecer os mestres e as mestras de cultura alimentar popular para partilhar conhecimentos de modo convidativo; - Criar hábitos entre os Núcleos de Agroecologias na construção de projetos e ações pedagógicas e educacionais nas escolas técnicas de ensino médio, voltadas às práticas saudáveis de base agroecológicas; - Divulgar em rede todos os agrotóxicos mais danosos na contaminação de toda cadeia alimentar; - Monitorar presença de resíduos de fertilizantes químicos nos alimentos e defensivos químicos em humanos, a exemplo do leite materno em populações urbanas e rurais; - Contextualizar a noção de cultura, combatendo o pensamento reducionista, disjuntivo e simplificador que tende a colocar a cultura (racionalidades culturais) na periferia do debate. O alimento é 100% biológico e 100% cultural, sem subordinar ou hierarquizar uma dimensão à outra; - Criar parcerias de análise em biologia molecular para averiguar a presença de agrotóxicos nos alimentos; - Concentrar e disseminar as informações e pesquisas em um só lugar onde esteja disponível para toda sociedade; - Prepare um documento para argumentar a Justiça Social Fiscal; - Apoiar legislação que identifique o uso de agrotóxicos e outros químicos e aplicar tributação específica, tanto nos produtos químicos, quanto nos alimentos com agrotóxicos. Por fim, disseram que a sociedade ambiental tem como dialogar com o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), e que todos os presentes tem o compromisso de divulgar e acessar a plataforma CHEGA DE AGROTÓXICO http://www.chegadeagrotoxicos.org.br/, onde tem ações eficientes e efetivas de redução no uso dos agrotóxicos.

Facilitação Gráfica:

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Publicado por

valbermatos

Engenheiro agrícola, graduado pela Universidade Federal da Paraíba (Campina Grande - 1996). Tem experiência nas áreas: Engenharia agrícola, com ênfase em analise e elaboração de projetos rurais, avaliação patrimonial de imóveis rurais e recuperação de solos; Perito, em processos de heranças e divisões de terras; Magistério, como professor de física e matemática, no ensino médio e fundamental II; Administração de Empresas, atuando como coordenador e gerente de programas federais; e, Ativismo ambiental e cultural. CV:http://lattes.cnpq.br/6106413125283558

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