#AT37 – Exposição de experiências: visualizando os contextos das agriculturas urbanas no Brasil

Exposición de experiencias: los contextos de las agriculturas urbanas en Brasil

Dia 13 | 10h00 – 12h00 | BARBATIMÃO | #Agroecologia2017

Responsável(is): Janaina Santos (São Paulo); Lorena Anahi (Rede BH); Rafael Nunes (AAZL); Renata Souto (Rede Carioca de Agricultura Urbana); Renato Rocha de Lima (Jardim Angeles); Coordenador: Igor Aveline (Projeto Re-Ação – Brasília)

Arquivos: Vídeo Hortas Pedagógicas

Relato:

Igor Aveline, do Projeto Re-Ação, moderador da atividade, deu início à discussão com um texto poético sobre a situação atual do Brasil, expondo o golpe parlamentar e a dura opressão imposta pelo modelo desenvolvimentista e corporativista atual. A atividade aconteceu na forma da dinâmica “aquário”: os cinco palestrantes se colocaram no meio da roda de pessoas e começaram o debate.

Renata Souto, da Rede Carioca de Agricultura Urbana, comentou a situação da agricultura na capital fluminense. Segundo a pesquisadora, até os anos 80, a maior parte dos alimentos consumidos na cidade do Rio de Janeiro era produzida dentro do município. Ela afirma que não há políticas públicas suficientes que vislumbrem os pequenos agricultores e remanescentes de povos tradicionais no RJ. “A especulação imobiliária vem passando por cima desses grupos”.

A agricultura urbana aparece, hoje, como um ato de resistência, especialmente para jovens e mulheres. A Rede Carioca de Agricultura urbana se dá a partir de um grupo de mulheres, que organiza diversas ações na cidade.

Tendo em vista uma situação na qual a juventude, principalmente a negra, marginalizada, é assassinada diariamente na cidade, Renata salienta que “a Agroecologia surge como forma de reagir a essa situação, que engloba também a luta pela moradia”. A palestrante apresentou um cartaz, mapeando as ações de agricultura urbana no Rio e explicitou o momento grave que vivemos. Como contraponto, falou também sobre as diversas iniciativas positivas que proliferam pela cidade.

Renato Rocha de Lima, do Jardim Angeles, relatou experiências com agricultura urbana na cidade de São Paulo, em especial, nas áreas periféricas. Logo depois, falou sobre os agricultores na região do Jardim Ângela, um dos lugares mais violentos do país, e da tentativa de aproximar essa agricultura periférica do resto da população, de forma mais acessível. “A agricultura urbana tem o poder de aproximar as pessoas”, afirmou.

Karina Smania de Lorenzi, do CEPAGRO (Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo), falou um pouco sobre sua história com hortas escolares em Florianópolis. Com o apoio da prefeitura da cidade, o movimento chegou a 83 escolas. O trabalho se sustentava em alguns eixos fundamentais, como a compostagem, o ciclo dos alimentos e a alimentação saudável.

Segundo a pesquisadora, a iniciativa procurava envolver todos os trabalhadores das escolas, dos professores aos porteiros. Karina conta que os professores trabalhavam com a horta de forma interdisciplinar, aproveitando questões de geografia, português, artes etc.

Janaína Santos comentou as iniciativas da AACC (Associação de Apoio às Comunidades do Campo do RN), com a reaplicação de tecnologias sociais de moradia no programa “Minha Casa, Minha Vida”. O objetivo do movimento é criar um laço comum entre as pessoas. Recentemente, seus organizadores entraram em contato com o CEPAGRO em uma colaboração para que ele mandasse profissionais ao RN, com a intenção de fazer a formação de pessoas e transmitir as tecnologias. “As mulheres locais conseguiram reconquistar sua autonomia em relação a adubos, a partir da compostagem”, contou.

Rafael Nunes, da AAZL (Associação de Agricultores da Zona Leste), um jovem agricultor do extremo leste de São Paulo, afirmou que a agricultura urbana “é uma batalha muito grande. Escolhem uma área sem utilidade nenhuma, repleta de entulho, e transformam-na em hortas”. Para o agricultor, há o desafio tornar a agricultura urbana rentável. Ao mesmo tempo, a iniciativa da qual ele faz parte - uma rede de hortas no leste de São Paulo, tenta incluir os jovens, através de estágios remunerados. Rafael reclama da falta de políticas públicas que tratem do assunto. “Precisamos de mais formações de agricultura urbana.”. Segundo ele, a maioria das hortas é tocada pela agricultura familiar e a adubação verde tem sido muito importante para esse desenvolvimento.

Depois das falas, o resto dos presentes foi convidado a participar da discussão, se colocando em uma das cadeiras no centro do círculo, para tanto.

Foto da atividade:

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