#AT45 – Marco referencial de agroecologia da Embrapa: percepções, conquistas e desafios

Referencial de agroecología en Embrapa: percepciones, conquistas y retos

Dia 13 | 14h00 – 18h00 | SUCUPIRA | #Agroecologia2017

Responsável(is): Tatiana Deane de Abreu Sá (Embrapa Amazônia Oriental); Coordenadora: Ynaiá Masse Bueno (Embrapa – DTT)

Relato:

Ynaiá Masse Bueno (EMBRAPA), coordenadora da mesa, colocou como ponto inicial e central da atividade uma reflexão acerca do Marco Referencial de Agroecologia da Embrapa, construído em 2006. Enfatizou a importância de verificarmos como a empresa avançou institucionalmente nesta temática e sobre a demanda do governo e da sociedade civil no PLANAPO em atualizarmos este documento.  Quais os avanços que o marco poderia apresentar? O que a Embrapa poderia fazer para o desenvolvimento contínuo do conhecimento agroecológico e para apoiar os parceiros e as políticas públicas? Qual a relação entre a necessidade de atualização do marco referencial frente às novas demandas da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica? O objetivo dessa atividade é dialogar, de uma forma mais ampla, o que se quer para o futuro da agroecologia e, a partir de nossos anseios, criar estratégias para alcançar esse futuro pensando tanto nas ações internas  da Embrapa,  quanto no que diz respeito à sua interação com  os parceiros. Para isso, vamos escutar a visão de Tatiana Deane de Abreu Sá, representante da região norte e de João Carlos Costa Gomes, representante da região sul, em relação ao histórico da Agroecologia na Embrapa e o contexto e construção do Marco Referencial.

Tatiana apontou a importância do debate dez anos após a construção do Marco Referencial de Agroecologia da Embrapa (2006) e trouxe também relatos sobre a evolução da Agroecologia e das questões ambientais no interior da Embrapa ao longo dos anos 1970, 1980, 1990 e 2000. A pesquisadora citou a criação de centros que passaram a discutir Meio Ambiente e agricultura alternativa, desde a década de 1980, e o avanço dos debates em torno da Agroecologia nas décadas de 1990 e 2000, citando como exemplo a criação de centros agroflorestais na Amazônia nesse período e a maior articulação entre membros internos da Embrapa em torno da Agroecologia. Enfatizou, ainda, o crescimento dos movimentos sociais no final da década de 1980, a criação da ANA (Associação Nacional de Agroecologia) e da ABA (Associação Brasileira de Agroecologia) e uma maior legitimação do espaço da Agroecologia no interior da Embrapa no início dos anos 2000. Resultado disso foi a necessidade de construção de um marco referencial da Embrapa, que foi elaborado e lanado em 2006, no IV Congresso Brasileiro de Agroecologia, em Belo Horizonte. Apontou ainda como elemento histórico importante, a construção da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica e o incentivo à criação de núcleos de pesquisa em Agroecologia, com os quais a Embrapa vem fazendo parcerias.

Costa Gomes, por sua vez, frisou como elemento importante o fato de a Agroecologia não haver nascido no interior da academia e da estrutura do Estado, mas da sociedade civil e seu confronto com o modelo do agronegócio, sendo tardiamente absorvida pela pesquisa e pelos espaços institucionais. Apontou, contudo, que desde a década de 1970 alguns autores, pesquisadores e grupos de agrônomos já vinham debatendo os malefícios do avanço do agronegócio, o que desembocou em encontros brasileiros voltados a debate da agricultura alternativa e em uma paulatina articulação desses encontros com os movimentos sociais. A articulação e criação de associações voltadas ao debate e ao desenvolvimento da Agroecologia nos anos 2000 também foram citados, ao lado da criação do marco referencial da Embrapa em 2006.

A partir desse panorama, uma atividade foi proposta no sentido de refletir sobre o futuro da Agroecologia e sobre as estratégias que seriam importantes para viabilizar este futuro.  A metodologia da atividade se baseou nas seguintes etapas:

- Diálogo sobre o agroecologia que sonhamos

- Elaboração das estratégias que poderiam ser feitas para fortalecer a Agroecologia na Embrapa e suas ações com os parceiros

- Definição de ações para construir este futuro

A dinâmica se baseou em divisão de subgrupos que se modificaria a cada etapa da atividade para que todos os participantes pudessem interagir e compartilhar suas ideias e experiências.

Os sonhos dos participantes em relação à Agroecologia foram:

Que a agroecologia considere as dimensões sociais e culturais das populações, que seja inclusiva, multidisciplinar, que as bases científicas apoiem os agricultores a fazerem inovações, que oriente as políticas públicas, que trabalhe diretamente com os agricultores, que produza alimentos saudáveis, que seja transversal aos projetos de pesquisa e que seja pauta prioritária de pesquisa e desenvolvimento, intercâmbio e socialização de conhecimentos e ensino, nas instituições brasileiras.

As estratégias apontadas pelos participantes foram:

Fazer com que as contribuições da Embrapa em políticas públicas seja conhecida pelas UDs; ampliar editais específicos em Agroecologia que facilitem a execução de projetos com parceiros; Embrapa mais democrática e autônoma; criação e fortalecimento dos núcleos de agroecologia interdisciplinares; avalia a produção do conhecimento da Embrapa, identificando lacunas e riscos; definir critérios de avaliação de projetos e medição de resultados com base na agroecologia; Recursos prévios para a construção de projetos participativos (pré-projeto); editais que respeitem a dinâmica da pesquisa participativa (tempo maior dos projetos e flexibilidade para replanejar as ações); implementar estratégias de formação/sensibilização em agroecologia, com novas formas de construção do conhecimento; Agroecologia como prioritária nas agendas da empresa; fortalecer institucionalmente o tema agroecologia na Embrapa; viabilizar que o sistema da Embrapa inclua os resultados da Agroecologia; realizar um seminário para criar as estratégias para avançarmos a Agroecologia junto aos movimentos sociais; fortalecer iniciativas em agroecologia nos projetos internacionais; identificar forças políticas para promover a agroecologia, como a Frente Parlamentar; participar ativamente, junto com a sociedade civil, dos planos estaduais de Agroecologia; fortalecimento do relacionamento com o ambiente externo; articular com o governo, por meio da CIAPO, para criar estratégias e ações conjuntas para a implementação do PLANAPO; abrir mão do protagonismo e atuar em redes em processos de desenvolvimento local e territorial.

Falas do debate

O debate envolveu falas diversas, algumas delas apontando para a importância de se considerar o atual contexto político do país e a necessidade em discutir questões para além do ambiente interno da Embrapa, no sentido de criar maiores articulações com os movimentos sociais, entidades e grupos de Agroecologia. O momento político foi trazido como força motriz para essa articulação maior "interna-externa" de forma a ampliar o debate e não restringí-lo ao marco referencial.  Como resultado, sugestões foram feitas no sentido de incentivar a realização de um seminário/encontro que articulasse a sociedade civil para ajudar a construir estratégias para a atuação da empresa, considerando suas demandas, bem como para tirar os elementos para atualizar o marco referencial.

Após breve debate entre participantes, novas demandas surgiram e o grupo deliberou uma alteração na metodologia, preferindo aprofundar o debate sobre as estratégias e ações no ambiente institucional e, em relação à sua mobilização com a sociedade civil e o governo.

Como resultado do debate do grupo, as ações institucionais propostas foram:

-Levantamento de ações relacionadas à agroecologia e produção orgânica já inseridas nas agendas de prioridades das Unidades Descentralizadas da Embrapa para identificar quais unidades precisam inserir esta temática na agenda da empresa.

-Elaboração de carta à Diretoria-Executiva da Embrapa, reforçando a importância da implementação das seguintes estratégias:

a)Incluir temas relacionados à agroecologia e produção orgânica nas agendas de prioridades das Unidades Descentralizadas da Embrapa (Com base no levantamento proposto no item 1);

b)Implementar novos Núcleos Temáticos de Agroecologia e Produção Orgânica nas Unidades Descentralizadas da Embrapa e fortalecer os já existentes;

c)Fortalecer as equipes que atuam junto ao tema agroecologia e produção orgânica nas Unidades Descentralizadas da Embrapa;

d)Implantar e/ou fortalecer espaços de referência tecnológica em agroecologia e produção orgânica em Unidades Descentralizadas da Embrapa, criando áreas demonstrativas de apoio à pesquisa, ensino e extensão.

Em relação às ações para ampliar a mobilização da empresa com sociedade civil e governo foram apresentadas as seguintes propostas:

-Ações para articulação com Movimentos Sociais e Governo Articulação com os diferentes movimentos (FETRAF, VIA CAMPESINA, MST, CONTAG, ANA) para promover  a Agroecologia na Embrapa.

-Realização de encontro entre representantes das Unidades da Embrapa, Sociedade Civil e Governo para identificar as demandas de P&D, intercâmbio e socialização de conhecimentos, realizar um balanço da Agroecologia na Embrapa e reestruturar a composição do Fórum Nacional de Agroecologia. O Fórum deve avançar para fortalecer a articulação nacional e local da Embrapa com a sociedade civil.

-Ampliar as ações com os núcleos de agroecologia. Neste sentido, é importante uma ação que evidencie os resultados dos núcleos da Embrapa, dos núcleos das Universidades e das redes de núcleos para identificar as possiblidades de ampliação da participação da empresa nos núcleos existentes.

-Ampliação da participação da Embrapa nos projetos da Rede Ecoforte.

-Atuação mais direta com a Frente Parlamentar Federal, bem como com as Frentes Estaduais, quando houver.

-Mapear as unidades que não apresentam representantes da sociedade civil no CAIS, buscando ampliar a participação desses representantes nas instâncias de decisão da empresa.

Foto da atividade:

AT45
AT45

Notíciashttps://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/27311907/oficina-discute-marco-referencial-de-agroecologia-na-embrapa

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Publicado por

Luisa_correa

Sou Luisa, economista e mestra pelo Programa de Pós Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural (FUP - UnB Planaltina), onde trabalhei com Segurança Alimentar e abastecimento.

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