#AT85 – Agroecologia, saúde e alimentação

Agroecología, salud y alimentación

Dia 14 | 14h00 – 17h00 | AUDITÓRIO IPÊ AMARELO | #Agroecologia2017

Responsável(is): Bela Gil (chef de cozinha); Bel Coelho (chef de cozinha); Neide Rigo (nutricionista); Clara Brandão (nutróloga); Coordenadora: Mariane Vidal (Embrapa Hortaliças)

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#AoVivo Mesa Agroecologia, Saúde e Alimentação, composta por cinco mulheres incríveis: Bela Gil, Bel Coelho, Neide Aparecida dos Santos Rigo, Clara Brandão e Mariane Vidal. ACOMPANHE!VI Congresso Latino-Americano de Agroecologia, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

Posted by Mídia Ninja on Thursday, September 14, 2017

Vídeo1: Bela Gil. Fonte: Mídia Ninja

#AoVivo Mesa Agroecologia, Saúde e Alimentação, composta por cinco mulheres incríveis: Bela Gil, Bel Coelho, Neide Aparecida dos Santos Rigo, Clara Brandão e Mariane Vidal. ACOMPANHE!VI Congresso Latino-Americano de Agroecologia, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

Posted by Mídia Ninja on Thursday, September 14, 2017

Vídeo 2: Bel Coelho, Clara Brandão, Neide Rigo. Fonte: Mídia Ninja

Relato:  Este texto é resultado da compilação do relato elaborado pelos voluntários Diego Blum e Domênica Rodrigues dos Santos Silva com a matéria original da jornalista da Embrapa Irene Santana.  

Bela Gil

A apresentadora de TV e chef de cozinha natural Bela Gil entende que uma alimentação saudável “É o que faz bem para o nosso corpo físico, mental e espiritual e respeita a natureza, o meio ambiente e valoriza o trabalho daqueles que colocam a comida no nosso prato”. Ela também compreende a alimentação como ato político, desde que se tenha a opção de escolher o que comer.

Bela afirma que só a agroecologia, com sua visão de mundo mais ético, justo, sustentável, pode colocar comida no prato de todo mundo. “Mas só com o apoio da sociedade civil, com uma boa educação no campo e com repartição de terra. Ou seja, a gente precisa de reforma agrária já” defende Bela, ovacionada pelo público. Ela fundamentou sua fala em informações publicadas pelo relatório da FAO/ONU no início de 2017. 

A apresentadora reforça que enquanto poucos estiverem controlando a produção e a distribuição de alimentos no mundo, haverá fome no mundo. “Fome não é um problema técnico, mas político”, enfatiza. Diz que seus oponentes são a bancada ruralista, os oligopólios das empresas de venenos e sementes transgênicas e a publicidade abusiva “que induz uma sociedade de consumo achar normal comprar alimentos danosos à saúde”.

Bela Gil recomenda evitar alimentos ultraprocessados, que, em sua maioria, são provenientes de monoculturas de soja, milho, trigo.  “Eliminando estes produtos da dieta, deixamos de causar impacto negativo no meio ambiente”. Além disso, esclarece que esses alimentos são a base da dieta monótona atual (de baixa diversidade de alimentos), que causa problemas na saúde.

Ela relaciona a diversidade no prato à diversidade no campo, que por sua vez ajuda na biodiversidade do Planeta. “Precisamos pensar no que a gente coloca no nosso prato, o que escolhemos hoje define o futuro da humanidade”.


Bel Coelho

É muito parecido o que pensa a chef de cozinha Bel Coelho, dona dos premiados restaurantes Dui (fechado em 2013) e Clandestino, ambos expoentes da cozinha criativa brasileira. “Gosto de buscar a origem dos produtos que sirvo, quem são as pessoas por trás dos alimentos”, afirma. Bel disse que a sua luta tem sido incentivar as pessoas a consumirem coisas nativas e a diversificarem a dieta. Ela lembrou que 75% do que comemos vem da agricultura familiar.

 “A solução está no campo. Não é tão difícil, basta ter vontade política que ela pode acontecer. Transformar o agricultor familiar no mais próximo possível da produção orgânica é mais fácil do que convencer os grandes monocultores, que não nos dão alimento, mas ração”, afirmou Bel Coelho. “Quero lutar para que o Brasil não seja só um país de commodities. Temos que começar a beneficiar os nossos produtos, vender não só o café e o cacau, mas o chocolate com uma característica brasileira, tropical”, afirmou, ovacionada pelo público.


Clara Brandão

Para a nutróloga Clara Brandão, criadora da famosa multimistura (uma farinha composta por farelo de arroz, pó de folhas verdes, sementes e casca de ovo, responsável pela recuperação nutricional de inúmeras crianças em todas as regiões do País) a má alimentação pode afetar o cérebro tanto quanto as drogas. “O maior problema não é a falta de alimento, é a falta de qualidade, a chamada fome oculta”, afirmou a médica.

Dra. Clara alerta que o processo de desnutrição, principalmente entre jovens e crianças, acontece devido ao alto consumo de alimentos industrializados, nos últimos vinte anos. Ela citou algumas das principais deficiências nutricionais dos brasileiros, como a de vitaminas do complexo B e cálcio, e falou dos benefícios da multimistura na complementação alimentar. A nutróloga também relacionou a violência à má alimentação, capaz de, segundo ela, causar mudanças no comportamento e no aprendizado. “Não adianta colocar polícia na rua, temos é que melhorar a alimentação do planeta (...) a alimentação saudável preserva o patrimônio genético”, disse.

A médica defende a alimentação inteligente, simples e acessível, a partir de produtos locais baratos e abundantes. Deu ainda alguns exemplos práticos de como obter mais nutrientes dos alimentos, tais como: moer folha de mandioca, pois multiplica por cinco a concentração dos nutrientes; consumir physalis todos os dias para não desenvolver catarata - os índios a usam para o fígado; comer um ramo de coentro ou cebolinha no almoço e no jantar e consumir os matos comestíveis.

 
Neide Rigo

Autora do blog Come-se e colunista do caderno O Paladar do Estadão, a nutricionista Neide Rigo iniciou a sua fala afirmando que há muitos remédios escondidos nas plantas, mas muitas pessoas ainda preferem ir até a farmácia atrás das drogas. Nascida na periferia de São Paulo, Rigo disse que sempre carregou consigo o ser rural e agrícola que ela acredita que todos são. “Eu acredito que a gente nasce sabendo plantar e cozinhar. Mas tudo isso é tolhido desde a infância”.

Contrária à indústria alimentícia, ela encontrou no blog “Come-se” uma maneira de retomar o que fazia desde criança que é descobrir tudo o que existe para se comer. “O blog serve para mostrar um pouquinho o que existe no Brasil, o que as pessoas comem, resgatar um pouco da cultura alimentar e ao mesmo tempo mostrar o que a gente tem de comer por perto”, disse.

Neide Rigo lembrou que 90% do que se come hoje vem apenas de 20 espécies alimentícias, ao passo que existem pelo menos 12.500 espécies catalogadas e estima-se que 30 mil estejam esquecidas, entre espécies nativas e exóticas. “Há várias plantas sendo negligenciadas e cortadas da alimentação. Por isso eu acho muito válido a gente ter conhecimento de outras culturas quando se trata de fazer um melhor aproveitamento do que já está aqui no Brasil”, afirmou.

Assim como Bela Gil, defendeu a reforma agrária, outra lógica de produção de alimentos e o fortalecimento das empresas familiares. Ressaltou a importância das pessoas se informarem e deu como exemplo a moda dos superalimentos:  “será que a gente realmente precisa desses alimentos? Não há alimentos similares? O próprio cerrado tem uma biodiversidade incrível que a gente não conhece como óleo de licuri, babaçu...”

Foi ovacionada quando citou a sua experiência de colocar terra, de um terreno qualquer, num vaso e regá-lo diariamente: “Num vasinho onde nada foi plantado nasceram quatro espécies de alimentos e outra de medicamento”.  Para reforçar a importância do conhecimento para ter acesso à uma alimentação mais diversificada e barata, recomendou a leitura do livro Plantas alimentícias não convencionais (PANC) no Brasil: guia de identificação, de Valdely Ferreira Kinupp, Harri Lorenzi


Perguntas da plateia

“Como trabalhar nesse limite entre resgate e apropriação cultural dos alimentos?

Bel Coelho afirma que a apropriação de receitas de outras regiões sempre aconteceu e que isso é possível, desde que se mantenha o respeito e o espaço de fala das pessoas que detém aquela tradição. Bela Gil é enfática: “Comida não tem propriedade e não pode ter. Não se pode apropriar e patentear pois a natureza não tem dono”. Neide Rigo diz que é necessário dar crédito e enfatizou que inspiração não é apropriação.


Como vocês enxergam a problemática do consumo da carne e seus efeitos no corpo humano?

Neide Rigo, nutricionista, onívora, diz que não precisamos de carne, mas sim do aporte de alguma proteína animal, inclusive pelo consumo de insetos. Disse que fermentados como o kombucha, e microorganismos lactofermentados oferecem a vitamina B12. “Quem quiser ser vegano tudo bem, quem quiser carne também tudo bem”, defende. Já a nutróloga Clara Brandão é enfática: “ não há necessidade de proteína de origem animal...em 1986 isso foi reforçado pela Organização Mundial de Saúde. Dra Clara afirma a importância de saber que cada parte da planta tem valor nutricional diferente. “Por exemplo, o coentro: raiz, caule, folha, tudo se consome”, esclarece. Bel Coelho, também onívora, recomenda o consumo mais consciente da carne. Diz que o consumo de cortes de segunda e outras partes (rabo, pé) contribui para o aproveitamento total do animal e a consequente redução de números de animais abatidos. A forma de consumir carne, como carne moída, em caldos, pós também ajuda a redução do consumo afirma Bel. Ela recomenda evitar grandes marcas e não incentivar a produção de forma nociva para o meio ambiente e ao animal. Bela Gil, onívora, é categórica quanto à necessidade de diminuição do consumo de carne. “A maneira que produzimos carne e o consumo são completamente insustentáveis. Comemos mais carne do que precisamos. Acho que parar de comer carne é um grande ato”. Foi ovacionada quando lembrou que São Paulo teve grave crise hídrica porque no cerrado se cortou árvores com raízes profundas para plantar soja para alimentar o gado.  Sobre o consumo de leite, defende que o da vaca é um alimento, mas não o que leite industrializado.


Opinião sobre vegetais biofortificados enriquecidos com microelementos como zinco.

Bel Coelho e Bela Gil acreditam a natureza é superior aos industrializados e por isso procuram uma dieta natural variada para ter acesso aos micronutrientes...Clara Brandão diz que, no Maranhão, a Monsanto está dando aos agricultores sementes de arroz dourado modificado para ter mais vitamina A, mas afirma que pequi, buriti e outros alimentos naturais  contém muito mais vitamina A que o arroz dourado “e não precisa tirar o agricultor da cultura tradicional para um transgênico”.


Relação do açúcar e dos agrotóxicos com câncer.

Bela Gil afirma os maiores indutores do câncer são os açúcares e os agrotóxicos. “Milhões de estudos mostram relação direta dos agrotóxicos e do açúcar com o câncer” constata Bel Coelho.


Como incentivar produtos agroecológicos na cosmética natural?

Bela Gil diz que faz muita coisa em casa, como desodorante e pasta de dente. Usa urucum como blush e batom, entre outros. “Precisamos nos perguntar e sair um pouco da caixa”, provoca.


Como incentivar o consumo de produtos regionais? Alguns inclusive estão em risco por não estarem sendo ofertados no mercado. Como proteger?

Bela Gil afirma que procura divulgar isso. “Fico muito feliz de fazer com que as pessoas voltem a ouvir falar de araruta, de jatobá”. Incentiva a procura pelos centros de distribuição de produtos regionais e outros pontos não convencionais.


Como cultivar nas crianças o gosto pela alimentação natural?

Bela Gil defende a inclusão de educação alimentar, gastronomia e alfabetização botânica nas escolas. “Todos deveriam achar bom as crianças consumirem vegetais” afirma, reforçando a mudança de comportamento cultural da sociedade. “Empoderar a criança”, responde Bel Coelho, que levou seu filho para a cozinha e a horta da sua casa. Foi ovacionada pelo público ao contar que matriculou seu filho na escola pública para militar sobre essa questão.

Notíciashttps://www.facebook.com/agroecologiadf/posts/853130448186004

Facilitação gráfica

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Publicado por

Soraia

Pessoa criativa

One thought on “#AT85 – Agroecologia, saúde e alimentação”

  1. “A palestra foi fantástica. Destaco as informações explanadas pela Clara Brandão (nutróloga) que me proporcionou entusiasmo, me repassou o conhecimento de alimentação inteligente, citando a produção de mandioca e o desperdício da folha, a qual é muito rica em nutrientes. Tal informação me incentiva a criar um projeto de capacitação com os agricultores dos assentamentos do DF, os quais produzem bastante mandioca. Sou gerente de implantação e desenvolvimento de assentamentos e tento contato direto com agricultores familiares. Foi muito rica toda a palestra e repassarei todo o conhecimento para auxiliar de todas as formas – qualidade, renda, e produção sustentável – para os assentados do DF”

    Gleide Célia da Silva
    SEAGRI – DF
    Brasília

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