#AT95 – Novas Biotecnologias II: riscos e ameaças

Nuevas Biotecnologías II: riesgos y amenazas

Dia 14 | 14h00 – 17h00 | GUEROBA | #Agroecologia2017

Responsável(is): Javier Albea (UCCSNAL – Argentina); Mohamed Habib (Unicamp); Georgina Catacora (SOCLA – Bolivia); Coordenador: Leonardo Melgarejo (ABA)

Arquivo: Apresentação Javier Albea

Relato:

Relatores: Valber Matos e Juliana Napolitano

O coordenador da atividade, Leonardo Melgarejo, abriu a mesa apresentando os palestrantes e saudando a todos.

Javier Albea (UCCSNAL – Argentina)

Javier vem estudando o impacto das novas biotecnologias na saúde da população. Para demonstrar um pouco dos resultados encontrados, mostrou o mapa da soja na Argentina, onde se pratica a fumegação de agrotóxicos.

Ele observa que o mapa da soja sobrepõe o mapa das localidades com maior incidência de câncer na Argentina.

O trabalho que ele e seu grupo de pesquisa desenvolvem na faculdade de Rosário consiste em pesquisar, em cidades de até 160mil habitantes, a situação da saúde da população. Nesses estudos puderam constatar que os dados de incidência de câncer na população, agrupados por período, demonstram o aumento no número de casos de diagnóstico, principalmente no período atual. As evidências demonstram que há fortes correlações temporais entre o uso de glifosato nas culturas e a incidência de câncer.

Outro estudo feito pelo grupo foi um levantamento dos tipos e quantidades de fármacos mais consumidos nas localidades com alto uso de agrotóxicos. O resulta apontou que nessas localidades os medicamentos mais utilizados são os de controle de pressão (anti-hipertensivos), os medicamentos para terapêutica da tireoide e ansiolíticos. Essa informação aponta que podem haver correlações entre o uso de agrotóxicos e a depressão e outras doenças ligadas à produção de hormônios.

Nos estudos realizados nas escolas primárias, onde foi medido o índice de massa corporal das crianças, observou-se uma tendência ao sobrepeso (38% das crianças). Informou que pesquisadores do EUA fizeram um estudo onde associaram a exposição à atrazina e a triazina ao aumento do índice de massa corporal. Pesquisas adicionais são necessárias para identificar se isso o sobrepeso está de fato relacionado ao uso dessas substâncias.

Ele afirma que estão surgindo novas biotecnologias, e que uma vez que as tecnologias ficam obsoletas ao mercado, o mesmo mercado busca alternativas para nos conquistar com novas tecnologias

Outro ponto apresentado foi relativo à nanotecnologia. O termo nanotoxicodinamica - a interação de nanopartículas com sistemas biológicos - surgiu em 2011. As nanopartículas podem produzir inflação e apoptose (morte celular) e também alterar a expressão gênica. A interação pode ocorrer pela pele, inalação e ingestão. Um dos usos das nanotecnologias é a fabricação de cosméticos. Já neste momento estamos em contato com a nanotecnologia e não há pesquisas sobre os efeitos que podem causar aos seres humanos e sobre a toxicologia dessas substâncias. O fígado, pulmões e rins são possíveis alvos de acumulação, assim como o sistema imunológico. É necessário regulamentar o uso dessas tecnologias, assim como foi feito para os transgênicos, para que as mesmas só sejam liberadas após se investigar os potenciais perigos para a saúde.
 Outra biotecnologia citada foi o CRISPR/Cas9 (ácido produzido desde a infância). O uso dessa tecnologia pode criar grandes problemas éticos se for usado para propósitos errados. O palestrante destacou alguns discursos de acadêmicos que se ausentam da responsabilidade moral e ética pela criação de novas tecnologias: "Os cientistas entendem que a regulamentação pode ser necessária, mas os esforços em pesquisa e financiamento precisam continuar".

Por fim, concluiu que estamos enfrentando uma revolução industrial que tem como característica a fusão entre tecnologias e a interação entre os domínios físico, digital e biológico. Para enfrentar isso temos que começar a trabalhar em redes. “Somos poucos, porém unidos somos mais fortes”.

Georgina Catacora (SOCLA – Bolivia)

Sua apresentação consistiu em apresentar alguns dados sobre o que temos disponível em conhecimento sobre biossegurança de OGM nos processos de tomada de decisão. Esse processo de coletar informação, conversar com as pessoas e buscar dados empíricos é fundamental para compreender os processos de tomada de decisão.

Para iniciar sua fala citou uma comparação feita por ela de como o agronegócio se estabeleceu em dois contextos sócio-ecológicos muito diferentes, a região de Santa Cruz, na Bolívia e Campos Novos, em Santa Ctarina, no Brasil. Ao comparar constatou que em ambas as situações, com contextos ecológicos tão diferentes, utilizam o mesmo pacote tecnológico, sem nenhuma adaptação. Isso é resultado de uma simplificação das ciências, fruto de uma separação da Natureza-Sociedade feita por meio de uma ciência reducionista, com desenhos tecnológicos estreitos.  Na visão reducionista da ciência, a tecnologia é suficiente para resolver problemas complexos, o que faz com que se utilize a mesma estratégia para se resolver o mesmo problema ao longo do tempo.

Num estudo sobre incremento no uso de glifosato para a soja OGM, que desenvolvida para reduzir a aplicação de glifosato, demonstrou que o uso desse produto tem aumentado.

Num trabalho de revisão de 1200 artigos científicos sobre o uso de transgênicos, pode constatar que todos os processos de tomada de decisão referentes sobre essa tecnologia não tem informações suficientes que apontem para sua liberação. Nesse levantamento identificou que 19% dos estudos não diz a que cultivo se trata,  21% não indica qual característica foi modificada, 31% não esclarecem em que país foi feita a investigação, 10% não dizem que grupo populacional foi estudado.  Esses artigos, que concluem que os OGMs não causam impacto, apresentados em revistas cientificas indexadas, tem falhas em seus desenhos.  Muitos estudos não apresentam qual foi o comparador utilizado. Há uma manipulação metodológica.  Isso faz com que cheguem a conclusão que os OGMs não causam problemas. Não são feitos estudos comparativos com sistemas de produção orgânicos ou agroecológicos.

Por fim conclui que o conhecimento utilizado nos processo de tomada de decisões em aspectos socioecológicos sobre a biossegurança dos OGMs são imprecisos e incompletos; imbuídos de uma lógica de economia industrial. Existe pouca informação empírica sobre os  impactos socioeconômicos dos OGMs, assim como não existem evidências sobre seus efeitos.

Foto da atividade:

Facilitação Gráfica

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Publicado por

junapolitano

Engenheira agrônoma, assessora técnica do Instituto Sociedade, População e Natureza no apoio a projetos ecossociais.

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