#AT79 – Agroecologia em Cuba: avanços e desafios

Agroecología en Cuba: avances y retos

Dia 14 | 10h00 – 12h00 | PACARI  | #Agroecologia2017

Responsável(is): Luis Vazquez Moreno (Instituto de Investigaciones de Sanidad Vegetal – Cuba); Fernado Funes (Estacion Indio Hatuey – Cuba); Leidy Casimiro (Estacion Indio Hatuey – Cuba); Coordenador: Miguel Altieri (SOCLA)

Relato:

“Cuba é um farol da Agroecologia”. A frase foi repetida durante as palestras diversas vezes, não só pelos cubanos, mas também por brasileiros e outros latino-americanos que estiveram presentes na plenária. Ela se refere ao sucesso cubano na área, tendo em vista que 85% da produção agrícola do país já é agroecológica. As falas demonstraram os avanços tecnológicos cubanos na produção de alimentos orgânicos.

O moderador Miguel Altieri, do SOCLA (Sociedad Científica Latinoamericana de Agroecología), deu início às falas lamentando a ausência de alguns dos palestrantes, devido ao furacão Irma, que passou por Cuba causando enorme destruição. Miguel lembrou que a catástrofe é fruto do modelo de consumo descabido dos países centrais do capitalismo, causador das mudanças climáticas que afetam o planeta. Segundo Miguel, quem paga o preço pelos excessos dos países ricos são os pobres.

A pesquisadora Janet Alfonso-Simonetti realizou uma apresentação breve do conteúdo do livro “Avances de la Agroecologia em Cuba”, que seria lançado no congresso por um dos palestrantes que não pôde vir. O livro é uma compilação de 70 autores, entre pesquisadores e campesinos, um por capítulo.

Passando a sua própria apresentação, Janet ressaltou que a produção agrícola cubana deixou de ser predominantemente estatal nas últimas décadas, indo de 18,5% de produtores individuais para 51%. A pesquisadora criticou a devastação dos ambientes causada pela monocultura. O problema criou, também, uma crise na biodiversidade local e mundial. Um dos principais fatores para tal devastação é a contaminação do solo por químicos. 

Janet falou à plenária sobre o Programa Nacional de Lucha Biológica, criado em 1988 e fortalecido nos anos 2000. O programa estabelece princípios da política ambiental do país, além de um sistema de controle de qualidade da produção e assessoria a agricultores, visando à melhora do manejo e preservação.

A pesquisadora contou como pragas foram controladas a partir do desenvolvimento de tecnologias na área da biologia, inserindo-se micro-organismos não patológicos para humanos nas plantações. Tal prática promove a autonomia do controle biológico pelos próprios agricultores. Outro aspecto interessante para o fortalecimento do cultivo de orgânicos cubano foi a implementação de agrossistemas mais complexos. A biodiversidade equilibra o meio e também contribui para o controle das pragas.

Janet encerrou sua apresentação com uma foto de um mercado de orgânicos cubano, mostrando o orgulho do que está sendo feito em seu país. 

Reinaldo Demesio Aleman Pérez, pesquisador da Universidad Estatal Amazónica, explicou aos presentes que com o fim da URSS, deixou de entrar em Cuba uma série de insumos que possibilitavam o modelo anterior de monocultura de cana de açúcar, o principal produto para exportação do país.

A partir desse momento, a agricultura da ilha caribenha teve que se reinventar. Isso se deu de tal forma que, hoje, a Agroecologia chegou ao patamar dos 85% da produção. 

Margarita Fernandes, do Vermont Caribbean Institute, começou sua palestra com um lamento. Margarita lembrou o furacão que devastou Cuba, “o país está vivendo uma situação muito difícil”. A pesquisadora expressou solidariedade com o povo cubano e foi recebida com muitos aplausos pela plateia.

Margarita salientou que a retomada de relações diplomáticas com os EUA, assinada por Obama e Raul Castro, resultou em um princípio de mudanças que podem vir a ser positivas e negativas para Cuba. Um dos desenvolvimentos do acordo foi a criação da USACC, iniciativa formada por grandes empresas multinacionais como a Monsanto, com a intenção de reestabelecerem o comércio e entrarem no mercado cubano. Tal possibilidade incorre no risco de um grande dumping (queda de preços proposital), visando acabar com a competitividade dos produtores locais, para o domínio do mercado no país.

Em contraponto, formou-se o CUBA-US Agroecology Network, de “gente que pensa em uma agricultura diferente”. A rede tem como objetivo a troca de conhecimentos entre pesquisadores, camponeses e estudantes dos dois países. Uma das propostas é que estudantes americanos possam ir até Cuba para aprender Agroecologia. “Queremos levantar a voz dos cubanos fora de Cuba.”

Segundo a pesquisadora, Cuba viveu um tsunami de americanos depois do acordo. Muitos deles políticos e representantes de empresas que procuravam mercado. Além do risco das grandes empresas norte-americanas, há um interesse americano em importar produtos orgânicos de Cuba. “A monocultura de orgânicos pode afetar a produção de agroecológicos em Cuba”, ressaltou.

Para Peter Rosset, o elemento mais importante para o sucesso de Cuba foi como transferir o método agroecológico de camponês a camponês, “fazemos muito intercâmbio de conhecimento de maneira horizontal”. Para tanto, foi criada uma plataforma online, a “Escola Camponesa Multimedia”, um curso completo da metodologia agroecológica. 

O pesquisador apresentou um vídeo introdutório do programa: no vídeo, uma das pesquisadoras do projeto conta que, em 1997, se inicia um projeto de agroecologia em Cuba. Em 2001, há um encontro no qual se decide transformar o projeto em um movimento massivo.

A partir daí, definem-se alguns pontos centrais para o programa: “Começar fácil e pequeno; limitar a introdução de tecnologia; experimentar primeiro em pequena escala; conseguir êxito rápido; conseguir um sucesso multiplicador.”

Depois disso, o intercâmbio de informações entre os camponeses foi fundamental. “Se a metodologia fornece uma solução ao produtor, ele a transmitirá a todos que passarem por ele.” Foram realizados, então, encontros com produtores para levantar dados sobre as práticas ecológicas que realizam. Passou-se, também, a categorizar as propriedades em três níveis de Agroecologia, para estimular as famílias a buscarem o nível mais sustentável.

Depois de um breve vídeo apresentado para contextualizar a transição para o sistema agroecológico de produção em Cuba, a moderação abriu espaço para as perguntas do público. Respondendo sobre a questão de gênero na Agroecologia, Peter comentou: “há um tipo de violência de gênero que acontece porque é socialmente aceitável”. O professor lembrou, ainda, iniciativas para a conscientização sobre o tema em Cuba.

Levantou-se, também, a questão do analfabetismo funcional de grande parte dos camponeses brasileiros como impedimento para a transmissão de conhecimento a ser realizada inspirada no modelo cubano. A ideia foi rechaçada com a lembrança de que a transmissão “campesino a campesino” acontecia, antes de Cuba institucionalizá-la, em países com problemas similares de educação no meio rural, como Guatemala e Honduras, e de que há outros meios para a transmissão de conhecimento que podem ser igualmente bem-sucedidos.

 

 

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#AT37 – Exposição de experiências: visualizando os contextos das agriculturas urbanas no Brasil

Exposición de experiencias: los contextos de las agriculturas urbanas en Brasil

Dia 13 | 10h00 – 12h00 | BARBATIMÃO | #Agroecologia2017

Responsável(is): Janaina Santos (São Paulo); Lorena Anahi (Rede BH); Rafael Nunes (AAZL); Renata Souto (Rede Carioca de Agricultura Urbana); Renato Rocha de Lima (Jardim Angeles); Coordenador: Igor Aveline (Projeto Re-Ação – Brasília)

Arquivos: Vídeo Hortas Pedagógicas

Relato:

Igor Aveline, do Projeto Re-Ação, moderador da atividade, deu início à discussão com um texto poético sobre a situação atual do Brasil, expondo o golpe parlamentar e a dura opressão imposta pelo modelo desenvolvimentista e corporativista atual. A atividade aconteceu na forma da dinâmica “aquário”: os cinco palestrantes se colocaram no meio da roda de pessoas e começaram o debate.

Renata Souto, da Rede Carioca de Agricultura Urbana, comentou a situação da agricultura na capital fluminense. Segundo a pesquisadora, até os anos 80, a maior parte dos alimentos consumidos na cidade do Rio de Janeiro era produzida dentro do município. Ela afirma que não há políticas públicas suficientes que vislumbrem os pequenos agricultores e remanescentes de povos tradicionais no RJ. “A especulação imobiliária vem passando por cima desses grupos”.

A agricultura urbana aparece, hoje, como um ato de resistência, especialmente para jovens e mulheres. A Rede Carioca de Agricultura urbana se dá a partir de um grupo de mulheres, que organiza diversas ações na cidade.

Tendo em vista uma situação na qual a juventude, principalmente a negra, marginalizada, é assassinada diariamente na cidade, Renata salienta que “a Agroecologia surge como forma de reagir a essa situação, que engloba também a luta pela moradia”. A palestrante apresentou um cartaz, mapeando as ações de agricultura urbana no Rio e explicitou o momento grave que vivemos. Como contraponto, falou também sobre as diversas iniciativas positivas que proliferam pela cidade.

Renato Rocha de Lima, do Jardim Angeles, relatou experiências com agricultura urbana na cidade de São Paulo, em especial, nas áreas periféricas. Logo depois, falou sobre os agricultores na região do Jardim Ângela, um dos lugares mais violentos do país, e da tentativa de aproximar essa agricultura periférica do resto da população, de forma mais acessível. “A agricultura urbana tem o poder de aproximar as pessoas”, afirmou.

Karina Smania de Lorenzi, do CEPAGRO (Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo), falou um pouco sobre sua história com hortas escolares em Florianópolis. Com o apoio da prefeitura da cidade, o movimento chegou a 83 escolas. O trabalho se sustentava em alguns eixos fundamentais, como a compostagem, o ciclo dos alimentos e a alimentação saudável.

Segundo a pesquisadora, a iniciativa procurava envolver todos os trabalhadores das escolas, dos professores aos porteiros. Karina conta que os professores trabalhavam com a horta de forma interdisciplinar, aproveitando questões de geografia, português, artes etc.

Janaína Santos comentou as iniciativas da AACC (Associação de Apoio às Comunidades do Campo do RN), com a reaplicação de tecnologias sociais de moradia no programa “Minha Casa, Minha Vida”. O objetivo do movimento é criar um laço comum entre as pessoas. Recentemente, seus organizadores entraram em contato com o CEPAGRO em uma colaboração para que ele mandasse profissionais ao RN, com a intenção de fazer a formação de pessoas e transmitir as tecnologias. “As mulheres locais conseguiram reconquistar sua autonomia em relação a adubos, a partir da compostagem”, contou.

Rafael Nunes, da AAZL (Associação de Agricultores da Zona Leste), um jovem agricultor do extremo leste de São Paulo, afirmou que a agricultura urbana “é uma batalha muito grande. Escolhem uma área sem utilidade nenhuma, repleta de entulho, e transformam-na em hortas”. Para o agricultor, há o desafio tornar a agricultura urbana rentável. Ao mesmo tempo, a iniciativa da qual ele faz parte - uma rede de hortas no leste de São Paulo, tenta incluir os jovens, através de estágios remunerados. Rafael reclama da falta de políticas públicas que tratem do assunto. “Precisamos de mais formações de agricultura urbana.”. Segundo ele, a maioria das hortas é tocada pela agricultura familiar e a adubação verde tem sido muito importante para esse desenvolvimento.

Depois das falas, o resto dos presentes foi convidado a participar da discussão, se colocando em uma das cadeiras no centro do círculo, para tanto.

Foto da atividade:

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#AT4 – Conferência de Abertura – Agroecologia na Transformação dos Sistemas Agroalimentares na América Latina: Memórias, Saberes e Caminhos para o Bem Viver

Conferencia Magistral – Agroecología en la Transformación de los Sistemas Agroalimentarios en América Latina: Memorias, Saberes y Caminos para el Bien Vivir

Dia 12 | 10h30 – 11h30 | AUDITÓRIO IPÊ AMARELO | #Agroecologia2017

Responsável(is): Jan Douwe van der Ploeg (Wageningen University – Holanda); Dona Djé (Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu); Augustin Infante (CET-Chile); Coordenadora: Irene Cardoso (ABA)

Relato:

A Conferência de Abertura do CBA começou com a moderação de Irene Cardoso, presidente da ABA (Associação Brasileira de Agroecologia), que propôs um formato diferente: uma conferência compartilhada. A discussão teve como pauta experiências bem sucedidas da utilização da Agroecologia no mundo.

O primeiro conferencista, o engenheiro agrônomo Jan Vander Ploeg, do Europe Wageningen University, na Holanda, enfatizou o aspecto multidimensional da Agroecologia. Segundo o professor, ela se dá nas redes, em diversos estados, países, continentes, está em todos os lugares e é multifuncional.

Auxiliado por um infográfico projetado em um telão, Ploeg fez uma comparação entre a produção agrícola agroecológica e a “tradicional”. Demonstrou-se, então, que o caminho ecológico produz ligeiramente menos, mas multiplica em algumas vezes o valor agregado dos produtos, beneficiando os produtores menores.

Além disso, o professor defendeu uma maior autonomia dos campesinos, que, através da Agroecologia, podem “produzir, sem destruir”. Deve-se, portanto, propor um modelo mais equilibrado, que supra as necessidades dos campesinos, ao mesmo tempo que contemple as dos consumidores. “Fazer a terra produzir não é fácil.”, explica. Ploeg afirmou que a Agroecologia fornece os caminhos para tal modelo e, simultaneamente, para a luta contra os sistemas de produção em larga escala, das grandes corporações.

Graças à falta de regulação estatal - situação fortalecida recentemente, devido ao modelo político neoliberal que se alastrou nas últimas décadas -, grandes empresas do ramo alimentício proliferaram e se fortaleceram, engolindo e diminuindo o número de unidades produtoras e empregos no meio rural.

Para o professor, a resistência deve acontecer não só nas praças, mas também  em hábitos simples, diários. Ele usou como exemplo algumas fotos de agricultores: um homem holandês com as mãos na terra, negando-se a utilizar agrotóxicos para manter sua autonomia; um grupo de camponeses utilizando fertilizante orgânico; uma mulher preparando seu próprio queijo de suas cabras, em vez de transferir a matéria prima para a indústria; uma feira apenas com orgânicos. Segundo Ploeg, são todos “atos de rebeldia”.

O professor explica que os considera assim por serem atividades descentralizadas e, quando várias do tipo surgem, por serem assim, viram uma força muito grande. Além disso, são aplicações diretas de direitos civis: o direito à alimentação e à produção de alimentos.

Ploeg contou, ainda, sobre atividades agroecológicas bem sucedidas de camponeses na Holanda, exemplificando-a com fotos. O professor terminou sua fala com o que vem sendo o hino do congresso: “sem feminismo não há Agroecologia.” 

Dando continuidade ao debate, o chileno Agustín Infante Lira, engenheiro agrônomo e presidente da SOCLA Capitulo Chileno, relatou experiências com Agroecologia em seu país de origem, trazendo “reflexões a partir de suas viagens”. O agrônomo se questionou, junto ao público, “como massificar a agroecologia?”, “como fortalecer os camponeses”, “como descobrir um modelo para qualificá-los nos princípios da Agroecologia?”.

Agustín contou de sua experiência com pequenas comunidades de agricultores Mapuches no Chile, que sofrem com uma “devastação ambiental de séculos”, resistindo à seca, frio fora de época, vulcões, tufões e uma desconfiança com o meio político naturalizada. Foram apresentadas fotografias de um ambiente devastado pela monocultura de trigo durante três séculos. O povo local é pressionado pelo Estado, que quer entregar as terras às grandes empresas. Apesar disso, segundo um diagnóstico realizado, há agroecologia e cultivo de orgânicos, principalmente organizados por mulheres, e o consumo desses alimentos vem se fortalecendo.

O agrônomo mostrou uma feira de troca de sementes entre um grupo de mulheres chilenas, que, recentemente, tem contado com um maior envolvimento de homens. A partir dessa organização, um agrossistema foi restaurado no lugar. A biodiversidade voltou, a produção aumentou e o manejo melhorou.

Agustín explicou, ainda, que as instituições que trabalham com essas iniciativas precisam de uma maior independência financeira e que isso vem acontecendo pouco a pouco. A fala foi encerrada com mais uma reflexão: “talvez possamos começar a mudar o mundo agora”.

A terceira conferencista, Dona Dijé, líder do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, começou sua fala trazendo a força de seus ancestrais para a plenária. Após agradecê-los e pedir licença, Zibé cumprimentou todos os povos tradicionais presentes e começou a contar um pouco da história do movimento de mulheres do qual faz parte. Segundo ela, a iniciativa surgiu por uma necessidade de luta das quebradeiras, que estavam começando a perder suas terras.

A agricultora contou que a tecnologia agroecológica já era usada por seus antepassados muito antes de ter esse nome. “Tudo veio da ancestralidade, do nosso povo, que já fazia Agroecologia, preservação.”. Para ela, o conhecimento acadêmico sobre o tema veio somar ao tradicional.

Zibé afirmou que cada membro do conselho carrega consigo uma afirmação: “Nós existimos. Somos um conselho de comunidades tradicionais.”. Segundo a agricultora, os direitos das quebradeiras estão sendo cortados, mas, mesmo assim, “conseguimos produzir para botar nas feiras, para dizer que nós também sabemos processar, sabemos fazer um produto de qualidade.”.

Uma frase poderosa fechou a conferência: “Sem terra, a gente não pode viver. Nossos mártires estão sendo assassinados por lutarem pela vida.”

Foto da atividade:

Notícias: 

https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/26841532/conferencia-de-abertura-do-congresso-de-agroecologia-destaca-experiencias-agroecologicas-para-o-bem-viver

http://agroecologia2017.com/pela-vida-na-terra-agroecologia-inicia-o-x-congresso-de-agroecologia-em-brasilia/

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#AT3 – Mesa de Abertura

Mesa de Apertura

Dia 12 | 9h30 – 10h30 | AUDITÓRIO IPÊ AMARELO | #Agroecologia2017

Abertura

Começa agora o Congresso Brasileiro e Latino-Americano de Agroecologia 2017.AO VIVO! www.agroecologia2017.com#Agroecologia2017Transmissão Ao Vivo: Coletivo Mídia Crioula

Posted by Agroecologia 2017 on Tuesday, September 12, 2017

Relato

Após uma apresentação inicial repleta de manifestações políticas, a Mesa de Abertura do CBA 2017 intensificou o sentimento ativista que permeava o salão. A mesa reuniu lideranças do movimento agroecológico da América Latina, com falas que trouxeram à tona, além do feminismo, um dos temas geradores do congresso, a defesa da causa campesina e de povos tradicionais e indígenas

Mariane Carvalho Vidal, presidente do Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA), iniciou os discursos agradecendo e saudando a todos os presentes.  A pesquisadora elogiou a comissão organizadora pelo trabalho desempenhado e comemorou o sucesso do evento, relatando os números expressivos de mais de 2.500 trabalhos inscritos e 200 filmes para apresentação. Mariana exaltou, ainda, o protagonismo das mulheres nas iniciativas Agroecologicas.

Clara Nicholls, presidente da SOCLA (Sociedad Científica Latinoamericana de Agroecología), lembrou o propósito comum de todos os participantes e realizadores do congresso: “fortalecer a Agroecologia na América Latina e continuar a luta por um mundo mais justo.”. Clara denunciou a ameaça do crescimento do poder político das multinacionais, que atuam em sentido contrário aos movimentos sociais, campesinos e indígenas.

Em seguida, Irene Maria Cardoso, presidente da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), assumiu o lugar ao microfone e começou seu discurso com um agradecimento aos estudantes que chegaram a Brasília de diversos estados para fazer o congresso. A homenagem foi recebida com aplausos e um coro que pedia “Fora, Temer!”. A agrônoma cumprimentou também as lideranças presentes, a comissão organizadora e, especialmente, os movimentos sociais que, para ela, “são os motores da Agroecologia”.

Irene expressou seu orgulho pela compreensão da plenária - em grande parte formada por jovens - de que a Agroecologia é o caminho para a transformação dos sistemas ambientais e completou: “a partir de agora este congresso é de vocês.”. Apesar de ressaltar o “momento triste” que o Brasil atravessa, lembrando os recentes ataques a quilombolas, indígenas e o “golpe em curso”, a professora reafirmou que a luta por uma agricultura sustentável continua. “Caminharemos para o bem viver com ou sem esse governo que nos oprime.”

Nívia Regina, representante do Movimento do Campo Unitário, descreveu a Agroecologia como parte da luta pela sociedade, incluindo nessa luta a agricultura familiar. Para ela, a causa agroecológica é em defesa da vida e passa por um processo de elevação de consciência da sociedade. “Não há como avançar na Agroecologia sem democracia”, afirmou, explicitando a ameaça atual sobre a autonomia do bem comum. “Lutar pela democracia é lutar contra a violência no campo”. A representante lembrou o papel estruturante das mulheres e do feminismo contra o modelo patriarcal da produção no campo e terminou sua fala com uma mensagem esperançosa: “Faz escuro, mas nós cantamos.”

Mariana Pontes, do REGA (Rede de Grupos de Agroecologia do Brasil), chamou atenção às posturas agroecológicas em um nível mais individual, pedindo “coerência entre prática e teoria”, que, segundo ela, pode ser um marco transformador de estruturas. Ela também colocou a reflexão para a mesa de abertura quanto à estrutura de mega eventos nos congressos e encontros da agroecologia. A pesquisadora concluiu sua fala com uma provocação: “Agroecologia para quem?” 

Rogério Neuwald, da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, lembrou os avanços que aconteceram para a Agroecologia no campo das políticas públicas e repetiu o provérbio: “Gente simples, fazendo coisas pequenas, em lugares pouco importantes, consegue coisas extraordinárias.”

O deputado federal Augusto Carvalho, da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, fechou a mesa saudando os pesquisadores brasileiros da EMBRAPA. Sob gritos de “golpista!” do público,  afirmou: “as ideologias são passageiras, o importante é reunir todos em um projeto de vida sustentável”. O deputado pediu ainda que o congresso se mobilizasse contra o despejo do CEDAC (Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Cerrado)

Foto da atividade:

Notícias: http://agroecologia2017.com/pela-vida-na-terra-agroecologia-inicia-o-x-congresso-de-agroecologia-em-brasilia/

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