#AT99 – Painel V – Educação em Agroecologia: Práticas e Saberes na perspectiva contra hegemônica

Panel V – Educación en Agroecología: Prácticas y Saberes en la perspectiva contra hegemónica

Dia 15 | 8h00 – 10h00 | AUDITÓRIO IPÊ AMARELO | #Agroecologia2017

Responsável(is): Luciana Jacob (ABA); Marcos Sorrentino (ESALQ/USP); Coordenadora: Virginia Aguiar (UFPE)

Arquivos:

Apresentação Marcos Sorrentino

Créditos vídeo: João Pedro Novaes

Relato:

A coordenadora da mesa, Maria Virginia de Almeida Aguiar (UFPE), abriu a atividade convidando os palestrantes a comporem a mesa e saudando a todos os presentes. Para iniciar o painel fez uma contextualização do estado da arte da Educação em Agroecologia.

Segundo Virginia, a pauta agroecológica está cada vez se ocupando do tema educação como uma questão essencial para a construção do conhecimento agroecológico. Destacou os núcleos de agroecologia que foram formados nas universidades e que têm atuado como espaços de expressão e diálogo nos territórios. Para demonstrar a importância atual do tema da educação em agroecologia, destacou que no primeiro CBA, realizado em Porto Alegre-RS em 2003, foram apresentados 9 trabalhos sobre educação e que neste congresso temos mais de 140 trabalhos apresentados na temática. No âmbito do grupo de trabalho sobre educação da ABA várias discussões importantes vêm acontecendo, como a questão curricular, as diferentes pedagogias utilizadas, os cursos de graduação e pós-graduação, as interfaces da educação no campo, entre outros. Após essa leitura de contexto, passou a palavra para a primeira palestrante.

Luciana Jacob (ABA)  (síntese da fala da palestrante)

A temática do painel é extremamente relevante nesse momento, onde as disputas políticas estão em evidência. Para que seja possível fazer uma discussão sobre o que seria uma educação não hegemônica, é necessário retomar os conceitos que estão sendo tratados, o que entendemos por hegemonia e contra hegemonia. Essa vigilância epistemológica é importante pois não podemos correr o risco de a narrativa ser esvaziada.

Para conceituar hegemonia a palestrante fez referência ao filósofo italiano, Gramsci, que conceitua o termo como:

“a total realidade da experiência social em um dado momento histórico que satura profundamente a consciência da sociedade. Assim, hegemonia, para Gramsci, em qualquer período e em qualquer sociedade é constituída por um sistema central de práticas, significados e valores que podem ser chamados de dominantes e eficazes. Trata-se, portanto, de todo um conjunto de práticas e expectativas, do investimento de nossas energias, da compreensão cotidiana que se tem do mundo” (Luciana Jacob)

Esses valores são dominantes e eficazes, pois nos faz pensar que não existem alternativas.  A hegemonia não esta só na política e na economia, ela está presente também nas nossas formas de conhecer o mundo. A hegemonia se mantém por duas forças: a da violência e a produção de consenso.  A produção de consenso é ideológica. E as escolas e universidades contribuem para a manutenção disso.

Partindo então desse conceito de hegemonia e olhando para o tema agricultura, o agronegócio no Brasil hoje se constitui como a única forma possível e qualificada de se fazer agricultura. O agronegócio, embora se demonstre moderno e refinado, é impregnado por elementos coloniais, como os latifúndios, a monocultura, a exportação de matéria prima, a violência contra os povos do campo, a liquidação do conhecimento pelo assassinato das pessoas e a produção extensiva e simplificada dos ecossistemas.

A Revolução Verde, que promoveu a modernização do campo num momento de ditadura militar no Brasil, se estabeleceu às custas da subtração dos modos de produção dos povos do campo e do desmatamento. O latifúndio é permeado por formas coloniais de produção e continua se reproduzindo com o apoio da bancada ruralista.

O golpe de 2016 reforça isso, pois foi um golpe patriarcal, machista e capitalista, para desarticular a sociedade e principalmente as populações do campo. Os golpistas não queriam que estivéssemos aqui hoje.

Nesse cenário, o que é então a contra hegemonia?

Gramsci aponta que onde há uma hegemonia, existem valores que não enquadram. Dentre esses que não se enquadram, existem dois grupos, um que questiona o paradigma, mas que contribui para a continuidade do sistema (a hegemonia aceita isso) e o outro grupo, que é aquele que busca desconstruir o paradigma dominante.

Considerando que não existe agroecologia num sistema patriarcal, machista e capitalista, é necessário desconstruir o paradigma dominante. A agroecologia conseguiu se desenhar dentro de um sistema hegemônico dominante graças à preservação do conhecimento tradicional pelas populações do campo e aos diálogos estabelecidos entre essas populações e o meio científico.

No Brasil, a gênese da agroecologia não partiu somente da apropriação científica dos conhecimentos tradicionais dos agricultores, mas também através de diálogos dos movimentos sociais, das escolas e universidades. A agroecologia ganha traços da ecologia de saberes de Boaventura de Sousa Santos, pois trata-se de um campo de confluência solidário.

E qual o papel então da educação em agroecologia?

A hegemonia é constituída por força e consenso. O consenso é conquistado através da mídia e também das instituições educadoras. Se a hegemonia é conquistada dentro das escolas, é aí que podemos construir a contra hegemonia.

Nas universidades o conceito de agroecologia está em constante disputa, pois nesses espaços se constroem ideias e projetos de mundo. Hoje o agronegócio domina as universidades.

Do ponto de vista epistemológico, a manutenção do paradigma do agronegócio se dá por meio das tecnologias geradas na academia e levada ao campo, no contato duvidoso das universidades com as empresas transnacionais, na formação das pessoas e na produção de conhecimento. Esse conhecimento produzido é divulgado tanto na mídia, quanto na produção científica.

Hoje as universidades respondem a duas questões: as questões colocadas pelo agronegócio e as questões que ela mesma formula, dentro dos muros da universidade. Os agricultores e as agricultoras familiares ficam à margem da construção das pesquisas.

E o que significa pensar a agroecologia na universidade?

Significa trazer as vozes que foram violentadas e silenciadas por todo esse tempo. É necessário resignificar a extensão universitária, reposicionar o papel da extensão, para ser o centro do processo. Essa é a única ferramenta capaz de levar o pesquisador fazer as perguntas fortes.

Atualmente existem nas universidades professores militantes, mas que se sentem solitários. Essa é outra forma de desmobilização causada pelo paradigma dominante, nos fazer sentirmos sós, alternativos, quando na realidade lidamos com mais de 70% da população do campo.

Os Núcleos de Agroecologia permitem que a sociedade entre na universidade. É aí que está a chave, onde viramos o jogo. Parar de produzir conhecimento para, para produzir com. Os núcleos vêm se consolidando como esse lócus. O movimento contra hegemônico precisa ser globalizado, precisa se articular com outros movimentos.

Para finalizar, utilizou uma frase de Paulo Freire, que diz: “O mundo não é, o mundo está sendo”.

Marcos Sorrentino (ESALQ/USP) (síntese da fala do palestrante)

Agradeço a presença de todos. Como já foram contextualizados os conceitos e a temática, vou direto para a sugestão de propor e dialogar sobre uma agenda de transição educadora agroecológica e ambientalista.

São 4 aspectos da agenda que precisam ser considerados: a rebelião, o ideário, a educação e a potência de ação.

Sobre a rebelião, essa reflexão surgiu nos corredores do congresso, face ao contexto político atual. Nossa luta política imediata é pelo fora Temer e fora todos os corruptos e corruptores. Esse grupo de políticos precisa sair. Precisamos de uma constituinte democrática e soberana, agenda construída por pessoas comprometidas com a transformação social e isto não é impossível.

Sobre as transformações sociais necessárias, Montesquieu diz que o espírito das leis, nas sociedades democráticas e populares, deve ser o da frugalidade, o da simplicidade voluntária. Precisamos de um compromisso com o bem comum. Sem isso não conseguimos fazer leis democráticas e populares. Então, como construímos uma estratégia de transição para isso?

Só vamos enfrentar o aquecimento do planeta Terra se diminuirmos o consumo de carne. E como falamos isso para a sociedade brasileira, que tem esse hábito arraigado em sua cultura?

Temos que levar os nossos filhos para a cozinha. Crianças precisam ir para a cozinha. Toda a mudança precisa ser acompanhada por transformações estruturais. Não tem como encarar o mercado da carne sem passar pela reforma agrária e pela reforma urbana. Temos uma situação vergonhosa de ter 850 milhões de hectares, dos quais 200 milhões estão destinados à pecuária. Com uma simples mudança de técnica poderíamos reduzir isso para 100 milhões de ha, com o simples piqueteamento de pasto. Precisamos buscar uma equidade no consumo, consumindo menos e fazendo uma produção mais racional. Temos sim que defender e lutar por reforma agrária e por reforma urbana. Não há possibilidade de transformação agroecológica com essa iniquidade.

Sobre o ideário, o movimento agroecológico precisa dialogar com outras agendas que estão aí há 40 anos. O socialismo libertário, o ambientalismo, o movimento LGBT existem desde a década de 60 e precisamos visitar e conhecer isso, para formar as alianças necessárias com esses movimentos chamados novos movimentos sociais.

A educação é outro ponto que precisa ser discutido. Não podemos simplificar a educação como sinônimo de escola. Em relação à educação escolar, precisamos ocupar as escolas públicas. Temos que ocupar o espaço público e obrigar deputados e senadores a colocarem seus filhos na escola pública. Se não conhecermos o sistema público, não temos como influenciar.

Ocupar os espaços públicos é fundamental, mas não suficiente. O território educador é todo o território que vivemos. O processo educador tem que ser permanente, articulado. A educação acontece não só na escola, mas também nas igrejas, sindicatos e outros espaços, buscando agendas educadoras integradas.

Os conselhos municipais de educação precisam assumir a responsabilidade da educação de todos os munícipes. Nesses conselhos se pensam só nas escolas públicas. Precisamos pensar numa agenda educadora para todo o município. Todos os conselhos são espaços que podem aglutinar os atores para a agenda educadora, tendo o município como espaço de educação para sociedades sustentáveis.

Por fim, a potência de ação é outro ponto de destaque. Não podemos deixar que o pessimismo do pensamento massacre o otimismo da ação. Não podemos deixar a confusão nos confundir.

A quantidade de informação negativa é tão grande, que dá vontade de jogar a toalha, mas esse momento exige assertividade.

DEBATE COM A PLENÁRIA

1 – Docente da Faculdade de Educação da Unicamp pergunta para  Marcos sobre a ideia de priorizar o município como esfera de ação. “Isso na Espanha tem acontecido muito. O desafio no Brasil é que focamos no espaço federal.  Não vejo a perspectiva das pessoas se envolverem numa democracia que esta só aqui em Brasília, sendo que a realidade muitas vezes está a mais de 1000km daqui”.

2 – Pedro, doutorando em saúde coletiva Unicamp. “O quanto essa confusão de que a educação formal (alfabetização) é necessária para avançar nos espaços educadores está nos travando?”

3 – Geraldo, do Caparaó, Rede Capixaba de Educação Ambiental. “A agroecologia é a prática que nos falta na educação ambiental”.

4 – Eli Lino de Jesus - Professor do curso de Agroecologia, do Instituto Federal do Sudeste de MG. “ Os cursos de agroecologia enfrentam muitas dificuldades. Os cursos formais necessitam de apoio para aprofundamento. Os cursos têm enfrentado barreiras enormes, os conselhos de classe profissionais não querem registrar o título dos formados em agroecologia, os concursos não selecionam agroecólogos. O agroecólogo não pode ser menor que os agrônomos. A ABA não prioriza esse debate há muito tempo”.

5 – Tadeu –“Sou resultado das políticas públicas, dos pontos de cultura, das salas verdes, de todo esse processo. O espaço da educação não é só o espaço das escolas, é no nosso dia a dia no contato com os diferentes. Agradeço pelas falas, que inspiram e dão ânimo”.

6 – Tiago – Fórum Alternativo Mundial da Água – embora a atividade seja tão rica, ele nota que o paradigma dominante vai se apropriando dos discursos e tentando coexistências. “Na abertura do evento foi falado que a agroecologia pode conviver com o agronegócio. Como conseguimos fugir disso? Como resistimos a apropriação dos espaços?”

CONSIDERAÇÕES FINAIS E RESPOSTAS AOS QUESTIONAMENTOS

Luciana Jacob

Sobre a metodologia campesino-campesino – existe uma pluralidade de saberes. Quem escolhe os saberes importantes são os grupos dominantes, que muitas vezes dizem: é importante só ser alfabetizado.

Com relação à ABA, esclareceu que se trata de um espaço de debate, dinâmico e que só funciona com a participação das pessoas. O GT está aberto para acolher diversos pontos de vista. Fica o convite para quem está presente. A ABA acolhe e dinamiza discussões.

Marcos Sorrentino

Ressaltou a importância da mídia na revolução. Precisamos fortalecer as mídias alternativas.

Como atuamos a partir do município? Como enfrentamos o coronelismo instalado nos municípios? Uma ideia é a construção de círculos de cultura, que dialoguem sobre essa agenda. É necessário formar uma rede, uma malha de cultura, com espaços de encontro, onde se discuta teoria e se pratique ações coletivas, que vai desde plantar juntos até incidir em políticas públicas. A comunicação é fundamental para uma rede de diálogo.

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#AT95 – Novas Biotecnologias II: riscos e ameaças

Nuevas Biotecnologías II: riesgos y amenazas

Dia 14 | 14h00 – 17h00 | GUEROBA | #Agroecologia2017

Responsável(is): Javier Albea (UCCSNAL – Argentina); Mohamed Habib (Unicamp); Georgina Catacora (SOCLA – Bolivia); Coordenador: Leonardo Melgarejo (ABA)

Arquivo: Apresentação Javier Albea

Relato:

Relatores: Valber Matos e Juliana Napolitano

O coordenador da atividade, Leonardo Melgarejo, abriu a mesa apresentando os palestrantes e saudando a todos.

Javier Albea (UCCSNAL – Argentina)

Javier vem estudando o impacto das novas biotecnologias na saúde da população. Para demonstrar um pouco dos resultados encontrados, mostrou o mapa da soja na Argentina, onde se pratica a fumegação de agrotóxicos.

Ele observa que o mapa da soja sobrepõe o mapa das localidades com maior incidência de câncer na Argentina.

O trabalho que ele e seu grupo de pesquisa desenvolvem na faculdade de Rosário consiste em pesquisar, em cidades de até 160mil habitantes, a situação da saúde da população. Nesses estudos puderam constatar que os dados de incidência de câncer na população, agrupados por período, demonstram o aumento no número de casos de diagnóstico, principalmente no período atual. As evidências demonstram que há fortes correlações temporais entre o uso de glifosato nas culturas e a incidência de câncer.

Outro estudo feito pelo grupo foi um levantamento dos tipos e quantidades de fármacos mais consumidos nas localidades com alto uso de agrotóxicos. O resulta apontou que nessas localidades os medicamentos mais utilizados são os de controle de pressão (anti-hipertensivos), os medicamentos para terapêutica da tireoide e ansiolíticos. Essa informação aponta que podem haver correlações entre o uso de agrotóxicos e a depressão e outras doenças ligadas à produção de hormônios.

Nos estudos realizados nas escolas primárias, onde foi medido o índice de massa corporal das crianças, observou-se uma tendência ao sobrepeso (38% das crianças). Informou que pesquisadores do EUA fizeram um estudo onde associaram a exposição à atrazina e a triazina ao aumento do índice de massa corporal. Pesquisas adicionais são necessárias para identificar se isso o sobrepeso está de fato relacionado ao uso dessas substâncias.

Ele afirma que estão surgindo novas biotecnologias, e que uma vez que as tecnologias ficam obsoletas ao mercado, o mesmo mercado busca alternativas para nos conquistar com novas tecnologias

Outro ponto apresentado foi relativo à nanotecnologia. O termo nanotoxicodinamica - a interação de nanopartículas com sistemas biológicos - surgiu em 2011. As nanopartículas podem produzir inflação e apoptose (morte celular) e também alterar a expressão gênica. A interação pode ocorrer pela pele, inalação e ingestão. Um dos usos das nanotecnologias é a fabricação de cosméticos. Já neste momento estamos em contato com a nanotecnologia e não há pesquisas sobre os efeitos que podem causar aos seres humanos e sobre a toxicologia dessas substâncias. O fígado, pulmões e rins são possíveis alvos de acumulação, assim como o sistema imunológico. É necessário regulamentar o uso dessas tecnologias, assim como foi feito para os transgênicos, para que as mesmas só sejam liberadas após se investigar os potenciais perigos para a saúde.
 Outra biotecnologia citada foi o CRISPR/Cas9 (ácido produzido desde a infância). O uso dessa tecnologia pode criar grandes problemas éticos se for usado para propósitos errados. O palestrante destacou alguns discursos de acadêmicos que se ausentam da responsabilidade moral e ética pela criação de novas tecnologias: "Os cientistas entendem que a regulamentação pode ser necessária, mas os esforços em pesquisa e financiamento precisam continuar".

Por fim, concluiu que estamos enfrentando uma revolução industrial que tem como característica a fusão entre tecnologias e a interação entre os domínios físico, digital e biológico. Para enfrentar isso temos que começar a trabalhar em redes. “Somos poucos, porém unidos somos mais fortes”.

Georgina Catacora (SOCLA – Bolivia)

Sua apresentação consistiu em apresentar alguns dados sobre o que temos disponível em conhecimento sobre biossegurança de OGM nos processos de tomada de decisão. Esse processo de coletar informação, conversar com as pessoas e buscar dados empíricos é fundamental para compreender os processos de tomada de decisão.

Para iniciar sua fala citou uma comparação feita por ela de como o agronegócio se estabeleceu em dois contextos sócio-ecológicos muito diferentes, a região de Santa Cruz, na Bolívia e Campos Novos, em Santa Ctarina, no Brasil. Ao comparar constatou que em ambas as situações, com contextos ecológicos tão diferentes, utilizam o mesmo pacote tecnológico, sem nenhuma adaptação. Isso é resultado de uma simplificação das ciências, fruto de uma separação da Natureza-Sociedade feita por meio de uma ciência reducionista, com desenhos tecnológicos estreitos.  Na visão reducionista da ciência, a tecnologia é suficiente para resolver problemas complexos, o que faz com que se utilize a mesma estratégia para se resolver o mesmo problema ao longo do tempo.

Num estudo sobre incremento no uso de glifosato para a soja OGM, que desenvolvida para reduzir a aplicação de glifosato, demonstrou que o uso desse produto tem aumentado.

Num trabalho de revisão de 1200 artigos científicos sobre o uso de transgênicos, pode constatar que todos os processos de tomada de decisão referentes sobre essa tecnologia não tem informações suficientes que apontem para sua liberação. Nesse levantamento identificou que 19% dos estudos não diz a que cultivo se trata,  21% não indica qual característica foi modificada, 31% não esclarecem em que país foi feita a investigação, 10% não dizem que grupo populacional foi estudado.  Esses artigos, que concluem que os OGMs não causam impacto, apresentados em revistas cientificas indexadas, tem falhas em seus desenhos.  Muitos estudos não apresentam qual foi o comparador utilizado. Há uma manipulação metodológica.  Isso faz com que cheguem a conclusão que os OGMs não causam problemas. Não são feitos estudos comparativos com sistemas de produção orgânicos ou agroecológicos.

Por fim conclui que o conhecimento utilizado nos processo de tomada de decisões em aspectos socioecológicos sobre a biossegurança dos OGMs são imprecisos e incompletos; imbuídos de uma lógica de economia industrial. Existe pouca informação empírica sobre os  impactos socioeconômicos dos OGMs, assim como não existem evidências sobre seus efeitos.

Foto da atividade:

Facilitação Gráfica

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#AT73 – A Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica no Brasil

La Política Nacional de Agroecología y Producción Orgánica en Brasil

Dia 14 | 10h00 – 12h00 | LOBO GUARÁ | #Agroecologia2017

Responsável(is): Iracema Moura (Ministério da Saúde); Denis Monteiro (ANA); Mário Ávila (UnB); Regina Sambuichi (IPEA); Emma Siliprandi (GT Mujeres, Agroecologia y Economia Solidária de CLACSO – Espanha); Paulo Petersen (ABA); Coordenador: Rogério Neuwald (Secretaria Executiva da CNAPO)

Arquivo:

Apresentacao_Avaliacao Planaplo

Livro A Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica no Brasil

Relato:

O coordenador da atividade, Rogério Neuwald, abriu a roda de dialogo dando boas-vindas aos participantes. A atividade foi organizada da seguinte forma, cada palestrante faz uma apresentação de 10 minutos, para posteriormente abrir para manifestações e perguntas.

A atividade consistiu na avaliação da Política e do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, instituídas pelo Estado brasileiro, seus antecedentes e principais resultados gerados. Foram apresentados os dados do estudo conduzido pelo IPEA, publicados no livro "A Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica no Brasil: uma trajetória de luta pelo desenvolvimento rural sustentável".

 Denis Monteiro (ANA)

Começou sua fala ressaltando que o objetivo dessa roda de diálogo é avaliar o presente, pensar o futuro e analisar os desafios que teremos pela frente. A instituição da PNAPO, em agosto de 2012, é um ato histórico importante para o movimento agroecológico brasileiro, fruto de uma ação coletiva. Construir a PNAPO e o PLANAPO foi um desafio, já que o ambiente político brasileiro sempre foi difícil, dada a hegemonia do agronegócio nos territórios.

Ao olhar  trajetória do movimento agroecológico, é possível identificar várias pequenas vitórias, alcançadas mesmo com poucos recursos. Um exemplo disso são os núcleos de agroecologia, criados em diversas universidades brasileiras e o resultado disso está aqui no congresso, com a presença massiva dos estudantes.

Fazendo um resgate histórico, a trajetória do movimento agroecológico  no Brasil, a partir de meados da década de 80, ganha expressão com a redemocratização do país. Nesse momento as iniciativas agroecológicas e de desenvolvimento rural se ampliam, tendo como inspiração as metodologias participativas e de desenvolvimento rural abordadas no Projeto Tecnologias Alternativas - PTA da FASE. É nesse momento que o conceito da agroecologia ganha força.

A década de 90 foi marcada pela forte mobilização camponesa de luta pela terra. Além disso, no semiárido acontece uma grande mobilização em torno do conceito da convivência com o semiárido, o que culmina com a criação da Articulação do Semiárido -ASA.

No final dos anos 90 e início dos anos 2000, acontecem os primeiros Encontros Nacionais de Agroecologia – ENAs, que culmina com a constituição da Articulação Nacional de Agroecologia, em 2002. A necessidade de avaliação crítica do papel das mulheres na agroecologia emergiu no primeiro ENA.

No período que se segue, de 2003 à 2012, nos governos do Partido dos Trabalhadores, permanece a crítica aos impactos do agronegócio nos territórios, a luta pela reforma agrária e contra os agrotóxicos e transgênicos. No período, há também uma forte ascensão do debate da agroecologia nos movimentos sociais do campo, águas e florestas, como a CONTAG, Via Campesina, CNS. É um período de maior identificação dos movimentos de povos indígenas e povos e comunidades tradicionais ao movimento agroecológico. Foi uma fase também marcada pela participação intensa da sociedade na construção de políticas públicas dentro do CONSEA, CONDRAF e CNAPO. As redes agroecológicas existentes nos estados e territórios se fortalece e incorpora novos atores. Há um crescimento expressivo e reconhecido da agroecologia, uma explosão das feiras agroecológicas em diversos municípios.

Em 2011 acontece a Marcha das Margaridas, um marco no movimento sindical, quando as mulheres firmam seu compromisso com a agroecologia enquanto estratégia de desenvolvimento rural. O movimento agroecológico começa a dialogar com outros movimentos sociais, promovendo diálogos de convergência com o movimento da saúde coletiva e outros movimentos urbanos.

Iracema Moura (Ministério da Saúde)

Começou sua apresentação relatando o processo de organização do livro “Avaliação do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica”. Para a elaboração do texto sobre os antecedentes e aspectos fundantes da agroecologia no Brasil, foi elaborado o seguinte questionamento: como um tema como a agroecologia entra para a agenda de governo e vira política pública? Para responder a essa questão foi feito um levantamento dos diversos programas, projetos e ações que foram desenvolvidos pelo governo brasileiro ao longo dos anos e que foram precursores disso.

Nesse contexto, ela ressalta os programas que foram fundamentais para o acúmulo de experiências e o desenho de políticas públicas: O Sub-Programa Projetos Demonstrativos – PDA, executado pelo Ministério do Meio Ambiente – MMA e o projeto Lumiar, do INCRA, criado em 1997 e que tinha a agroecologia como enfoque. Essas experiências foram embriões de políticas públicas, ainda desarticuladas.

A partir de 2003, com a criação do Programa Fome Zero e a centralidade da temática da Segurança Alimentar e Nutricional – SAN na política de governo, o CONSEA é reconstituído e reestruturado para permitir assim a ampla participação social na construção e acompanhamento de políticas públicas. São estruturados diversos programas, como o PAA, o PNAE e a PGPM-Bio, assim como a ATER, o crédito e o seguro safra são fortalecidos.

Em 2006, o termo agroecologia aparece expressamente na Lei Orgânica de Segurança Alimentar – LOSAN. Em 2010, o Direito Humano à alimentação adequada e saudável é inserido na constituição por meio de emenda.

Com a agroecologia entrando na pauta de agendas estruturantes, se questionaram sobre a necessidade de integrar essas iniciativas por meio da elaboração de um plano. Em 2012, todos esses programas e ações que vinham sendo desenvolvidas foram agregados à Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica.

Mário Ávila (UnB)

Para começar a apresentar os resultados da avaliação do PLANAPO, Mario Ávila contextualizou como foi feito o estudo, considerando o diferencial dessa política, que previa integrar diversas políticas, planos e ações de diferentes Ministérios.

Os objetivos da pesquisa, que originou o livro, eram analisar a fase de construção da política, por meio de análise de textos e entrevistas qualitativas, e também de avaliar o processo de execução da primeira edição do PLANAPO, com uma análise qualitativa e quantitativa de sua implementação.

Sobre a análise do primeiro PLANAPO (2013-2015), identificaram que foi investido R$1,8 bilhão, distribuídos em seus 6 grandes objetivos, 14 metas e 125 iniciativas. Nesse cenário é importante compreender qual foi a eficiência e a capacidade do Estado em implementar essas ações e dar sinergia aos diversos ministérios e órgãos públicos envolvidos.

Regina Sambuichi (IPEA)

Regina Sanbuichi apresentou brevemente os resultados do estudo, dada a limitação de tempo. Foram feitos alguns destaques, listados a seguir.

1 - Sobre a análise da concepção da política, a metodologia utilizada foi a realização de entrevistas semi-estruturadas com os atores chave, no caso os participantes da CNAPO e CIAPO. Foi identificado o seguinte:

- aspectos positivos: a existência da política, a construção participativa e o desenho de gestão do plano;

- aspectos negativos: baixa prioridade da agroecologia no governo (grandes investimentos ao agronegócio)

2- Sobre a análise da concepção do plano:

- aspectos positivos - articulação de iniciativas dispersas, inserção de temas importantes, fomentou a articulação dos movimentos sociais;

- aspectos negativos: apanhado de políticas existentes, com pouca inovação, falta de integração entre as iniciativas, limitação de recursos, falta de inovação dos instrumentos de implementação

Sobre a execução do PLANAPO, ao analisar cada meta colocada no plano, é possível identificar muitas iniciativas que foram bem realizadas e outras que tiveram dificuldades de execução. Destacou que a meta 1, que teve a maior parte das iniciativas executadas, não atingiu seu objetivo final, pois o recurso destinado ao crédito não foi aplicado. Além disso, cabe ressaltar que os objetivos não foram dimensionados para o período do plano (2013-2015), mas visando uma estratégia de ação a longo prazo.

Em relação ao objetivo 2 – fortalecimento das mulheres rurais, a maior parte das ações planejadas foi executada, com destaque para a diretoria de mulheres do MDA, que foi a grande responsável pela boa execução da meta.


 Emma Siliprandi (GT Mujeres, Agroecologia y Economia Solidária de CLACSO – Espanha)

Para Emma, um dos principais resultados desse processo de concepção e execução PLANAPO é o reconhecimento e o protagonismo das mulheres em todas as etapas de sua construção.

Em seu artigo sobre mulheres do livro (capítulo 9), ela destaca as dificuldades que as mulheres encontram de passar de uma reivindicação, para depois partir para a construção e o acompanhamento de políticas públicas. A participação das mulheres na discussão de políticas públicas agroecológicas é bastante antiga e não começa com a PLANAPO. A participação começou na década de 80, quando as mulheres começaram a se organizar nos sindicatos, até culminar com a Marcha das Margaridas

A PLANAPO tem uma marca forte de ser uma resposta aos movimentos de mulheres. É a política que mais atendeu as mulheres rurais, de forma transversal. Isso aconteceu, pois sociologicamente houve uma janela de oportunidades. Havia sensibilidade pelo tema, grande organização dos movimentos de mulheres articulados (rurais e urbanos),  havia uma estrutura no governo e um diálogo com o governo.

Destacou o acordo feito entre os movimentos de mulheres e a CNAPO para que, um dia antes de todas as reuniões das comissões nacionais, houvesse uma reunião de mulheres. Isso implica em recursos e o governo conseguiu garantir isso. Conseguiram também que as suplentes viessem para as reuniões, já que em muitos movimentos as mulheres ainda estavam na suplência, e o governo viabilizou isto também.

Por fim, ressaltou que tudo o que foi alcançado foi fruto da luta das mulheres que estavam no governo e das mulheres de movimentos sociais.

Paulo Peterson

Para fechar a análise, Paulo Peterson fez uma análise política da PNAPO. Para isso, utilizou algumas palavras chaves para reflexão, como nichos, resistência, heterogeneidade.

A primeira delas é “nichos de inovação” ou “trincheiras”. Fez um resgate que no período da ditadura militar, período mais feroz da relação da sociedade com o Estado, as Comunidades Eclesiais de Base, que são as raízes profundas da agroecologia, funcionaram como esses nichos. No período da modernização agrícola, as pessoas do campo estavam resistindo, de diferentes formas (heterogeneidade).

Se o Brasil cumprisse sua constituição, o mundo rural seria outro. Qual deveria ser o objetivo de uma política de agroecologia? Deveria ser a função social da terra, a reforma agrária.

Quando a agricultura familiar é reconhecida, e isso é institucionalizado em lei, se abre uma oportunidade política. A categoria é então reconhecida, mesmo com as suas limitações iniciais de integrar povos indígenas e povos e comunidades tradicionais. A partir daí, são criadas políticas para a Agricultura familiar.

As conquistas dos atores sociais que foram envolvidos no processo precisa se fazer visível. Ao falar de nichos, nesse contexto político atual, significa reconhecer o papel de pessoas que estão dentro da estrutura de Estado e que são aliadas. Por exemplo, o MAPA já estava com um programa nacional da produção orgânica elaborado e suspenderam isso, para então construir junto com os demais atores a PNAPO

Onde estão os focos de resistência? Na sociedade e no estado? É necessário articular os nichos.

Outro conceito chave é o de território. Essa é uma grande fragilidade da PNAPO, pois não há política no geral, é necessário fazer a interface com os atores do território. Precisa de atores que conheçam e manejam o território. Os Núcleos de Agroecologia, estão fazendo isso no território, e contribuindo para esse diálogo entre as universidades e os agricultores e agricultoras familiares do território.

No momento político atual a janela fechou e é necessário forçar para manter essa janela aberta. Os nichos continuam, é preciso saber reconhecê-los.

Vamos seguir existindo como nicho. Precisamos manter nossa articulação.


 DEBATE E MANIFESTAÇÕES DA PLENÁRIA

1 – Rodrigo, INCRA, veio trazer um pouco da angústia de seu trabalho de campo  e sobre o alcance das políticas públicas, pois a política não chega a ponta.

2 - Lucimar - Embrapa Meio Ambiente - Chamou atenção a dificuldade dos agricultores em acessar recursos financeiros concretos para alavancar a produção. Quais são os problemas identificados no acesso ao Pronaf?

Regina -. Já tinham um diagnóstico dos problemas antes do plano e o crédito sempre foi difícil. É preciso repensar o financiamento da transição agroecológica, para buscar alternativas.

3 - Sebastião – citou que vê um conflito entre duas narrativas. No Norte de MG, onde atua,

os produtores lamentam a perda do poder de mobilização social nos governos PT. Aqui se falou o contrário, de fortalecimento da mobilização social. Gostaria de ouvir a opinião dos palestrantes.

Denis – a questão é importante nesse momento político. Na década de 80 as lideranças foram se afastando das bases, para poderem atuar e influenciar esferas políticas maiores. Os ciclos vão acontecendo. Nos anos 2000 muita energia foi colocada na construção de políticas públicas. Isso se deu em sinergia com a organização social de base ou em detrimento disso? Como atualizamos o contexto?

4 - Mariana – gostaria de esclarecer qual o conceito de território, enquanto categoria de análise. Como é trabalhado esse conceito na política de agroecológica? Nos estados, as comissões de produção orgânica estão acontecendo?

Paulo Peterson - A questão é boa, pois é recorrente. De fato, durante um período o governo trabalhou com essa abordagem territorial. A ideia não foi comprada pelos ministérios. Território é uma construção social, assim como a agroecologia. Agroecologia é específica, diferente do agronegócio. No território é que se constrói poder.

5 - Patrícia – para dialogar com a fala da Emma, relatou que ela também fez uma análise do material. Identificou que na segunda versão do plano as mulheres não estão em tantos espaços. O processo de construção do plano tem o protagonismo das organizações feministas. Houve um grande empenho da diretoria de mulheres rurais do MDA. Pergunta: a Emma teve a oportunidade de conversar com alguém da diretoria do MDA para contribuir com a narrativa?

Emma - a diretoria é apontada por todos como protagonista. Nas entrevistas abarcou as pessoas que estavam no governo na época do estudo e alguns que já haviam saído.  O segundo Planapo foi um momento de resistência, de manter as conquistas, mas com dificuldade de ampliar.

6 - Como fazer a política acontecer na base? Tem alguém acompanhando a criação de políticas estaduais e ou municipais?

Rogerio -Florianópolis, que está avançando na lei municipal de agroecologia.

8 - Flavio, Casa Civil-BA – Em sua experiência profissional identifica que existe uma dificuldade de integrar políticas no estado. Sabendo que o PLANAPO previa tanta integração, como eles lidaram com isso? O que foi executado e que contribuiu para gerar construção social nos territórios? O que isso contribuiu efetivamente na mudança da realidade? As políticas passam, mas o que fica dinamizado no território?

Miguel - é um desafio pensar em fazer políticas diferentes.

9 - Eduardo  - estudante de geografia - Sobre o acesso ao crédito. Para ter acesso ao crédito, é preciso alienar a terra e comprar o pacote do agronegócio. Nesse sentido, como está a alienação da terra para o Pronaf agroecologia, alienam a terra?

Iracema – Isto toca uma questão de fundo, que não conseguimos responder aqui. O crédito precisa de profundas alterações.

7 - Flávia - UFRS – sobre a questão dos nichos e espaços protegidos - temos que voltar para as bases. Como falado pelo Paulo, um instrumento de fortalecimento desses espaços está nos mercados, nas feiras. Mas falar da resistência (mercado crescente, consciência do consumidor), pode começar a deixar o movimento preso a uma discussão meramente mercantil. Temos que pensar em espaços de existência e não de resistência.

10 – Kátia - pesquisadora Embrapa – fez uma manifestação sobre os nichos de resistência. Precisamos ter clareza das reais ameaças e do potencial de nos tirarem conquistas. Algumas instituições públicas estão passando por um processo silencioso de privatização, passando antes por restrições de recursos. Precisamos ter clareza disso que está acontecendo.


Paulo - Esse tipo de reflexão é essencial. Não podemos ficar presos ao debate instrumental das políticas, mas precisamos usar isso para mudar o fluxo de poder. A Contag apresenta todo ano uma pauta de mais crédito, mas para cobrir as dívidas do crédito anterior. Estão presos no sistema financeiro. Como saímos disso?A agroecologia responde um pouco a questão, já que busca desmercantilizar a agricultura, com redução na compra de sementes e fertilizantes. Estamos num ambiente de cooptação. Não podemos perder a origem dessa discussão, por isso a importância da memória.

 

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#AT27 – Painel II – Memória da Agroecologia

Panel II – Memoria de la Agroecología

Dia 13 | 8h00 – 10h00 | AUDITÓRIO BABAÇU | #Agroecologia2017

Responsável(is): Manuel González de Molina (Universidad Pablo de Olavide – Espanha); Víctor Manuel Toledo (Universidad Nacional Autónoma de México); Jean Marc von der Weid (ASPTA); Coordenador: Miguel Altieri (SOCLA – Chile)

Arquivos:

Apresentação Manoel Gonzalez de Molina – Memorias de la Agroecología

Artigo Jean Marc von der Weid

Relato:

Miguel Altieri, coordenador da mesa, abriu o painel saudando a todos os presentes e justificando a ausência de Fernando Funes Aguilar, da Estacion Indio Hatuey, de Cuba, ausente devido às consequências do furacão Irma, e do professor Victor Manuel Toledo, da Universidad Nacional Autônoma de México, por problemas de saúde.

A dinâmica do painel consistiu na apresentação de cada palestrante, seguido por um debate com a plenária. As apresentações seguiram a orientação de apresentação do contexto, origem da agroecologia, desafios, conquistas e caminhos a seguir.

Para iniciar o painel, Miguel Altieri fez um resgate do processo de construção da agroecologia na América Latina desde a década de 70, quando ainda se utilizava o termo agricultura alternativa. Nesse período as reflexões giravam em torno da necessidade de se estudar práticas de produção agrícola que fossem um contraponto ao modelo agroindustrial preconizado pela Revolução Verde que levasse em consideração, não apenas os aspectos produtivos, mas também os sociais, culturais e ecológicos que envolviam os campesinos da América Latina.

Essa perspectiva mais abrangente não encontrava respaldo político e científico, já que no contexto da ditadura militar, presente em diversos países da América Latina, as políticas governamentais tinham como foco a busca por propostas técnicas e pacotes tecnológicos que pudessem aumentar a produção no campo. Nas universidades, a agroecologia também não existia enquanto ciência. A agroecologia entrou nas universidades por meio dos estudantes e alguns professores, que foram buscar junto às organizações da sociedade civil e às ONGs, experiências práticas que vinham sendo desenvolvidas nesse campo. As pontes criadas entre os movimentos campesinos, as ONGs e a universidade ao longo dos anos até os dias atuais foi o que permitiu que a agroecologia entrasse na agenda política e na academia.

A agroecologia está hoje presente em cursos de mestrado e doutorado das universidades, onde se procura dialogar e valorizar o conhecimento campesino. A agroecologia é hoje reconhecida como um caminho fundamental nos debates sobre segurança e soberania alimentar, assim como na pauta atual das mudanças climáticas. O reconhecimento e a conquista de espaços são hoje os grandes resultados desse processo.

Intervenção da plenária - Sem Feminismo não há agroecologia! Mulheres da plenária organizaram a intervenção para protestar pela ausência de mulheres na mesa. Falar das memórias da agroecologia sem falar de mulheres, é falar de apenas metade da história.

Após o término da fala de Altieri, Manuel González de Molina Navarro (Universidad Pablo de Olavide, Espanha), apresentou um relato do histórico da agroecologia na Espanha, mais especificamente na região da Andaluzia.

Na década de 80, num contexto de destruição do emprego causada pela industrialização da agricultura, concentração de terras e baixa qualidade de vida da população, emerge na região de Andalucía uma confluência de correntes de pensamento e ação, que envolvia o movimento campesino, o movimento ecologista pacifista e grupos universitários unidos em torno do Andalucismo Politico e da luta pela soberania. Esse movimento gerou resultados, influenciando uma lei sobre reforma agrária e uma politica de combate ao desemprego.

Com a entrada da Espanha na OTAN, a esquerda espanhola e o movimento pacifista utilizam a oportunidade para mobilizar a opinião pública sobre a importância do meio ambiente e da paz. Paralelamente, um grupo de pesquisadores, de composição interdisciplinar - sociólogos, economistas, historiadores, entre outros - se articulam em torno da reflexão sobre o futuro do meio rural de Andalucía, elaborando propostas, de natureza política e ecológica, para a superação do subdesenvolvimento do meio rural andaluz. Nesse cenário, em que mais informações e experiências sobre agricultura orgânica e ecológica eram necessárias, se estreitaram os laços de cooperação com a América Latina.

Em 1996, apareceu a primeira edição do mestrado em Agroecologia na Universidade de Andaluzia, que se tornou ponto de encontro de formação da primeira geração de agroecólogos da Espanha. Hoje um desafio posto à agroecologia é o alcance de uma escala mais ampla de produção e consumo. Outro desafio é a necessidade de incorporar a agroecologia na agenda política, criando assim mecanismos para esse ganho de escala.

Jaime Morales Hernandes - Instituto Tecnológico y de Estudios Superiores de Occidente, México.

O México é um país de uma grande diversidade ecológica e cultural, centro de origem de diversas plantas cultivadas. Por outro lado, é um país de muito conflito rural, tendo sido um dos primeiros países afetados pela revolução verde e por uma série de medidas neoliberais.

Nesse contexto, a discussão sobre a agroecologia emerge dentre alguns pesquisadores da área de ciências agrarias, que buscavam alternativas ao modelo agroindustrial e que achavam importante que fossem considerados os aspectos culturais, sociais e políticos da agricultura praticada pelos povos indígenas e populações campesinas.

Os movimentos campesinos no México foram o ponto e partida de onde nascem as experiências práticas em agroecologia. A partir daí começam as articulações entre as universidades e os movimentos sociais em torno da agroecologia. O processo de incorporação da agroecologia enquanto ciência nas universidades foi longo e exigiu esforço de superação, já que todo o paradigma agronômico estava pautado nas premissas da revolução verde.

Como resultados desse processo hoje as universidades vem formando uma série de agricultores, professores e consumidores. Além disso, a associação do movimento agroecológico aos movimentos sociais urbanos vem trazendo grande visibilidade à pauta agroecológica, sensibilizando consumidores sobre o papel político do consumo e da produção de alimentos saudáveis. Como caminhos futuros, o palestrante apontou a necessidade de se ampliar o dialogo científico interdisciplinar, a articulação entre os movimentos sociais, o fortalecimento da agricultura urbana e peri-urbana, assim como desenvolvimento de estudos técnicos que permitam uma melhor manejo dos agroecossistemas.

Eric Holt Gimenez – Food First

O movimento campesino é mais antigo que o movimento agroecológico e está presente em diversos países. Na Guatemala, assim como em diversos outros países, a história do campesinato é marcada pela opressão social, cultural e racial. Nas regiões das ladeiras guatemaltecas, os campesinos encontravam-se relegados a terras marginais, pequenas e com alta declividade, as ladeiras. Nesse contexto opressor, os campesinos trabalhavam para as fazendas produtoras de banana, e suas pequenas propriedades estavam entrando num ciclo de degradação, com perda de vegetação e de solo.

Nessas condições, um perito agrônomo e mestiço, comprou uma parcela degradada e começou a trabalhar, quando se deu conta de que os fatores limitantes da produção eram solo e agua. Foi a partir daí que se iniciou o dialogo com os campesinos da região, buscando resgatar sementes e práticas da agricultura indígena local. Com esse aprendizado, começou a desenhar tecnologias e a produzir cada vez melhor, sem o uso dos pacotes tecnológicos, tão utilizados por fazendeiros da região. Os conhecimentos gerados eram então compartilhados com seus vizinhos indígenas, que começaram a experimentar essas tecnologias. Esse foi o inicio da metodologia campesino-campesino, que posteriormente foi ampliada e difundida. Nessa metodologia de intercâmbio, o foco não é a troca de informações, mas sim o compartilhamento da cultura, da sabedoria de cada um, que gera como resultado uma nova informação, um novo conhecimento.

No processo de construção do conhecimento, a participação das mulheres foi fundamental, haja vista que elas eram as donas do quintal e detinham todo o conhecimento do manejo das espécies alimentares e medicinais. Eram nesses espaços que elas faziam suas experimentações e onde estava a inovação campesina.

Com o fortalecimento da produção, os homens deixaram de trabalhar fora e, junto com as mulheres, passaram a produzir seu próprio alimento.  Foi quando criaram uma cooperativa de produção, que a cada ano crescia. O espaço da cooperativa se converteu num centro de encontro social, seus sócios chegavam a caminhar 3 horas por dia para participar das reuniões, estimulados pelo processo social que acontecia. Diversificando a produção, passaram a produzir um café de alta qualidade, rivalizando com os cafeicultores locais. O sucesso da cooperativa gerou disputas locais, o que levou a destruição da mesma por grupos opositores. Esse ataque mobilizou o grupo, que passou a se articular a nível regional, com campesinos de outros países da América Latina.

Esse é o relato da experiência da metodologia campesino-campesino, que nasce dessa fronteira da opressão. Foi nessa articulação com outros países que tiveram contato com o termo agroecologia, e então descobriram que estavam praticando era a agroecologia.

Jean Marc Van Der Weid (ASPTA) iniciou sua trajetória na agroecologia entre os anos de 81 e 82, quando elaborou, juntamente com a Pastoral da Terra, o Projeto de Tecnologias Alternativas – PTA. A ideia era escrever um projeto ambicioso, que atendesse a todo o campesinato do país e não apenas à uma comunidade. Hoje, após 35 anos de trajetória profissional, ele identifica o forte crescimento da pauta agroecólogica, sendo esse congresso um exemplo disso, ao mobilizar cerca de 5000 pessoas.

Na sua análise identifica que o resultado mais significativo é a inserção da agroecologia no centro da agenda política dos movimentos sociais, como instrumento para viabilizar o projeto de reforma agrária e de protagonismo dos agricultores na construção de alternativas à produção. A agroecologia é um campo do conhecimento e uma prática que serve de alternativa ao sistema capitalista do agronegócio, no entanto só poderá se consolidar como alternativa se tiver as condições políticas adequadas. Outro resultado relevante foi a articulação com outros setores da sociedade, como os consumidores, nutricionistas, ambientalistas, profissionais de ciências agrárias, sociólogos e economistas.

A agroecologia entrou no vocabulário político dos agricultores e consumidores não apenas por meio do discurso, mas principalmente pela prática. O desafio era dar escala a essas práticas e facilitar a transição agroecologica dos agricultores familiares, já que muitas dessas experiências aconteciam de forma lenta e pouco eficiente, demandando um número grande de técnicos para atender poucas famílias. Foi daí que eles começaram a desenvolver e a testar metodologias participativas e puderam dar escala a esse tipo de ação. A experiência da AS-PTA na Paraíba foi onde conseguiram os maiores avanços com o uso de metodologias participativas e  efetivamente aprenderam a aprender com os agricultores e com seus próprios erros.

Para dar escala ao trabalho, outra estratégia adotada pela AS-PTA foi o diálogo com o Estado para a construção de políticas públicas. Esse trabalho, que foi iniciado ainda no governo Fernando Henrique, se ganhou força no governo Lula, com a criação do CONDRAF. A experiência de participar dessa instância de construção de políticas politicas foi ao mesmo tempo rica e frustrante, pois conseguiram muitos avanços na construção da política de ATER, mas não conseguiram muito resultados na adequação da política e crédito para a agricultura familiar, o PRONAF.

Na construção da política de ATER conseguiram pautar melhorias nas chamadas públicas, mas a forma de contratação e execução dos projetos engessa as organizações e não favorece uma dinâmica social e a participação dos agricultores.

Hoje o contexto político está complicado e os poucos avanços que foram feitos podem ser liquidados, haja vista a própria extinção do Ministério de Desenvolvimento Agráfio - MDA. Para reverter ou frear isso é necessário um esforço de mobilização forte para retomar as pautas no âmbito politico.

Por fim, ele finalizou sua palestra informando que se desvinculou da AS-PTA em julho do corrente ano, uma vez que a organização passa por uma crise financeira e que ele, enquanto profissional que atua na área de influência de politicas públicas, fica sem espaço de atuação nesse contexto político desfavorável. Irá se dedicar agora a escrever sobre sua trajetória na construção de metodologias participativas e influência em políticas públicas.

Abertura de diálogo com a plenária 

Bloco de perguntas e manifestações:

1 - Pergunta - Como se dá a valorização e o lugar da mulher dentro desse processo de construção da agroecologia?

2 - Manifestação - Os movimentos devem definir a educação do campo como um dos caminhos mais relevantes para a defesa e a preservação da memória da agroecologia. Fizeram uma carta de defesa à manutenção do PRONERA;

3 - Manifestação - a AS-PTA foi referência para toda uma geração que vem hoje trabalhando com a agroecologia. A crise da AS-PTA nesse contexto político desfavorável é preocupante. Hoje após o golpe, ela se pergunta por que não conseguimos alavancar a metodologia campesino-campesino no governo Lula, quando o contexto era mais favorável. Com isso não estamos tendo resiliência para enfrentar a falta de recursos e outros obstáculos.

4 - Pergunta - Sobre a metodologia campesino-campesino, qual o papel da organizações mediadoras (ONGs) nesse processo?

Eric Holt Gimenez

A respeito da pergunta 1 - A mulher já abriu espaços na luta. Quando começaram a trabalhar com a metodologia campesino-campesino,  as mulheres foram convidadas a participar, mas de início tiveram muita dificuldade em achar espaço. Com a participação das mulheres puderam aprender coletivamente que a mulher detinha o conhecimento do manejo da saúde familiar, do quintal, das hortaliças. Aos poucos isso foi sendo aceito pelos homens. A participação das mulheres foi fundamental para mudar o movimento de dentro para fora.

Jean Marc Van Der Weid

A respeito da pergunta 1- A experiência da ASPTA demonstra o papel crucial das mulheres na agroecologia, tanto no movimento quanto na produção.

A respeito da pergunta 4 - A AS-PTA absorveu muita coisa da metodologia campesino a campesino. No Brasil, as organizações mediadoras (ONGs) tem um papel preponderante, mas eles sempre buscaram o protagonismo dos pólos sindicais e das associações, pois a ideia é que um dia não seja mais necessária a presença da mediadora no território.

 

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#AT13 – Fortalecimento da agenda agroecológica: cooperação intra-regional e Small Grants Programme (GEF/PNUD)

Fortalecimiento de la agenda agroecológica: cooperación intrarregional y Small Grants Programme (GEF / PNUD)

Dia 12 | 14h00 – 18h00 | LOBO GUARÁ  | #Agroecologia2017

Responsável(is): Dulclair Sternadt (FAO/Chile); Fabio Fajardo (Programa de Pequenas Donaciones de Cuba); Rubén Salas (Programa de Pequenas Donaciones de Bolívia); Clara Nicholls (SOCLA); Juan René Guzmán Arbaiza (Programa de Pequenas Donaciones – El Salvador); Ginercina de Oliveira Silva (Amera), Juvenal Neves (COOAF – Bico); Rosemary Diegues (PNUD); Coordenadora: Isabel Figueiredo (ISPN – Programa de Pequenos Projetos do Brasil).

Arquivos:

Para saber mais sobre o Small Grants Programme – GEF

Apresentação Ginercina de Oliveira Silva

Relato:

A coordenadora da mesa, Silvana Bastos, começou atividade fazendo uma  saudação de boas vindas a todos os participantes da mesa e aos convidados. Para a instalação da atividade foi solicitada a apresentação de todos os presentes.

O funcionamento da atividade foi organizado em três blocos de apresentações. Ao final de cada bloco foi realizado um momento de esclarecimento de dúvidas. Por fim, foi formada uma mesa para debate.

Primeiro bloco:

Isabel Figueiredo - ISPN 

A experiência do Brasil na execução do Programa de Pequenos Projetos

Isabel iniciou as apresentações relatando que os representantes de Cuba e El Salvador não puderam comparecer ao evento de vido à passagem do furacão Irma.

O Programa de Pequenos Projetos (PPP) é um programa das Nações Unidas, do Fundo para o Meio Ambiente Global - GEF, instituído em mais de 120 países. No Brasil o programa existe desde 1995 tendo o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) como Coordenação Técnica Administrativa. O programa apoia organizações comunitárias e conta com o protagonismo das comunidades na elaboração das propostas.

Para o ISPN, a agroecologia abarca temas amplos, incluindo: paisagens produtivas sustentáveis, conservação por meio do uso sustentável da biodiversidade (agroextrativismo), manejo do solo e da água (boas práticas de cobertura solo, curvas de nível, entre outros), resgate e conservação de variedades crioulas, valorização dos sistemas agrícolas tradicionais.

Para trabalhar esses temas são utilizadas diversas estratégias, como o estímulo à diversificação da produção, a aliança do conhecimento tradicional ao científico, o beneficiamento da produção, entre outros.

De acordo com Isabel, os pequenos projetos tem a grande vantagem de serem flexíveis, adaptáveis, acompanhando a dinâmica de mudanças que as comunidades enfrentam.

O PPP investe fortemente também nas estratégias de promoção da comercialização dos produtos dos grupos. O programa já apoiou projetos que visavam inserir os produtos nos mercados institucionais. Com a retração dessas políticas, aumentou o apoio às feiras livres. Outras estratégias de mercado apoiadas são os CSA (comunidades que sustentam a agricultura) e os sistemas de certificação participativa (SPG).

Isabel destaca que outro aspecto importante é a capacidade das comunidades que acessam pequenos projetos de influir em políticas públicas. Segundo a palestrante, o PPP tem apresentado bons resultados, dentre os quais se destaca: influência nos municípios, onde as associações passaram a pautar as chamadas públicas da Política Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), a estruturação de conselhos municipais de meio ambiente, a obtenção de espaços para feiras livres, entre outros.

O programa investe também na disseminação de tecnologias sociais de manejo da água e do solo e na recuperação de áreas degradadas, permitindo que as pessoas possam testar e adaptar tecnologias sociais. Outro investimento do programa é  na ampliação da governança local, apoiando projetos que promovam acordos comunitários para uso dos recursos naturais e do território.

Isabel  afirma que, nesses 20 anos de história, o ISPN contribuiu para disseminar os produtos e povos do Cerrado e da Caatinga, servindo como agente de fomento a importantes redes, como a Cooperativa Central do Cerrado, que está no evento servindo refeições. O resultado do programa de pequenos projetos é muito mais do que a soma dos resultados de cada projeto, pois a rede de pequenas organizações promove resultados maiores, como a influência e oferta de subsídios para políticas públicas.

Isabel conclui que: "os desafios para dar escala a esse tipo de estratégia de apoio a projetos comunitários são:  falta de ATER (assistência técnica e extensão rural) às comunidades, êxodo rural da juventude, a continuidade do programa e a valorização de ecossistemas não florestais. O Cerrado é um exemplo disso, já que se trata de um bioma com diversas paisagens não florestais, muitas vezes não valorizadas. Precisamos valorizar os ecossistemas abertos, os campos e outras paisagens”.

Rubén Salas - O programa de pequenos projetos da  Bolívia

É um programa do GEF, que na Bolívia é executado pelo PNUD. Esse programa foi criado depois da Cúpula Mundial da Terra. Desde 93 o programa está funcionando em mais de 120 países do mundo. A Bolívia tem uma grande extensão territorial com três grandes zonas ecológicas (andina, altiplano e terras baixas).  O PPP da Bolívia acontece desde 2012, em cinco áreas protegidas do país e envolve 170 comunidades e 15 municípios. A principal problemática ambiental que eles enfrentam é a mudança no uso do solo.

O critério básico do PPP Bolívia para incorporar o enfoque agroecológico é  apoiar sistemas e práticas produtivas alternativas e sustentáveis.

Dentre as ações no período recente, está o estabelecimento de produção integrada, melhoria nos sistemas silvipastoris (manejo e melhorias de pastagens) e estabelecimento de sistemas agropastoris. Rubén afirma que isso gerou  mudança do sistema extensivo para um sistema semi-intensivo, o que contribui para melhorar a qualidade genética do rebanho.

Nos chacos a principal demanda é a água. Estão apoiando sistemas de microaspersão para irrigação, assim como outras técnicas de uso econômico da água. Apoiam também formas renováveis de energia, como a energia fotovoltaica para bombeamento de água.

As principais práticas agroecológicas apoiadas são a rotação de culturas, a diversificação produtiva, o uso de adubos orgânicos, as práticas de conservação do solo, as curvas de nível ou terraços e a recuperação de sementes locais. As perspectivas futuras do programa são voltadas à resiliência das paisagens produtivas. Com isso, estão adotando um enfoque de manejo da paisagem e trabalham com 20 indicadores junto aos agricultores para promover sistemas de produção socioecológicas resilientes. Os 20 indicadores são utilizados para construir uma linha de base. São chamadas as mulheres, homens e jovens para as oficinas locais e seminários, onde são aplicados os indicadores. A ideia é poder construir uma agenda de mais longo prazo. A partir dos resultados serão construídas cinco carteiras de projetos.

Segundo Bloco

Ginercina de Oliveira Silva, agricultora assentada da Associação de Mulheres Empreendedoras Rurais e Artesanais dos Municípios de Barro Alto e Santa Rita do Novo Destino - AMERA apresentou a experiência que sua organização desenvolveu a partir do apoio do PPP Ecos em parceria com a Articulação Pacari.

Inicialmente foi feito o resgate da história das comunidades envolvidas. Ela ressaltou que começaram com a luta pela terra, e que antes se plantava de forma convencional. Havia uma única associação para todo o assentamento, representando homens e mulheres, o que levou a uma experiência não muito boa.

Ela ainda relatou que a partir daí resolveram fazer uma associação só de mulheres. Começaram a plantar espécies fitoterápicas do Cerrado para fabricação de chás, xaropes e cosméticos. As mulheres perceberam que poderiam gerar renda a partir dessas atividades e também mudar a alimentação da família.

Neste contexto, as mulheres passaram a construir uma estratégia de diversificação das atividades produtivas e começaram a recuperar a vegetação que protege as nascentes dos assentamentos. Ela relatou que agora se percebe a questão da seca no Goiás. Não imaginavam que poderia acontecer de forma tão intensa como vem ocorrendo. Então, todos passaram a valorizar esse trabalho.

Há quatro anos iniciaram o plantio de áreas de agrofloresta, que recentemente passou a ser afetada  de forma muito severa pela seca, num quadro que está dramático no estado de Goiás, segundo ela.

Em seguida  Ginercina fez a apresentação de várias fotos exemplificando e ilustrando as áreas manejadas e os plantios realizados nos assentamentos, tanto os de frutas, de agrofloresta e de gergelim para a produção de óleo. Apresentou o trabalho da "farmacinha" junto com a Articulação Pacari. E disse que, em relação aos problemas com a água, estão pensando em outras atividades, como a recuperação de mais nascentes. Apresentou também o entreposto implantado na zona urbana do município para a comercialização de produtos produzidos pelas mulheres da associação, em parceria com a Articulação Pacari. Disse ainda que estão produzindo óleo de gergelim e de coco de gueroba. O óleo é produzido com uma prensa a frio adquirida com o apoio da Articulação Pacari e a Fundação do Banco do Brasil.

Além da estratégia de comercialização por meio do entreposto, ela também comentou sobre o sistema de venda de cestas de verduras e frutas através do whatsapp.  Afirmou que estavam sem capital de giro para viabilizar a comercialização e colocaram uma lista de produtos disponíveis para as pessoas escolherem. "Este sistema está funcionando há dois anos e vem dando resultados muito importante", diz Ginercina.

Por fim, Ginercina comentou que a associação vem se fortalecendo com o apoio da Articulação Pacari e do PPP Ecos.

Juvenal Neves, diretor da COOAF-BICO - Cooperativa de Produção e Comercialização dos Agricultores Familiares Agroextrativistas e Pescadores Artesanais de Esperantina Ltda. do Bico do Papagaio, estado do Tocantins.

Juvenal inicia a apresentação descrevendo a região do Bico do Papagaio, em que a Cooperativa atua que fica na fronteira entre a Amazônia e o Cerrado, com predominância de babaçuais. Diz ainda que atua em uma organização contemplada com recursos do PPP Ecos, mas que sua apresentação irá apresentar todos os projetos e ações que o programa apoiou na Região do Bico do Papagaio, que contemplou um conjunto significativo de organizações, contribuindo assim com a disseminação das práticas agroecológicas por toda a região. Abaixo serão listadas as organizações já apoiados pelo programa no Bico do Papagaio:

1.ASMUBIP: Associação Regional das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio. Criada em 1992 com o objetivo de organizar as mulheres trabalhadoras rurais, em núcleos, para garantir e lutar pelos direitos:  das mulheres; da sua afirmação na sociedade e da produção econômica dos produtos agroextrativistas, com destaque para o babaçu.  A associação apoia aproveitamento racional do coco babaçu e o desenvolvimento comunitário. O coco babaçu foi a matéria prima mais importante principalmente nos momentos de crise. Homens não quebravam coco e as mulheres passavam a ter um importante papel na economia familiar, na medida em que os homens não tinham trabalho. Outros projetos com a ASMUBIP: equipamento da associação para avançar em estratégias de processamento do Babaçu; implantação dos quintais medicinais implantados nas propriedades e lotes das mulheres, visando a melhoria da saúde das famílias;  babaçu sustentável, focado no manejo e na conservação/proteção dos babaçuais 2013 a 2016; integração produtiva dos núcleos de produção do babaçu nas comunidades 2016 a 2017.



2.Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais - STTRda região, fortalecendo suas estratégias políticas, produtivas e de comercialização.

-O STTR de Araguatins -  PAC, projeto de apoio a meliponicultura e produção de mel a partir do trabalho com APIS. Primeiro projeto em que viram os resultados da agroecologia na renda das famílias. De 2001 a 2003, com apoio indireto do PPP Ecos;

-Projeto Frutificar Cerrados;

-Projeto para a comunidade das Sete Barracas no município e com o STTR de São Miguel, reativação da micro-usina de processamento de babaçu da comunidade. De 2002 a 2003, apoio direto do PPP Ecos;

-STTR Regional de Buriti, São Sebastião e Esperantina - projeto de fortalecimento do agroextrativismo nos municípios de Esperantina e de Buriti.

3.Associações de assessoria, como  a APA-TO, braço técnico do movimento, criado pelo próprio movimento, com o apoio da CPT e das organizações do Movimento Sindical. Objetivo: fortalecer a rede de comercialização do Bico do Papagaio na perspectiva de articulação das organizações da região.

4.Associações de base:

-Associação de Pequenos Produtores do PA Ouro Verde - Plantando árvores e colhendo água

-Associação do Assentamento Canaã de fortalecimento do Agroextrativismo

-Apoio à Cooperativa dos Produtores Agroextrativistas do Bico do Papagaio

-Escola Família Agrícola com atuação com jovens e mulheres agroextrativistas

Por fim, Juvenal se despede da mesa afirmando que o "PPP Ecos tem contribuído com a questão da produção, mas também com a questão da organização e formação, contribuindo com as estratégias de sucessão rural, com o apoio à Escola Família Agrícola através do projeto com os jovens agroextrativistas".

Debate

Primeira pergunta da plenária: Existe ATER especializada em agroecologia para os assentados?

Juvenal comenta que "não há ATER especializada, ao contrário, a ATER oficial só conhece e estimula a produção convencional. O conhecimento agroecológico produzido na região é produzido pelos movimentos sociais".

Ginercina comenta que "também não tem assessoria nos cinco assentamentos envolvidos nas ações que o grupo de mulheres desenvolve, muito menos especializada em agroecologia. Inclusive quiseram empurrar monocultura em nossas atividades, propuseram o plantio de eucalipto".

Juvenal ainda complementa a sua fala dizendo que “há uma chamada de ATER agroecológica, mas apesar de haver chamada de ATER para a região, os técnicos efetivamente não assessoram as comunidades. As reuniões consomem todos os recursos e a assessoria não traz resultados”.



Terceiro Bloco

Dulclair Sternadt, FAO Chile

A apresentação será feita em três partes, primeiramente alguns números gerais, depois a agenda regional e as possibilidades de colaboração.

Para contextualizar, relembrou que a FAO foi criada em 1972. Nasceu da preocupação da alimentação no mundo no pós-guerra. A FAO recebeu muitas críticas dos movimentos, pois incentivou a produção de alimentos promovendo a revolução verde. Depois do período de forte incentivo à revolução verde, a FAO passou por um processo de reflexão interna, pois houve aumento da produção de alimentos, mas a fome não acabou.

Números gerais

Comércio: hoje na América Latina, dos 33 países, 18 são importadores de alimentos.

Proteção social: 50% da população não tem proteção social nas áreas rurais da AL.

Perdas e desperdícios: 1/3 dos alimentos são perdidos ou desperdiçados.

Biodiversidade: 60% da alimentação são originários de quatro plantas cultivadas.

Muitas políticas são equivocadas e precisamos mudar a forma de trabalhar. O FMI até pouco tempo atrás incentivava o Estado mínimo e todo o pacote do neoliberalismo. Vivemos outra época, onde precisamos buscar soluções alternativas para os problemas.

A FAO vem pensando em sistemas alimentares mais sustentáveis, eficientes e inclusivos. Os sistemas agroecológicos, apoiados pela pesquisa e pelas políticas, podem contribuir para melhorar a sustentabilidade.

Em 2014, a FAO realizou o primeiro Seminário Internacional de Agroecologia e isso foi bastante revolucionário, pois se instalou uma agenda de agroecologia na organização.

A FAO reconhece a importância da agroecologia para a Segurança Alimentar e Nutricional (SAN). A agroecologia apoia sistemas de produção mais sustentáveis, conserva e melhora a biodiversidade, garante a segurança alimentar nos territórios e valoriza os conhecimentos tradicionais.

Em 2018 realizarão o segundo Simpósio Internacional de Agroecologia.

Em 2015 realizaram um seminário regional de agroecologia na América Latina. Do evento saíram diversas recomendações para os países para a criação de políticas que incentivem a agroecologia.

A comunidade dos Estados Latino Americanos colocou a agroecologia em seu plano de ação, um compromisso para colocar a agroecologia na agenda regional.

As quatro linhas de ação da agenda regional contemplam: governança para construção e implementação de políticas públicas, promoção de mercados que favoreçam o mercado agroecológico, geração de informação, resgate e valorização de sistemas agroalimentares com identidade territorial.

A FAO trabalha muito com os governos na perspectiva e implementação de políticas públicas. Os países pedem muitas evidências sobre os resultados da agroecologia. A FAO vem trabalhando para buscar indicadores de convencimento para poder expandir para outros países.

Todos os países da AL estão trabalhando com os ODS. A agenda de agroecologia da FAO caminha junto com a sociedade civil e os governos.

Vem trabalhando em diversas iniciativas, já registraram 52 boas práticas em agroecologia e buscam fomentar a cooperação sul-sul.

Diálogos, cooperação e alianças:

Aliança pela Soberania Alimentar na América Latina e Caribe, formada por diversos movimentos sociais, consumidores, frente Parlamentar contra a fome. Estão em diálogo com vários atores, buscando sinergias. O Brasil hoje é uma referência em agroecologia.

Clara Nicholls, SOCLA

O sistema alimentar agroindustrial produz somente 30% dos alimentos da população e utiliza 70% da terra agricultável.

Existe um grande desafio, que é ter alimentos saudáveis e acessíveis para todos. Temos que pensar numa agricultura em um cenário hostil, com mudanças climáticas, degradação do solo e crises sociais.

O modelo camponês, com seus sistemas agroecológicos diversificados são uma resposta a esses desafios. Os sistemas agroecológicos estão arraigados na realidade ecológica e cultural. Os problemas agrícolas não podem ser resolvidos simplesmente com respostas técnicas.

Os sistemas tradicionais, como os sistemas de produção indígenas são um bom ponto de partida para compreender a importância da agroecologia. São sistemas que sobreviveram até os dias atuais, mesmo com todos os enfrentamentos, como as diversas políticas anti-campesinas. Um camponês pode ter em apenas um hectare de terra até 300 espécies de plantas. Isso gera resiliência às mudanças climáticas.

Estamos em busca de sistemas eficientes, com baixa inserção de insumos externos, com alta produtividade.

Na rede camponesa de produtores de alimentos da AL, 50 a 70% são produzidos com apenas 25% da terra. Isso mostra a importância da reforma agrária para alavancar a agroecologia.

É preciso buscar indicadores e números que demonstrem a eficiência dos sistemas agroecológicos e para isso precisamos da academia e das pesquisas.

O conhecimento campesino sobre a biodiversidade é muito importante. A diversidade genética está ligada à diversidade cultural. O domínio das sementes tradicionais ainda está com os campesinos, que são os grandes guardiões dessa diversidade, tão importantes num contexto de mudanças climáticas.

Clara citou ainda a diversificação e policultivos como práticas muito comuns no campesinato, além da eficiência da produção e do maior valor nutricional que os alimentos campesinos carregam. As policulturas têm menos pragas que as monoculturas e estas são mais resilientes.

Cuba é outro país da AL muito atuante na temática da agroecologia. Tinham como lema a agricultura sem combustíveis.

Comparando sistemas convencionais e os agroecológicos, os sistemas convencionais precisam de grande input de energia, para um retorno não tão alto em termos energéticos. Os sistemas agroecológicos são mais eficientes

Por fim, vale destacar que os benefícios da agroecologia não são apenas ecológicos, mas envolve também o empoderamento e o aumento da autoestima.

Debate Final

Pergunta da plenária para Duclair da FAO: Aqui há um Ministério dos Transgênicos e um Ministério da Agricultura Familiar e da Agroecologia e existe uma divergência de discursos. Em eventos recentes representantes da FAO se posicionam a favor de empresas como a da cadeia do fumo e de agroquímicos, atores ligados ao Agronegócio. Como se explica essa divergência ou dubiedade de discursos?

 Duclair respondeu que acredita que vivemos em um momento diferente de 30 anos atrás, em que os países desenvolvidos acreditavam que tinham todas as respostas para os problemas dos países em desenvolvimento. Hoje há uma percepção de que cada país deve construir suas próprias soluções, para os problemas que acharem mais importantes e que a cooperação internacional está muito mais horizontal, diferente de alguns anos atrás. Disse ainda que a FAO, por suas características institucionais tem que trabalhar com governos e empresas e que a valorização das boas práticas das empresas pode ser um bom instrumento para diferenciar empresas mais alinhadas com as necessidades e valores da sociedade, das empresas descomprometidas com os objetivos de desenvolvimento do milênio. Deu o exemplo das empresas de tabaco,  que devem promover nos próximos anos uma mudança significativa da composição dos cigarros, o que vai levar a uma redução drástica do plantio do fumo, e que procuraram a FAO para colaborar com uma estratégia de transição produtiva nas regiões, onde residem pequenos produtores de fumo.

Juvenal pergunta também para Duclair: Sabemos que a FAO trabalha para países, e que há países que tem maior poder que outros. Como trabalhamos quando países funcionam como representantes das empresas que contribuíram para a ampliação da oferta, não de alimentos, mas de mercadorias?

Clara Nichols responde dizendo que o novo coordenador da FAO, Graziano, abre as portas da entidade para falar sobre agroecologia. No entanto a questão é como a FAO interpreta a agroecologia. Este território da FAO deve ser conquistado. Há 30 anos ninguém queria falar de agroecologia na FAO, éramos chamados de loucos. Essa dualidade é institucional. A questão mais importante são as falsas soluções, como a questão do sequestro de carbono, quando se diz que se necessita sequestrar carbono de qualquer forma. Precisamos levar esse debate para dentro da FAO, de forma respeitosa, mas também dura e contundente.

Pergunta da Plenária: A questão da fome não é só produção, mas também a distribuição. Quando falamos de distribuição, também falamos de distribuição de apoio e financiamento. A FAO poderia influenciar mais os governos em termos de políticas públicas que apoiem a agroecologia?

Plenária: O semiárido vive um contexto de grandes investimentos, o que leva a expulsão de muitas pessoas de suas terras, sem nenhum tipo de compensação. Agora com a abertura da possibilidade de compra de terras por estrangeiros, podemos entrar em um contexto de acirramento das expulsões dos mais pobres de suas posses. A lei, apesar de se dizer por aí que é para todos, aqui nos parece que a lei é só para punir os pobres, e para proteger  os ricos.

Plenária: Gostaria de fazer uma pergunta para Clara sobre resiliência que é uma questão muito importante para quem trabalha diretamente com os agricultores. Nós, do Movimento da Soberania Popular na Mineração temos que trabalhar com uma noção ampla de resiliência territorial, nestas regiões afetadas pela mineração e vemos uma situação de quase barbárie.

Plenária: Quero seguir a linha de Clara sobre qual estratégia precisamos seguir é que as organizações governamentais são muito instáveis. Num congresso de restauração de ecossistemas, em Foz do Iguaçu -   vejo uma convergência dessas agendas -vejo ausência do enfoque agroecológico nas estratégias de restauração dos ecossistemas nos debates. Devemos avançar no diálogo e na reflexão entre estas duas agendas. Precisamos buscar a articulação destes campos do conhecimento.

Plenária: É muito interessante a questão da biodiversidade, como  a Clara apresentou. Nós também, quando chegamos num assentamento novo, a primeira coisa que fazemos é a plantio de árvores para melhorar a questão do conforto das famílias. Precisamos avançar na questão da agroecologia como prática produtiva e melhorar o diálogo entre a academia e os agricultores.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ginercina: Fez as suas considerações gerais dizendo que “não é fácil, mas que estamos firmes no processo de transição”.

Duclair: Agradeceu o convite em nome da FAO. O debate foi muito enriquecedor. Estamos entrando numa fase em que há uma análise crítica dos movimentos sociais sobre os valores da sociedade, tanto no campo quanto na cidade. Comentou que precisamos avaliar o que estamos plantando para colher mais na frente. Vejo que as conexões estão contribuindo para as mudanças que são necessárias.

Clara: Agradeceu o convite para participação de uma mesa tão linda. Acrescentou que esses programas de pequenos projetos são uma semente muito importante para se disseminar a agroecologia. Diz que é necessário incluir outras ciências no debate e que precisamos politizar outras ciências, pois muitos restauradores ecológicos querem preservar os passarinhos, mas não querem preservar os agricultores.

Isabel: Comentou ainda, que o novo código florestal brasileiro permite a restauração em propriedades familiares com sistemas agroflorestais que produzem também serviços ecossistêmicos e alimentos. Agradeceu a todos os participantes, comentou a importância da mesa que permitiu a análise de casos locais e as estratégias de articulação de programas em nível continentais.

Juvenal: Agradece também aos participantes e comenta a importância deste tipo de atividade para que saibamos que estamos juntos e estamos em um número significativo para a produção de mudanças. Diz que precisamos formar novos técnicos e os próprios agricultores estão virando técnicos, pois estão apresentando novas experiências.

Rubem Salas: Agradeceu o convite, disse que a mesa e o evento como um todo está sendo muito enriquecedor. Agradeceu a oportunidade de participar e praticar o compartilhamento de conhecimentos com os agricultores presentes.

Silvana: Por fim, encerra a mesa e agradece a todos os participantes.

 

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