#AT104 – Diálogos entre Agroecologia e as Economias Críticas

Diálogos entre la Agroecología y las Economías Críticas

Dia 15 | 10h00 – 12h00 | AUDITÓRIO IPÊ AMARELO | #Agroecologia2017

Responsável(is): Walter Pengue (The Economics of Ecosystems and Biodiversity –TEEB / Intergov); Guilherme Delgado (IPEA); Isabelle Hillenkamp (IRD -França); Coordenadora: Emma Siliprandi (GT Mujeres, Agroecologia y Economia Solidária de CLACSO – Espanha)

Arquivo: Apresentação Isabelle Hillenkamp 

Relato:

Mesa para diálogo entre Agroecologia e Economias Críticas. Os convidados que compõem a mesa atuam e/ou realizam pesquisa na área de economia e trouxeram informação importante para conectar Economia e Agroecologia. O diálogo levantou questões que ainda caminham para um processo de solução, mas evidenciou o momento de ampliar o olhar para uma necessidade urgente de mudança para uma economia integral e ecológica. Inspirações em uma escala macro e micro, para repensar um sistema econômico de depreciação dos recursos naturais e reestabelecer uma cosmovisão das relações econômicas e sociais.

Guilherme Delgado:

Economista do IPEA, acompanha o movimento desde a luta pela reforma agrária e dos movimentos camponeses do Brasil. Delgado afirmou que, de fato, a corrente principal da economia convencional não dialoga com agroecologia. Explica que, para as correntes convencionais da economia, os progressos técnicos são molas propulsoras do desenvolvimento econômico, e cria-se o mito de que estes progressos técnicos sejam a solução da proposta civilizatória, do capital e do dinheiro. Essa visão possui muitas críticas ao longo do Século XX, sendo que algumas dessas críticas dialogam com a agroecologia. O palestrante apresenta quatro vertentes dessas críticas: a) economia política do capital com crítica aos fundamentos do capitalismo e à desigualdade da repartição dos rendimentos sociais; b) teoria do subdesenvolvimento: coloca a questão dos custos invisíveis do processo de desenvolvimento e a forte ligação com a exploração das vantagens comparativas naturais; c) privação de capacidades humanas e de suas liberdades; e d) vício estrutural do progresso técnico de alta entropia.

A economia ecológica, fundado nos anos 1970, possui princípios que são válidos como crítica à modernidade. O vicio estrutural de alta entropia, traduzido de forma simples, diz respeito à forte dissipação de energia útil que se materializa em poluição ambiental, diferentemente do foco na ideia livre que dialoga com a visão integral da agroecologia. Uma economia de cosmovisão pode ser considerada como uma revolução científica. O diálogo tem que ser com um conjunto de saberes, deve ser compatível com a vida em sociedade. O diálogo é pertinente para construção de um novo caminho, possui forte relação também, com a teologia abordado pelo atual Papa Francisco, que se preocupa com tema e é uma estrutura de poder.

Isabelle Hillenkamp:

Economista que trabalha com economia feminista, expôs a visão para uma escala micro em que as relações econômicas-sociais podem ser construídas. Afirma a importância do diálogo com o campo, e que a leitura feminista é um aprofundamento da história dentro da história. Iniciou nos anos 1970, juntamente com a reforma agraria, críticas à agricultura convencional e posicionou-se em prol da pluralidade existente. Isabelle citou que na década de 1990 atuou na inserção da visão agroecológica e do desenvolvimento sustentável, e em 2003, com foco em políticas públicas. A principal necessidade para o reconhecimento feminino da agroecologia é a valorização do trabalho dos conhecimentos agroecológicos, afirmou. Continuou, do ponto de vista do fluxo econômico, a busca por autonomia das mulheres mostra diferentes relações tanto monetárias como não monetárias. Essas relações merecem qualificação no sentido de buscar critérios. Hillenkamp disse que as práticas mercantis podem ou não trazer visão capitalista. Afirmou ainda que práticas não monetárias muitas vezes possuem propósito de comércio justo e solidário, como as trocas de sementes e mudas e as doações de alimentos, mas podem também, vir de uma situação impositiva e gerarem exploração e desigualdade. Por fim, informou que a economia feminista na agroecologia busca por sustentabilidade de vida com uma cultura de afeto, práticas de interdependência, reciprocidade, redistribuição, partilha doméstica e mercado.

Walter A. Pengue
 
Walter A. Pengue é professor e pesquisador na Argentina, com experiência das questões agrárias da América Latina. Expôs uma visão macro, da real necessidade de brutal transformação para o período pelo qual a humanidade passa. Afirma que agroecologia possui uma visão sustentável. Afirmou: precisamos entender que todos os modelos econômicos, sejam de esquerda ou direita, precisam olhar a questão ambiental, o solo, os recursos naturais, e seus impactos precisam ser tratados, para uma visão global e de necessidade da humanidade.

As estruturas de poder precisam tratar dos quesitos econômicos e recursos naturais em conjunto. Não é uma temática somente para América Latina. Precisamos considerar a economia e a ecologia, em uma situação de reparação para uma nova situação, uma mudança paradigmática, mudança civilizatória para a sociedade não desaparecer. Tem sido comum adicionarem adjetivos à economia, como exemplo, economia verde, circular, solidária e ecológica. Mas não tem sido efetivada uma mudança de fato. A economia ecológica nos traz uma visão abundante, avançar de forma mais rápida e socioecológica com transformação cultural.
 
Walter firmou que a América Latina precisa se restabelecer. Que possui muitos recursos naturais, que são explorados e aproveitados por países “mais desenvolvidos”. A China, por exemplo, tem criado uma mudança de demando sobre seus recursos no mundo. O planeta, de forma geral, comete um genocídio de seus recursos naturais. Perguntou: Como consertar essa realidade? Não será possível mudar somente a partir dos conhecimentos científicos, as mudanças veem dos movimentos sociais para uma economia ecológica e sustentável. Pengue afirmou ainda que será necessário aliar a visão macro e o nível micro, das organizações de tarefas familiares, passando pelas práticas de ocupação do mercado, até a proposição de um modelo mais geral.

Contribuições do público:

O público fez contribuições com questionamentos e com relatos de suas experiências e entendimentos na temática. Entre os questionamentos levantados, destacamos: a importância da valoração dos serviços ambientais; refletir sobre processos sem discriminação e igualitários; inserção da economia ecológica no currículo da graduação de economia de forma mais profunda, visto seu perfil marginal atualmente; mudança para um paradigma da abundância e economia do bem viver.

Ainda foi levantado que a economia feminista urbana trouxe contribuições importantes, mas sempre ficou atrelada em incluir as mulheres no sistema de mercado acelerado convencional. A participação das mulheres rurais traz uma possibilidade de renovação. Visão da natureza não como objeto, e sim como um sujeito do sistema. Discutir o direito à propriedade da terra, pois sem território não há agroecologia, construir como categoria no mercado de trabalho, agregar multidisciplinaridade de profissionais e incluir economia solidaria e feminista, e ecológica com respeito as relações sociais.

 

*** Participe da construção da memória do congresso! Registre suas impressões e sugestões no campo de comentários abaixo. ***

#AT65 – Painel IV – Campesinato e Soberania Alimentar na América Latina

Panel IV – Campesinato y Soberanía Alimentaria en América Latina

Dia 14 | 8h00 – 10h00 | AUDITÓRIO BABAÇU | #Agroecologia2017

Responsável(is): Peter Rosset (ECOSUR – México); Frei Sérgio Görgen (MPA); Iridiani Seibert do Movimento do Mulheres Camponesas (MMC); Glaicon José Sell (agricultor). Coordenadora: Islândia Bezerra (ABA)

Relato:

Atividade de diálogo sobre Campesinato e Soberania Alimentar na América Latina. Composição da mesa: Peter Rosset da Via Campesina Internacional, Frei Sérgio Sérgio Görgen, do Movimento dos Pequenos agricultores,  Iridiani Seibert do Movimento do Mulheres Camponesas (MMC),Glaicon José Sell (agricultor litoral catarinense). Metodologia do debate: exposição de ideias dos palestrantes e abertura ao público para contribuições por escritos ou com microfone.

O diálogo trouxe contribuições importantes para o contexto histórico e político que o Brasil vive, evidenciando o papel transformador da juventude e mulheres na luta da classe do campesinato pela soberania nos territórios. Traz também a reflexão sobre o fortalecimento das relações entre o campo e a cidade para o enfrentamento das alianças do agronegócio com as forças políticas e internacionais que mudaram o contexto dos latifúndios.  Debateram também sobre as estratégias que são fundamentais para a massificação da agroecologia.

 Contribuição de Peter Rosset:

Peter, representante da Ecosur no México, apresentou de forma sistematizada sete teses para agroecologia e soberania alimentar, descritas abaixo:
1. Avanço do capitalismo e dos regimes de direita:  A nova conjuntura política enfrenta uma guerra pela terra, ampliando as alianças com a mineração, a construção e as grandes empresas que investem e buscam minimizar a força da agroecologia. O agronegócio, possui seus aliados dentro dos partidos políticos e são alinhados com o capital internacional, tais como os EUA, China e Canadá. Desta forma, controlam a mineração com forças repressivas e difícil enfrentamento. Autonomia e massificação da agroecologia é um elemento chave, pois ajuda a construir a conjuntura que enfrentamos. O crescimento da participação e do papel dos jovens e das mulheres é muito forte e fundamental.
2. Implicações para reforma agrária e para aliança campo-cidade: Uma chamada por uma nova reforma agrária popular, baseada em uma política de conciliação é necessária, pois o latifúndio atrapalha a aliança entre a classe camponesa do campo e a burguesia da cidade. A mineração e o agronegócio que destroem o meio ambiente são sistemas produtivos. O argumento de dizer que os latifúndios não produzem foi derrubado. Apelar por uma reforma de conciliação de classes é uma estratégia fraca por causa do novo poder do capital. 
3. Luta pela terra e pelo território: O capital passa por todas as terras: indígenas, de pequenos povos, pescadores e ribeirinhos. Precisamos ter uma visão territorialista para defender os territórios.
4. Hora de massificar a agroecologia: Do discurso para a prática. É necessário construir uma agroecologia mais intensificada e levá-la para uma larga escala.
5.Nova agroecologia de disputa: Qual agroecologia vamos massificar? Disputa real com o agronegócio, pois acabam com o solo, contribuem para as mudanças climáticas e realizam campanha de um agronegócio verde. 
6.Autonomia para as famílias campesinas: É o elemento chave. Permite melhorar a gestão e a produção com recursos agroecológicos.   
7. Forças às diversidades – Mulheres, Juventudes: Fenômeno muito forte está sendo o movimento das juventudes e o movimento feminista das camponesas populares. Estão lutando pelo fim de qualquer tipo de violência contra as mulheres, por reconhecimento e por autonomia nos espaços.

 Frei Sérgio Görgen (MPA)

Frei Sergio possui visão religiosa cristã, ex-deputado, agricultor e integrante do Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA. Afirmou, em sua exposição, que o agronegócio não é somente uma nova tecnologia de produção. O agronegócio vai além disso. É um novo pacto de poder e controle do capital pelo governo internacional e pelas empresas multinacionais

Por isso, traz um desafio novo para o campesinato: a luta pelo território. Este não enfrenta o latifúndio somente regional e sim uma dimensão internacional. Por isso, é necessário criarmos uma nova visão de mundo e diversas alianças. A disputa da agroecologia nas universidades é fundamental. Não pode se olhar somente com a visão urbana. A agroecologia não se faz somente com técnicos agrícolas, é necessário que envolva todas as profissões que se relacionam com esta temática.

O campesinato precisa estar organizado. É uma ciência de um novo paradigma, uma nova cosmovisão. Para isto é necessário inverter os olhares para transformar a realidade. Para fazer essa transição em massa é importante ver a agroecologia como uma nova visão de nação e de mundo. É importante impulsionar um projeto revolucionário alternativo, como a reforma agrária popular, que seja capaz de mudar as relações entre o campo e a cidade. A transformação é importante na sucessão rural, também, porque há o registro de patriarcalismo no campo. O novo camponês precisa da visão sistêmica e holística, sem moralismo religioso. A nova geração camponesa precisa ser revolucionária!!

 Islândia Bezerra:

Islândia é feminista com atuação no campesinato e acredita em sua atuação como sujeito histórico, que segue resistindo ao poder hegemônico. A palestrante afirma a necessidade de eliminar a desigualdade na classe do campesinato. Os povos (negros, indígenas e ribeirinhos) vieram resistindo e mostrando um pouco do olhar ecológico. Além da diversidade de etnias e povos, existe uma identidade comum da classe camponesa, que é a relação com a terra, a natureza e o alimento. No processo histórico, esses povos foram capazes de realizar o melhoramento e a domesticação dos cultivos, produzindo conhecimento antes mesmo dos laboratórios e as pesquisas científicas. Transmitiram conhecimento de geração a geração e isso caracteriza-se como agroecologia: um processo real e cotidiano dos camponeses. Aos poucos esses conhecimentos foram trazidos para os estudos e as pesquisas, contribuindo assim para a valorização das práticas.

A força do movimento social e sua articulação é fundamental. É claro a impossibilidade de convivência entre agroecologia e o modelo capitalista, pois são antagônicos. Agroecologia não é um negócio, não pode ser vista como uma forma de ter lucros e ser apropriada nas mãos de poucos.

A agroecologia possui visão de abundância e partilha do conhecimento. Não pode fechar os olhos para o massacre que os camponeses e indígenas enfrentam com conflitos no campo nessa conjuntura política. Não é uma luta só pelos recursos naturais, mas também pelas relações sociais de forma democrática.

 Glaicon José Sell

Glaicon é agricultor e presidente do Instituto Eco. Discursou sobre o exemplo claro da soberania alimentar como uma política pública capaz de realizar uma transformação para área rural, contribuindo para os benefícios do crédito ao agricultor. Hoje é possível ver no país inúmeras pessoas dispostas a contribuir e a construir esse movimento. Relata sua experiência como agricultor, com a venda dos seus produtos em uma feira com mais 21 anos em Florianópolis, onde há clientes fiéis e periódicos que conseguem contribuir muito mais do que a simples compra do produto.

A agroecologia possui um empoderamento que o agronegócio não é capaz. Em um litro de terra viva há uma quantidade de vida incontáveis e que são transferidas para o alimento de origem ecológica. É possível ter uma transformação!  A culpa das sementes geneticamente modificadas e dos inseticidas é de quem consome. Hoje o poder da juventude está se levantando com uma força tão grande, potencial de revolução, jovens que retornam para o campo sem vergonha. Não precisa ter medo, pois cabe a todos nós! A sociedade é capaz e deseja essa mudança, esse congresso é um exemplo disso.

“Viva como se fosse morrer amanhã e faça agricultura como se fosse viver para sempre”. Josan Clay – WWF

Contribuições do público participante:

-      Jovem diz que a produção orgânica não usa agroquímicos, mas também, muitas vezes não respeita princípios de conservação ambiental. Afirma a necessidade de fortalecimento da agricultura familiar e da agroecologia.

-    É claro que o estado burguês não quer reconstruir a soberania alimentar. O poder hegemônico constrói uma cortina de fumaça e agrega os dois termos: segurança alimentar e soberania, sendo que há grande diferença nos conceitos, não podem se apropriar da palavra.

-   Um estudo do Pronaf tinha a missão de inserir o campesinato no agronegócio e essa não é a saída!

-      O Frei Sérgio ao ser questionado sobre ideologias de gênero, diz seguir sua visão religiosa. Acredita no princípio do evangelho de amar uns aos outros, independente das definições de gênero. A sociedade como um todo, independente dos posicionamentos de ideologia, precisa de um novo encantamento com a natureza.

-       O camponês precisa se apropriar do campo, precisar revalorizar e mudar a ótica do campo. O que o capitalismo fez foi desvalorizar essa visão para ter massa trabalhadora a baixo custo nas indústrias urbanas e periurbanas. Dessa forma, ganhou espaço no campo para o latifúndio.

-  Na luta contra o golpe a juventude e as mulheres foram as maiores expressões com protagonismo em defesa da ocupação pública. Assim, diversidade sexual não pode ser discutida sem também discutir o perfil das mulheres e das relações raciais.

-    O preço mais alto dos produtos orgânicos considera as dimensões sociais e ambientais, que não são consideradas nos custos dos produtos convencionais.

 

Facilitação Gráfica:

Notícias:

http://agroecologia2017.com/campesinato-e-soberania-alimentar-na-america-latina-e-tema-de-debate-no-x-congresso-de-agroecologia

http://www.cloc-viacampesina.net/portugues/brasil-campesinato-e-soberania-alimentar-na-america-latina-e-tema-de-debate-no-x-congresso

*** Participe da construção da memória do congresso! Registre suas impressões e sugestões no campo de comentários abaixo. ***

#AT31 – Juventude, Educação e Agroecologia: Desafios para a permanência das Juventudes no Campo e Sucessão Rural

Juventud, Educación y Agroecología: Desafíos para la permanencia de las Juventudes en el Campo y la Sucesión Rural

Dia 13 | 10h00 – 12h00 | GUEROBA | #Agroecologia2017

Responsável(is): Mônica Bufon Augusto (CONTAG); Elisa Guaraná de Castro (UFRRJ); Natália Faria de Moura (Prefeitura de Sete Lagoas-MG); Coordenador: Giuseppe Bandeira (GT de Juventudes da ANA)

Arquivos: 

Carta dos Movimentos de Juventude do Campo

Apresentação Natália Faria

Relato:

Atividade de exposição e discussão sobre Juventude, Educação e Agroecologia: panorama geral dos avanços e desafios existentes com jovens no campo e sua permanência. Fundamentou-se nessa mesa a importância da temática  devido ao contexto histórico de saída dos jovens do campo e a desvalorização das atividades rurais, sendo uma grande ameaça para a vida digna no campo.

Mesa composta por Guiseppe Bandeira, Elisa Guaraná, Natália Faria, Mônica Bufon e Diana Hahn. Compartilharam seus estudos, pesquisas e vivências com a juventude no campo e posteriormente abriram para troca com o público. A metodologia adotada inicialmente foi o “cochicho”, onde pequenos grupos (de até 10 pessoas) foram formados para diálogo do tema e, posteriormente, intervenções gerais dos participantes para todos os presentes.

Contribuição inicial de Guiseppe Bandeira:
Guiseppe Bandeira, integrante do GT de Juventude da ANA e ABA coordenador da mesa, deu abertura com a leitura da Carta dos Movimentos de Juventudes do Campo, das Florestas e das Águas, elaborada em 2016, em favor do direito da juventude construir nos territórios rurais suas vidas e o campo que se deseja. A carta ressalta pontos estratégicos para estruturação de um Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural que promova oportunidades de autonomia dos jovens na área rural, coerentes com suas demandas.


Natália Faria de Moura:
Natália, geógrafa, atua com a juventude rural do Estado de Minas Gerais e comunidade Quilombolas. Ela compartilha a sua experiência com a pesquisa desenvolvida, em 2015, em um local que vive uma transição agroecológica, na região norte da Zona da Mata (MG). O objetivo da pesquisa foi sistematizar reflexões sobre a permanência e protagonismos da juventude no campo. “Quais os motivos que levam os jovens a ficar? A maioria dos estudos se desenvolve a partir dos motivos de saída dos jovens e não o contrário” constata a pesquisadora.  Ela concedeu voz e escuta aos jovens para pontuar os fatores que os atraem ao campo. O que atraem os jovens, geralmente, também, é o que repulsa, as conclusões apontaram, de forma geral.

Os fatores predominantes da permanência são: alcance de autonomia financeira; autonomia para desenvolver os projetos no campo; oportunidades de vivenciar experiências de educação no campo; o acesso às políticas públicas e as formações em feminismo.

Os fatores predominantes de repulsa são: a falta de autonomia financeira e na propriedade; busca por outras formações profissionais; dominância da monocultura e falta de direito à terra. As mulheres possuem maior dificuldade de permanência, pois não há autonomia e condições de se manter no campo. Às vezes os jovens possuem vontade de permanecer no campo, mas com outros modelos de atuação que não sejam diretamente manejo da terra, mas se entendendo como sujeito do local capaz de transformações.

Elisa Guaraná:
Elisa, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRRJ), com experiência na área de sociologia e antropologia com ênfase rural. Inicia questionando o que é sucessão rural e seus desafios. Afirma a necessidade de se pensar um novo modelo de sociedade distinto do construído. Num panorama geral dos últimos 15 anos é perceptível a construção de uma juventude forte em que a atuação é um ato político. Houve, também, um processo de reconhecimento social da juventude rural com entendimento de juventude diversa, do campo das águas e das florestas.

Foram citados alguns marcos importantes nessa construção da juventude. Dentre eles alguns esforços que tiveram peso no governo Lula/Dilma, como o Planapo (Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica); Pronara (Programa Nacional para Redução do Uso de Agrotóxicos), REUNI (Reestruturaçao e Expansão das Universidades), Decreto de Educação do Campo, Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural e Decreto Nacional de Sucessão Rural.

Todo esse amadurecimento de 15 anos culminou em avanços significativos como reconhecimento social da juventude respeitando a diversidade de gênero, racial e de etnia com uma formação da primeira geração de jovens do campo como atores políticos, que devem se fortalecer e continuar a realizar essa luta.

Elisa reforça também os fatores negativos que não avançaram nesse período. Como o preconceito existente nas áreas urbanas com jovens que permanecem na área rural, o contexto histórico de formação dos pais desses jovens do campo, desvalorização por parte da família e da comunidade, ausência de autonomia e participação na gestão familiar, ausência de uma política integrada e nacional.

O desafio atual, após o golpe na política com redução drástica no orçamento para as políticas rurais, é avançar no reconhecimento social da agricultura familiar como uma estratégia para agroecologia.  

Mônica Bufon e Diana Hahn, Contag:
Monica Bufon, secretária de Jovens trabalhadores e trabalhadoras rurais e Diana Hahn Diretora de Juventude da Contag do Rio Grande do Sul. As duas como representantes da Contag fizeram uma apresentação em conjunto devido a uma limitação física de voz da palestrante Mônica.

Na exposição de ideais foi colocado que um dos desafios dos projetos de agroecologia é considerar a diversidade de etnias, povos tradicionais, regionalismo e também, a diversidade ambiental do país. A força da juventude do campo aponta desafios diferentes da agricultura familiar. Atualmente, há um interesse cada vez maior da juventude nos espaços de campos e nas políticas publicas.

Muitas barreiras são evidentes, barreiras que travam a efetivação das políticas, como exemplo, o Plano  Nacional de Juventude e Sucessão Rural que, apesar da existência, está paralisado. Há necessidade de retomá-la para sua consolidação.

Um novo modelo é capaz de influenciar a forma de produção e comercialização dos alimentos que seja protagonista em contraposição ao modelo dominante. Para atingir um grau de alcance e consciência dos jovens para a visão agroecológica deve-se investir nos processos de educação. Mesmo com o cenário atual de redução de orçamento, a juventude deve cobrar seus direitos, deve ser um canal de comunicação.

Uma estratégia seria promover a realização de campanhas de divulgação, congressos e espaços de diálogos entre as pessoas para alcance do reconhecimento social da agricultura familiar.


Dinâmica do Cochicho:
Nessa atividade houve formação de grupos com até 10 pessoas, para diálogos e compartilhamento de experiências. Foi perceptível uma grande interação do público. Não sendo possível compilar as trocas de todos os grupos. Abaixo segue relatos de pequenos trechos de alguns grupos.

Entre as contribuições dos pequenos grupos surgiram questionamentos:

- como conquistar a juventude do campo, levando em conta as dificuldades burocráticas e falta de recursos?

- como incidir e lutar pelos direito a terra, e no processo de empoderamento das comunidades?

Foi exposta a afirmativa de que a luta atual das jovens do campo e da cidade é pela sobrevivência

Entre as experiência compartilhadas segue o relato de uma jovem do Instituto Federal do Sul de Minas e membro do MST, filha de agricultores que cursou pedagogia, mas depois teve acesso ao movimento e hoje se entende como parte desse processo, optando por retornar aos estudos e cursar agronomia. Ainda sofre muito preconceito da comunidade, dos professores, sentindo resistência até mesmo dos pais que são agricultores que não possuem renda proveniente diretamente de sua terra e trabalham em outra fazenda para ter renda.

Também foi apresentada a experiência de uma pesquisadora que compartilha a solução aplicada com uma comunidade de agricultores do estado de Tocantins. A estratégia utilizada para acessar os jovens locais foi usar a comunicação, com estímulo para os jovens divulgarem as atividades agroecológicas realizadas na comunidade. Nesse processo houve o reconhecimento do valor das atividades no campo, valorização das origens, mesmo se a escolha for distinta.

Perguntas, reflexões e contribuições da Plenária:

- Experiência do Mato Grosso do Sul: “meus avós eram do meio rural e tiveram que vender a terra e os meus pais também foram pra cidade, mas há três anos voltou para o meio rural, e o jovem teve q sair para cidade tentar a vida, hoje é serralheiro, mas está desempregado, e o desejo é voltar para o campo, luta para comprar uma terra”.

- Jovem do Maranhão graduado em pedagogia da terra e educação do campo acredita que a ausência de uma educação contextualizada no campo construiu uma imagem de retrocesso dos camponeses. O essencial é construir uma imagem de pertencimento para fortalecer o novo modelo, respeitando a diversidade e pluralidade de ideias e aptidões no campo, com introdução de cultura, lazer e outros.

- Jovem do Acre, servidora do ICMBio,  acredita que saída do jovem para a cidade é um desafio mundial  deve-se lutar pelos espaços com tomada de decisão; o jovem é faixa etária com maior criatividade, com potencial de criar soluções e colocar em prática.

- O jovem necessita enfrentar a crise após o golpe, o governo cortou os recursos. Por isso, importante pensar formas criativas e cotidianas para além do estado e ampliar o diálogo entre todos.

-Participante questiona e provoca todos ao indagar: “cadê a luta da juventude? Não tenho visto os jovens fazer a diferença pelo futuro que desejam”.

- Em resposta a colocação anterior, uma jovem afirma que a juventude tem lutado, está ocupando os espaços que têm por direito, que provocações são necessárias para que os jovens levantem sua voz.

Em coro os jovens finalizam atividade com um grito de guerra e reafirmam sua luta: #Juventude e agroecologia! #Alutaétododia !

Foto da atividade:

 

Facilitação Gráfica:

*** Participe da construção da memória do congresso! Registre suas impressões e sugestões no campo de comentários abaixo. ***

#AT2 – Boas Vindas e Caminhos do Congresso

Bienvenida y Caminos del Congreso

Dia 12 | 9h00 – 9h30 | AUDITÓRIO IPÊ AMARELO  | #Agroecologia2017

Responsável(is): Mariane Vidal (Presidente do Congresso de Agroecologia 2017); Silvana Bastos (ISPN)

Relato:

Silvana Bastos, coordenadora do Time de Programação e Metodologia do Congresso, apresentou a proposta do evento, sua organização e programação. O congresso foi organizado ao redor de 13 temas geradores que dialogam com o lema “Agroecologia  na transformação dos sistemas agroalimentares da América Latina: memórias, saberes e caminhos para o Bem Viver”.

O 13º tema "Memórias e História da Agroecologia" é abordado de forma transversal em diversos momentos, inclusive, na construção interativa da linha do tempo da agroecologia. O Congresso adotou inovações metodológicas com práticas participativas com objetivo de ampliar a troca de saberes e construção coletiva das atividades. Os participantes poderão contribuir na elaboração dos relatos, no mapeamento de suas iniciativas e na facilitação gráfica. O evento conta, também, com programação aberta ao público para interação, diálogos e construção de saberes sobre o tema, como a Feira de Agroecológica e da Sociobiodiversidade, Caminhos do Saber, Feira de Troca de Sementes Criolas e Feira de exposições.

Notíciashttp://agroecologia2017.com/pela-vida-na-terra-agroecologia-inicia-o-x-congresso-de-agroecologia-em-brasilia/

*** Participe da construção da memória do congresso! Registre suas impressões e sugestões no campo de comentários abaixo. ***

#AT1 – Mística de Abertura – Memórias da Agroecologia

Mística de Apertura – Memorias de la Agroecología

Dia 12 | 8h30 – 9h00 | AUDITÓRIO IPÊ AMARELO  | #Agroecologia2017

Responsável(is): Movimentos sociais e Tereza Correia (AGE)

Relato:

A abertura oficial aconteceu de forma calorosa, com o auditório Ipê-Amarelo lotado. Diversidade estampada nos rostos, o espaço vazio estava preenchido com burburinhos e expectativas para uma semana cheia de troca de saberes. Sucedeu com algumas apresentações.

- Vídeo de abertura referindo-se a 30 anos de Agroecologia em 3 minutos: Intercala lideranças políticas conservadoras e manifestações indígenas, movimentos sociais, como MST, que são duramente reprimidos.

- Declamação de poema, por Teresa Cristina Moreira Corrêa, sobre agroecologia e a união com propósito de proteção e fortalecimento do meio ambiente.

- Mística dos movimentos sociais: Atores entre a plateia fizeram discurso em coro contra o agronegócio, seguido de canção pelo direito à terra, culminando com a entrada de vários Movimentos Sociais com suas bandeiras levantadas, cantando em coro o grito pela terra. Movimentos representados na marcha: Movimento de Pequenos Agricultores - MPA; Confederação Nacional de Trabalhadores Rurais Agricultores e Agriculturas Familiares - CONTAG; Comissão Pastoral da Terra - CPT; Marcha das Margaridas; Movimento Sem Terra - MST; La Via Campesina; Movimento da Juventude; Pastoral da Juventude Rural; Movimentos de Atingidos pela Mineração; Movimento LGBT sem terra; Levante Popular - LGBT; Movimento Camponês Popular; Movimento das Mulheres Camponesas - MMC; Movimento dos Atingidos por Barragem; Coordenação Nacional da Articulação das Comunidades Quilombolas - CONAC; Conselho Indigenista Missionário - CIMI; Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro - CONTRAF. Todos presentes no palco declararam o motivo da luta fundiária, falta de paz, grito de guerra por uma terra que não falha e é sagrada.  Em defesa pela Agroecologia, como uma necessidade de todos!

Jorge Luís e Ane Gabriela, representantes da Brigada de Agitação e propaganda Carlos Marighela do MST, declamaram a poesia Homens da Terra de Vinicius de Moraes. Plateia ovacionou a apresentação. Seguido de um coro geral de #FORATEMER!

 

Facilitação Gráfica:

Notíciashttp://agroecologia2017.com/pela-vida-na-terra-agroecologia-inicia-o-x-congresso-de-agroecologia-em-brasilia/

*** Participe da construção da memória do congresso! Registre suas impressões e sugestões no campo de comentários abaixo. ***