#AT112 – Palestra de encerramento

Conferencia de clausura 

PLENÁRIA FINAL E MESA DE ENCERRAMENTO

PLENARIA FINAL Y CLASURA

Avaliação e Mística de Encerramento

Evaluación y Mística de Cierre

Dia 15 | 15h00  – 18h00|  AUDITÓRIO IPÊ AMARELO | #Agroecologia2017

Documentos

Cartas

Carta Agroecológica do Cerrado

Carta Agroecológica da SOCLA

Moções

Apoio ao CEDAC

Denúncia ao pacote do veneno: Por uma Política Nacional de Redução de Agrotóxicos

Repúdio às práticas patriarcais, machistas e racistas

Live de Encerramento #VICONGRESSOLATINOAMERICANO #XCONGRESSOBRASILEIRO #VSEMINARIODODFEENTORNO#AGROECOLOGIA2017#AGROFLORESTADOFUTURO

Опубліковано Agrofloresta do Futuro 15 вересня 2017 р.

 

Relato:

A mesa de encerramento do Congresso de Agroecologia contou com a participação da camponesa colombiana Eudaly Giraldo. Ela expôs a experiência da sua comunidade frente aos impactos do narcotráfico e dos conflitos armados. Eudaly fala que mesmo diante conflito territorial “não abandonamos o território”.

A mesa também contou com o depoimento de Fabrício Sousa Pereira, representante da Juventude da Crítica Radical do Brasil. Fabrício inicia seu depoimento dizendo que “ o sinal não está fechado para nós que somos ..

Fabrício também traz a experiência do projeto Sítio pela Emancipação, em Cascavel, no Ceará, que desenvolve uma prática diferente do modo de produção capitalista. “(…) lá, a gente desenvolve nossa experiência há quatro anos, e nesses quatro anos, tudo que a gente produz, a gente não vende. A gente compartilha. A gente também não usa a palavra troca, porque a palavra troca significa valor”. Com essas palavras, Fabrício pontua que “há a possibilidade de construirmos uma relação social diferente”. Fabrício finaliza sua fala dizendo: “fora Temer, fora capitalismo, fora todos”.

Encerradas as falas da mesa de encerramento, Mariane Vidal, presidente da comissão organizadora do Congresso, continua com a cerimônia de encerramento. Chama ao palco, para a composição da mesa da plenária final do Congresso, a presidente da ABA, Irene Cardoso, a presidente da SOCLA, Clara Nicholls, o coordenador da secretaria executiva da CIAPO, Marcos Pavarino e o secretário executivo da CNAPO, Rogério Neuwald.

Em seguida, MST faz uma homenagem ao Congresso de Agroecologia através de um vídeo com a música autoral de Bartô Lima, acampado do assentamento 8 de março, em Planaltina/DF.

Vídeo do MST em homenagem ao CBA. Música do artista popular Bartô Lima, acampamento 8 de março - Planaltina/DF.

Passado o vídeo, Mariane convida Altamiram, representante da Caravana Internacional do Matopiba (Brasil, Estados Unidos, Holanda, Suécia, Alemanha, Argentina, Nicarágua), para fazer um depoimento. Em seu depoimento, Altamiran denuncia a situação das famílias, do estado do Piauí, na luta pelas suas sementes e práticas agroecológicas frente ao agronegócio. Altamiran faz um convite as pessoas ali presentes para ajudarem a denunciar “a barbárie que vem acontecendo naquele estado”, onde há “um verdadeiro genocídio da cultura daquele povo...” enfatiza.

Logo depois, o espaço de fala é cedido para Katia Braga, da EMBRAPA, que lê a moção de apoio, aprovada por unanimidade pelos participantes do Congresso, ao pleito do Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Cerrado (CEDAC). A moção trata do despejo do Centro Nacional de Agroecologia “Dom Tomas Balduino” instalado, em regime de comodato, numa área de uma fazenda pertencente à Embrapa. A moção solicita ao presidente da Embrapa, Dr. Maurício Lopes “que atenda ao pleito da entidade e que assine um novo comodato ou que na pior das hipóteses, assine um Programa de Desocupação da Área em prazo suficiente para que o CEDAC possa transferir todo seu acervo e material biológico para uma nova área...”

Realizada a leitura da moção, Mariane chama ao palco Bruno Carli, da Argentina, para fazer uma reflexão sobre o descarte do lixo produzido no Congresso.

Prosseguindo a solenidade, Leonardo Melgarejo fez a leitura da “Moção de denúncia ao pacote do veneno: Por uma Política Nacional de Redução de Agrotóxicos”, que denuncia as ameaças de retrocessos no marco legal de agrotóxicos no Brasil. A moção ainda chama a sociedade para apoiar e lutar pela aprovação da “Política Nacional de Redução de Agrotóxicos, por meio da assinatura da plataforma #ChegaDeAgrotóxicos, do acompanhamento da tramitação do projeto de lei 6.670/2016 e da pressão sobre os deputados.

Já Paulo Petersen leu a “Moção em defesa da agenda de agroecologia da Embrapa”.

Em seguida Letícia Jalil, coordenadora do GT ABA, e Sarah L. Moreira foram convidadas para lerem a Moção de Repúdio “às práticas patriarcais, machistas e racistas expressas e reforçadas em alguns espaços que não consideram as mulheres e sua contribuição na construção da história e da memória da Agroecologia”.

“Lutamos por uma ciência crítica, descolonizada, despatriarcal, anticapitalista, antirracista, antilesbofóbica, antihomofóbica comprometida com a transformação da sociedade e a construção de novos paradigmas”, enfatizam Letícia e Sarah.

Suzana Pariane prossegue com a solenidade, denunciando a situação de repressão de mulheres e indígenas na Argentina.

Logo depois, Romier Sousa é convidado para ler o abaixo-assinado em apoio ao PRONERA. O abaixo-assinado destaca que “O Pronera é um programa que surge como demanda dos movimentos sociais e sindicais, como parte de um projeto de nação para o país, com forte potencial de redução da desigualdade por meio da educação, formação e consequente oportunidade de condições equânimes, entre os sujeitos do campo e da cidade”. Foi solicitado que o programa não sofra nenhum corte orçamentário. Romier ressalta que a garantia das condições para o fortalecimento do Pronera é “uma aposta estratégica de perspectiva de futuro para o Brasil”. “Educação não é mercadoria/Fora Temer”, assim Romier finaliza a leitura do abaixo-assinado.

Depois dessa leitura, o auditório Ipê Amarelo recebe o cortejo “Ciranda Mão na Terra” realizado pelas crianças que participaram do Congresso. A presidente da comissão organizadora destaca que a “Ciranda recebeu muitas crianças dos participantes do Congresso, recebeu várias escolas, foram várias oficinas de reciclagem, de mudas, de hortas… que alegria ver essas crianças falando e praticando agroecologia...” Ela aproveitou também para agradecer às coordenadoras e monitoras das oficinas.

Depois do cortejo, Mariane abre espaço para os anúncios dos próximos congressos da ABA e da SOCLA. Com a presença de representantes de movimentos sociais no palco do auditório Ipê Amarelo, foi anunciado que Sergipe/Nordeste sediará, em 2019, o próximo Congresso Brasileiro de Agroecologia. Foi destacado durante o anúncio que a região nordeste possui um reconhecido trabalho no campo da agroecologia. Em seguida, foi anunciado que Quito/Equador sediará o próximo congresso da SOCLA.

Feitos os anúncios, Clara Nicholls lê a Carta Agroecológica da Socla direcionada à América Latina.

Depois, Mariane convida Irene e Romier para lerem a Carta Agroecológica do Cerrado que “sintetiza nossas discussões e expressões de RESISTÊNCIA e LUTA no campo agroecológico e serve de alerta à sociedade para as graves ameaças que hoje comprometem a garantia da soberania e segurança alimentar e os demais direitos da humanidade e seres vivos e os bens-comuns, incluindo a terra, a água e a biodiversidade, rumo ao bem-viver”. A carta também reafirma que: “Sem democracia não há agroecologia” / “Sem Reforma Agrária e respeito aos territórios dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais não há agroecologia” / “Agricultura urbana é a luta e resistência da Agroecologia nas cidades” / “ Sem agroecologia não há soberania alimentar”/ “Sem políticas de construção do conhecimento não há agroecologia” / “Sem educação não há agroecologia”.

Em seguida, o guarani Mirim Dju pede direito à fala e pontua que “ a gente teve muita dificuldade, mesmo em ambientes em que se preza pela natureza. A nossa fala... a gente fica muito restrito a ambientes informais”. Mirim ainda destaca a pouca participação de seu povo no Congresso: “Aqui se alguém sabe sobre a natureza dessa terra, que hoje se chama América, são os nossos ancestrais”, enfatiza. Mirim também solicitou maior abertura e incentivo para a participação indígena no Congresso: “A gente vem aqui solicitar e reivindicar, marcar e auto-demarcar nossa presença massiva diante de uma abertura, com apoio político, logístico e financeiro para trazer o nosso país aldeados pra cá (…)“Então por isso, a gente pede encarecidamente maior apoio por parte do Congresso Brasileiro de Agroecologia para dar o devido respeito à consciência que estar aqui a mais de 500 anos lutando contra esse sistema de transação”, enfatiza.

Terminada a fala de Mirim, acontece uma intervenção artística de um homem fantasiado de pássaro.

Depois da intervenção, Mariane passa a palavra a Marcos Pavarino, coordenador da secretaria executiva da CIAPO. Marcos parabenizou a ABA, SOCLA, a comissão organizadora do Congresso e ressaltou o apoio do INCRA. “São espaços e momentos como esses que nos fazem resistir e reafirmar: viva a agroecologia, viva os povos e comunidades tradicionais, viva os povos indígenas, viva a agroecologia”, finaliza o coordenador. A plateia grita “Fora Temer”.

Logo em seguida, Mariane Vidal inicia o discurso de encerramento do Congresso. “Não tínhamos noção de como seria tudo, até vermos tudo funcionando. Vivo! E que congresso vivo! Que energia! Que vibração! Que alegria! Todas as nossas incertezas de como humanizar todo esse concreto, foram mais que superadas com sua energia, sua participação e seu apoio! As pessoas não queriam sair daqui! E nós não queremos ir embora!”, disse a presidente da comissão organizadora. Depois dessas palavras, Mariane destaca que o “Congresso de Agroecologia de Brasília foi todo um êxito” e levanta alguns dados sobre o evento, dentre eles:

- O congresso contou com a participação de 4230 participantes inscritos de 25 países: foram 1625 estudantes, 779 agricultores, 764 público geral, 189 parceiros institucionais, 134 agentes de ATER/ATES e 81 expositores;

- Argentina, México, Colômbia, Chile, Equador e Uruguai foram as maiores delegações estrangeiras do congresso;
- 375 foi o número de voluntários que trabalharam mais de 16 horas nas diversas frentes do evento;
- 450 camponeses do campo unitário participaram do congresso;
- Foram disponibilizadas mais de 150 vagas pela rede de hospedagem solidária, 240 leitos de alojamento e 2000 vagas de acampamento.

Em seguida, Mariane chama ao palco Luiz Carraza e sua equipe, da Central do Cerrado, para falar sobre a alimentação agroecológica do evento. Luiz destaca que “ é possível a agricultura familiar ocupar os espaços que geralmente são ocupados pelas empresas, cheio de produtos industrializados, com agrotóxicos, conservantes”. “Os alimentos não foram só do campo, mas da cidade também”, enfatiza Luiz. Ao encerrar os seus agradecimentos, Luiz passa a palavra para Rose, líder do grupo de mulheres da Central do Cerrado. Em sua fala, ela destaca a preservação do meio ambiente, os produtos que trazem benefícios que antes não eram valorizados e o “ combate às coisas transgênicas que prejudicam a população”.

Em seguida, Mariane traz mais dados sobre o congresso:

- Foram realizados 20 formatos macros em termo de metodologia e pelo menos 5 grandes inovações: rio do tempo, exposição da memória do congresso por meio de painéis gráficos, relatos populares em rodas, caminhos do saber, relatoria colaborativa, além do fortalecimento e consolidação da feira agroecológica e da sociobiodiversidade.

Mariane agradece ao time de metodologia do congresso e chama ao palco Tatiana Espíndola, uma das coordenadoras da equipe. Tatiana agrade aos voluntários do time e chama o público para “alimentar a relatoria colaborativa e ocupar o blog”.

Mariane prossegue com a apresentação dos dados sobre o congresso:

- A comunicação do congresso contou com a participação de pelo menos 28 redes de profissionais dos movimentos sociais e instituições públicas;
- A programação cultural contou com a apresentação de 13 grupos;
- Mais de 1500 pessoas visitaram a feira agroecológica só nos dois primeiros dias;
- A feira de sementes crioulas contou com 77 guardiãs (indígenas, quilombolas, extrativistas).

A presidente da comissão também agradeceu a comissão técnica-científica que avaliou os trabalhados apresentados no Congresso. Destacou o ato público realizado pelos congressistas “que marcaram posicionamento de luta perante às injustiças e retrocessos da nossa atual conjuntura”, enfatiza.

Mariane agradece às instituições apoiadoras, parcerias e à comissão organizadora do evento. Agradeceu também à ABA e SOCLA.

Em seguida, a palavra é cedida para a presidente da ABA que comunica que a associação elegeu uma nova diretoria no dia 14/9/2017. Depois desse comunicado, a palavra é passada ao novo presidente da ABA, Romier Paixão.

O congresso é encerrado com um comunicado sobre o FAMA 2018: Fórum Alternativo Mundial da Água.

Relatoria: Maíres Barbosa e Valber Matos

Foto da atividade:

Crédito: Cleber Silva

Vídeo de Apresentação da SOCLA

Notícias:

|Moção Feminista Repudia o Patriarcado|Mais de 600 pessoas assinaram a moção abaixo, apresentada à Plenária de…

Опубліковано Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) 15 вересня 2017 р.

 

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#AT64 – Painel III – Agrotóxicos, Transgênicos e Agrobiodiversidade

Panel III – Agrotóxicos, Transgénicos y Agrobiodiversidad

Dia 14 | 8h00 – 10h00 | AUDITÓRIO IPÊ AMARELO | #Agroecologia2017

Responsável(is): Eckart Boege (Universidade Veracruzana – México); Karen Friedrich (FIOCRUZ); Gabriel Fernandes (ASPTA); Coordenadora: Maria Emília Pacheco (FASE)

Arquivo:

Apresentação Gabriel Fernandes

Relato: 

Maria Emília Pacheco, coordenadora do painel, inicia a atividade convidando os palestrantes Eckart Boege e Gabriel Fernandes e a palestrante Karen Friedrich para subirem ao palco. Em seguida, fala da importância do painel: é um convite para um debate sobre o impacto dos agrotóxicos e transgênicos que afeta toda a cadeia alimentar”. 

Eckart Boege traz para o debate “a coexistência impossível entre o patrimônio biocultural, centros de origem e diversificação genética do sistema alimentar do mundo, e os organismos geneticamente modificados”.

Segundo Eckart, o México é o quinto país do mundo com mais diversidade biocultural. Já o Brasil encontra-se na primeira posição. Ainda de acordo com o palestrante, os povos indígenas da Mesoamérica deixaram como legado para o mundo a domesticação de mais de 200 espécies do sistema alimentar.

Como exemplo desse legado, Eckart cita o sistema Milpa como o laboratório mais importante da domesticação Mesoamericana, “que é invisibilizado pelo Estado mexicano e pela investigação científica”, afirma. O palestrante enfatiza o fato do México todo ser um centro de origem e diversificação genética do milho.

Durante sua apresentação, Eckart pontua as teses centrais do patrimônio biocultural, dentre elas: 

- Os camponeses, indígenas e afrodescendentes são, na América Latina, os guardiões da grande maioria dos recursos genéticos que conformam a agrobiodiversidade mundial.
- Os conhecimentos tradicionais são a memória biocultural da humanidade.

O palestrante ainda destaca “os efeitos do totalitarismo tecnocientífico da agricultura industrial (organismos geneticamente modificados - OGM)”, dentre eles:

- Destruição dos sistemas agrícolas tradicionais.
- Desprezo dos conhecimentos tradicionais, da diversidade biológica e da agrobiodiversidade.
- Geração de situações ambientais irreversíveis.

De acordo com o palestrante, os organismos geneticamente modificados oferecem riscos aos milhos crioulos, como a contaminação genética, e é categórico: “não pode haver uma coexistência entre os OGM e os milhos crioulos”.

Ao tratar da agricultura agroecológica e da diversidade biocultural, Eckart mostra que os níveis de biodiversidade regulam o funcionamento de ecossistemas e proporcionam serviços ecossistêmicos de significado local e global e segurança alimentar local. “Além disso, os sistemas de produção de alimentos têm uma maior eficiência energética”, destaca.

Karen Friedrich inicia sua contribuição trazendo o paradigma da regulação dos agrotóxicos no Brasil. De acordo com a palestrante, este paradigma se baseia nas seguintes premissas:

1. Agrotóxicos são necessários para a produção de alimentos
2. Empresas tem direito à ampla defesa dos seus produtos
3. Ineficiência dos espaços de participação social
4. Assimetrias de informações
5. Hipervalorização da tecnologia e do poder econômico
6. Neutralidade da Ciência
7. Linearidade da dose efeito, assumindo que existem níveis seguros de exposição

De acordo com Karen, essas premissas “são muito trabalhadas pela indústria” e implicam em alguns problemas, tais como, pouco espaço para a defesa da vida, baixa participação social nos processos decisórios, valorização da tecnologia em detrimento dos saberes tradicionais e na falsa neutralidade da ciência.

Karen também fala sobre o paradigma da toxicologia – trata-se da linearidade da curva dose e efeito. Segundo este paradigma, há limites seguros e risco aceitável para o uso de agrotóxicos, afirma. Contudo, a palestrante pontua que: “quem define esse aceitável é um grupo muito pequeno de pessoas” e que “não existem limites seguros e não existe risco aceitável para o uso de agrotóxicos”.

(…) o câncer é uma doença para a qual não existe um nível seguro”

Dessa forma, os agrotóxicos causam danos ao sistema hormonal dos seres humanos e há grupos populacionais mais vulneráveis, como gestantes e crianças, enfatiza Karen.

(...)tanto quem trabalha quanto quem come.”

Segundo Karen, os agrotóxicos estão presentes no trabalho, na mesa, no ambiente, no campo e na cidade. E causam doenças, mortes e suicídios através da ingestão da água e de alimentos. Além disso podem ser absorvidos pela respiração, pele, pelo leite materno e na gravidez, enfatiza. 

A agroecologia é melhor prevenção das doenças causadas pelos agrotóxicos”.

Sobre os efeitos ambientais dos agrotóxicos, ela destaca a contaminação na água que se consome dos rios e aquíferos. 

Karen também pontua que “a utilização de sementes transgênicas resistentes ao glifosato também aumentou o uso desse herbicida no Brasil e em outros países”.

A palestrante ainda trata das limitações e fortalezas da regulação atual do uso de agrotóxicos. “Resultados de estudos apresentados pelas indústrias sendo avaliados pela ANVISA E IBAMA, testagem de um único agrotóxico pelas indústrias para determinar as quantidades que podem estar nos alimentos, na água e no ambiente”, são exemplos dessa limitação, afirma Karen. 

No que se refere às fortalezas, Karen afirma que “os municípios e estados podem ter leis mais restritivas e até proibir agrotóxicos permitidos no Brasil. ANVISA e IBAMA podem vetar registro”, dentre outros. Contudo, “o Projeto de Lei do veneno que defende a pulverização aérea de locais habitados para controle de arboviroses, quer acabar com as fortalezas da legislação”, pontua Karen.

Gabriel Fernandes complementa “as empresas e setores que falavam que precisávamos de agrotóxicos para combater a fome, são as mesmas e os mesmos que dizem que os transgênicos preservam a natureza”. 

De acordo com ele, a fome persiste e está aliada aos problemas decorrentes da má alimentação: “promessa feita lá atrás não se realizou e não teria como se realizar”.

O palestrante ainda destaca que a expansão dos transgênicos ocorreu na década de 1990, marcada pela mudança do contexto global e introdução de uma nova tecnologia. Além disso, o poder do Estado foi reduzido pela globalização neoliberal em detrimento do poder das empresas, afirma Gabriel. 

De acordo com ele “esse modelo neoliberal de globalização introduziu um regime global de proteção intelectual que o Brasil vai incorporando em sua legislação e depois criando suas próprias leis”. 

Esse modelo, destaca Gabriel, foi responsável pela revolução das relações sociais e de poder por meio das técnicas: “os genes se tornaram uma mercadoria”.

Facilitação Gráfica:

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#AT43 – ESPAÇO DE CO-CRIAÇÃO: perspectivas e estratégias de resistências para a Agroecologia

ESPACIO DE CO-CREACIÓN: perspectivas y estrategias de resistencias para la Agroecología

Dia 13 | 14h00 – 16h00 | SALÃO VEREDAS | #Agroecologia2017

ATIVIDADE CANCELADA

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#AT12 – Feminismo e agroecologia: mulheres em luta contra a Violência sexista, o capitalismo e o patriarcado

Feminismo y agroecología: mujeres en lucha contra la violencia sexista, el capitalismo y el patriarcado

Dia 12 | 14h00 – 18h00 | BARBATIMÃO | #Agroecologia2017

Responsável(is): Miriam Nobre (SOF – Sempre Viva Organização Feminista e MMM – Marcha Mundial das Mulheres); Maria Verônica Santana (MMTR-NE); Luiza Cavalcante – REGA; Verónica Vazquez – COLPOS/AMA-AWA; Michela Calaça (MMP); Coordenadora: Sarah Luiza de Souza Moreira

Relato:

Quem de nós, a cada instante, na rua, em casa não se sente violentada?”
Luiza Cavalcante, REGA e CBA-17

Michela Calaça - MMP inicia sua contribuição apresentando dados sobre a violência contra a mulher no Brasil: “a cada uma hora 503 mulheres são agredidas, 13 mulheres são assassinadas por dia e de 3 a 5 jovens dizem ter sofrido violência a cada 24 horas”.

Ela pontua que esses são dados importantes para dar visibilidade ao que acontece com as mulheres: “Contudo, quando se trata da mulher do campo, esses dados dizem pouco: as mulheres do campo não estão representadas nesses números.” E segue destacando que a violência contra a mulher não é um fato isolado, é uma violência sistêmica e funcional a forma da sociedade - capitalista. “As dimensões da violência contra a mulher podem ser percebidas na não valorização da produção das mulheres, na destruição dos territórios, na construção de barragens. Dessa forma, é importante entender o sistema capitalista para enfrentar a violência”.

De acordo com ela, no caso da destruição dos territórios, a primeira vida que muda é a das mulheres. “Atingir o território atinge diretamente o corpo e a vida das mulheres: estupro, prostituição, patriarcado e racismo estão imbricados no sistema capitalista. O papel da agroecologia é superar as contradições que esse sistema nos tem imposto.”

O enfrentamento ao capitalismo é cotidiano.

Michela destaca que o momento atual no Brasil é “temeroso para as mulheres” e que “o golpe foi contra todas as mulheres”. Ela afirma que o exemplo disso foi o fechamento da SPM (Secretaria de Politicas para Mulheres) que paralisou o enfrentamento à violência. E no que se refere ao impacto do golpe no campo, pontua que “as reformas trabalhista e previdenciária inviabiliza a existência de mulheres no campo”.

E a conversa continuou com Verônica Santana, agricultora agroecológica que trouxe a experiência do MMTR-NE no enfrentamento da violência contra a mulher. Antes de falar da atuação do movimento neste enfrentamento, a palestrante, em diálogo com o tema da mesa, pontua que o avanço do neoliberalismo vem precarizando a vida e levanta o seguinte questionamento a todas as pessoas presentes:  “se a vida no neoliberalismo não é uma coisa importante, imagina a vida de uma mulher”?

Ela também pontua que a culpabilização da mulher em torno da violência é muito forte e afirma que na maioria dos casos a companheira não denuncia, não chama a polícia. Para mudar o quadro de silenciamento cita a necessidade de: apostar na construção de políticas públicas, união com outros movimentos sociais, cobrar o orçamento público e ir para as ruas.

Em relação à aposta na construção de políticas públicas, ela lança uma problemática: “Não há estatísticas sobre a violência no meio rural. Dessa forma, é preciso dar o olhar do rural para as políticas públicas. Além disso, há de se pensar em outras estratégias de enfrentamento. Uma delas e muito importante, é o fortalecimento das mulheres a partir de rodas de compartilhamento de experiências e relatos. Lá as mulheres constroem seus questionamentos e passam a não se culpabilizar nem apontar outras mulheres pela violência sofrida. Dessa forma, é preciso discutir as dimensões da violência: a violência também estar na desvalorização do trabalho das mulheres....Temos que enfrentar muitas armadilhas”, como exemplo: colocar a causa da violência na outra, a mesma coisa é pensar que “ se eu não apanho, não sofro violência...”

Verônica Santana encerra sua fala dizendo que “nós mulheres precisamos cuidar umas das outras” e que “enfrentar o patriarcado é enfrentar a violência todos os dias”.

“A nossa luta/É todo dia/Somos mulheres/E não mercadoria”. Sarah Luiza

Verônica Vázquez, mulher, mexicana, feminista e acadêmica. Trouxe para a roda o caso da construção do Aeroporto Internacional da cidade do México. Mostra que essa grande obra, como todas, veio acompanhada da expropriação de terras, controle sobre os territórios e sobre os corpos principalmente das mulheres e meninas. 

Sobre a violência contra as mulheres, Miriam Nobre destaca que é preciso pensar sobre a espetacularização dessa violência na mídia e nas redes sociais e sobre como estabelecer processos de cura de todas nós: “o corpo é da mulher que vive uma situação de violência, mas todas nós sentimos”.

Ainda, segundo a palestrante, o capitalismo aliado ao patriarcado, racismo e colonialismo, é o fundador de uma lógica desigual e hierárquica que anula o outro. Ela afirma que o sistema capitalista desestrutura as comunidades para abrir os seus territórios para o capital. E conclui dizendo que a agroecologia vem como uma forma de tecer as comunidades e vínculos para defender os territórios.

“A violência contra a mulher não é o mundo que a gente quer/ Se tem violência contra mulher a gente mete a colher.” Sarah Luiza

Luiza Cavalcante, mulher, negra, agricultora agroecológica e feminista. É assim que ela inicia sua contribuição, dando luz à máxima de que o fundamentalismo religioso é um elemento importante que vem aplaudindo a violência. Fala também de uma violência sutil apresentada em espaços públicos em que os homens ditam os espaços das mulheres. Ela ressalta ainda que as mulheres do campo são as que sofrem mais violência acadêmica. Justifica que elas têm seu conhecimento sistematizado e arrebatado pela academia e instituições, sem o devido retorno.  Em seguida ela encerra dizendo que o papel da agroecologia é desmantelar e desestruturar o capitalismo e o patriarcado.

Em seguida, Sara Luiza pede para as pessoas ficarem de pé, darem as mãos e cantar:

Pisa ligeiro/Pisa ligeiro
Quem não pode com as mulheres não assanha o formigueiro

Depois desta mística, a coordenadora da mesa abre o espaço para perguntas, colocações, compartilhamento de experiências e relatos. 

Relatoras: Maires Barbosa e Domênica Rodrigues

Foto da atividade:

Vídeo passado na atividade:

Facilitação Gráfica:

Mais informações

Feminismo é tema de debate no X Congresso de Agroecologia

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