#AT100 – Painel VI – Agroecologia e Resiliência às Mudanças Climáticas

Panel VI – Agroecología y Resiliencia a los Cambios Climáticos

Dia 15 | 8h00 – 10h00 | AUDITÓRIO BABAÇU | #Agroecologia2017

Responsável(is): Eric Holt-Gimenez (Food First-USA); Luis Vazquez Moreno (Instituto de Investigaciones de Sanidad Vegetal – Cuba); Tomás León Sicard (Universidad Nacional de Colombia – Colômbia); Aldrin Pérez (INSA); Coordenadora: Clara Nicholls (SOCLA)

Arquivos:

Apresentação Aldrin Pérez

Apresentação Tomás León Sicard

Relato:

No dia 15 de Setembro de 2017 às 8:00, no Auditório Babaçu do Centro de Convenções Ulisses Guimarães foi realizado no âmbito do VI Congresso Latino-americano de Agroecologia, o X Congresso Brasileiro de Agroecologia o Painel - Agroecologia y Resiliência a los Câmbios Climáticos, promovido pela Sociedade Científica Latino Americana de Agroecologia - SOCLA, com a participação de: com a participação de Eric Holt-Gimenez, representando a Food First, organização Estado-Unidense; Tomás León Sicard da Universidad Nacional de Colômbia – Colômbia e  Aldrin Pérez, representando o Instituto Nacional do Semiárido - INSA do Brasil . O pesquisador Luis Vazquez Moreno do Instituto de Investigaciones de Sanidad Vegetal de Cuba não pode comparecer em função da passagem do furacão Irma, pelo Caribe.

Clara Nicholls, faz a abertura com uma breve apresentação dos participantes e do objetivo da mesa dentro do Congresso, focando na importância da discussão sobre o papel da agroecologia na construção da resiliência dos sistemas agrários no contexto das mudanças climáticas.

Aldrin Pérez - Instituto Nacional do Semiárido - INSA

Aldrin Perez inicia sua fala dizendo que a questão das terras secas no Nordeste Brasileiro tem relação com uma visão baseada um passado ruim, de um lado e, por outro lado, a uma perspectiva de futuro melhor. E completa “com as eleições de Lula e de Dilma se construiu uma perspectiva de futuro melhor em contraposição ao passado ruim e nesse momento essa perspectiva de futuro está em crise”.

Aldrin segue na sua apresentação, descrevendo como se deu a construção da proposta de pesquisa “Estratégias Agroecológicas e Sociais de adaptação a mudanças climáticas e Desertificação no Semiárido Brasileiro” construída em parceria com a ASA.

Relata que construíram uma pesquisa popular com a ASA, para se estabelecer o estado da arte dentro das organizações de apoio aos agricultores para o desenvolvimento de estratégias de convivência com o semiárido. Identificaram uma série de indicadores estabelecidos com as famílias envolvidas na pesquisa. A partir da análise dos dados se construiu modelagens para entender as estratégias de convivência das famílias com o semiárido, incluindo as espécies mais utilizadas pelas famílias.

De acordo com Aldrin, a pesquisa identificou que as estratégias de captação e armazenamento de água permitiram a ampliação dos agro ecossistemas. Destaca que os sistemas de manejo de água no solo também se mostraram muito importantes, bem como a restauração das áreas de preservação permanente, reserva legal e arborização em geral de propriedades e o acesso a políticas públicas".

Aldrin ainda afirma que a pesquisa identificou também que todo o processo de desenvolvimento e disseminação de inovações para a convivência com o bioma tem uma profunda base cultural, associada ao funcionamento das organizações e ao fortalecimento das bases comunitárias de intercâmbio de conhecimentos e de aprendizagem. Por fim, diz que estão buscando identificar quais elementos devem ser potencializados para fortalecer esta perspectiva de construção de um futuro melhor.

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Eric Holt-Gimenez (Food First-USA)

Eric Holt-Gimenez inicia sua apresentação dizendo que a resiliência é uma questão em disputa e é uma prática social, que tanto pode contribuir para a ampliação das desigualdades, como para fundamentar processos emancipatórios. Fala ainda que gostaria de fazer uma propaganda de um livro chamado Terra fértil, que acabou de ser traduzido para o espanhol pela organização Food First, onde trabalha.

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Eric, retoma sua fala dizendo os intercâmbios são uma das práticas mais importantes do movimento campesino a campesino na América Central, por onde trabalhou durante mais de dez anos. Relata que começaram a perceber que as propriedades dos agricultores envolvidos no movimento, se recuperavam de forma muito mais rápida dos impactos de desastres climáticos como furacões, que são muito comuns na região da América Central, e estão se tornando cada vez mais intensos e recorrentes

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Em função dessas observações, Eric comenta que resolveram fazer um estudo envolvendo agricultores de quatro países da América Central sobre a resistência e resiliência dos sistemas de produção dos agricultores envolvidos no movimento. “Neste processo, percebemos uma relação profunda entre vulnerabilidade, resiliência e sustentabilidade. O estudo provocou um grande impacto, pois foi apresentado a governos e se buscou, a partir de seus resultados, estabelecer negociações para a construção de políticas públicas que fortalecessem as estratégias de reconstrução das propriedades em bases agroecológicas”, afirma.

O palestrante ressalta que, durante os processos de negociações, percebeu que há uma disputa com um conjunto de instituições que defendem uma visão capitalista de resiliência, que, de acordo com ele, tentam apagar todas as relações de poder e o aspecto político dos processos. “Essas organizações têm muito poder na definição das políticas públicas e muitas vezes propõem processos de reconstrução em que se nega o papel da agroecologia e de qualquer forma de agricultura, priorizando por exemplo estratégias de geração de emprego através da implantação de unidades industriais ao invés do fortalecimento dos processos de autonomia dos agricultores e suas famílias.

Eric comenta que, durante os processos de negociação, potencializados pela pesquisa, foram levantados os aspectos que podem diferenciar uma resiliência de uma resiliência industrial. “Dessa forma podem-se propor políticas que potencializam as estratégias de ampliação da organização e da autonomia dos agricultores e estratégias de reconstrução e desenvolvimento, assim como a ampliação da resiliência que reduzam as condições das famílias estabelecerem o sentido de suas trajetórias de vida” conclui.

Tomás León Sicard (Universidad Nacional de Colombia – Colômbia);

A apresentação do Prof. Tomás Sicard enfoca principalmente os aspectos teóricos que fundamentam as relações entre a agroecologia e o ambientalismo e sobre as mudanças climáticas e a agroecologia. “A partir do pensamento ambiental vamos fazer uma reflexão, resgatando o pensamento do Prof. Augusto Ángel Maya, que se perguntou se nós seres humanos ocupamos ou não um nicho nos ecossistemas da natureza?” questiona.

Prof. Tomás Sicard comenta que o Prof. Maya chegou à conclusão que não ocupamos um nicho, mas que, em todo o desenvolvimento da nossa espécie, a partir da linguagem e da inteligência, desenvolvemos um processo complexo de adaptação chamado de cultura. Constata que é um processo ambiental de adaptação da espécie humana aos ecossistemas e que todos os efeitos das interações entre cultura e natureza se dão de forma tal que produzem os impactos, as contaminações, as mudanças no clima, a deterioração dos ecossistemas, etc. Afirma que, dessa forma a agricultura também funciona como um processo de interação entre cultura e natureza.

Ainda em sua fala, o Prof. Sicard, comenta que na Colômbia se passa de inundações para secas todos os anos. Diz que, dependendo dos sistemas de medição, é possível identificar, de forma mais ou menos evidente, as mudanças de longo prazo dos ecossistemas. Diz que as mudanças e a variabilidade climática são dois aspectos do clima bem diferentes, mas que ambos são muito importantes para os camponeses. Afirma que se as mudanças de longo prazo são identificadas, é possível preparar-se, mas se não são identificadas, não é possível preparar-se para enfrentá-las. Ressalta que as mudanças de longo prazo são, em geral, associadas a processos profundos de mudanças culturais, que influenciam o desenvolvimento de sistemas de medição.

Sicard comenta que há muitos séculos se tem notícias de sistemas de manejo de água, como a construção de canais e sistemas de armazenamento. O povo Zenu, do oeste da Colômbia, chegou a manejar mais de 800 mil ha de áreas inundáveis, com terraços e canais. Este e outros, como as vilas em palafitas são sistemas de adaptação às condições ambientais das diferentes regiões, destaca o palestrante.

Ele afirma que, há algum tempo, as áreas ocupadas pelos povoados têm se tornado vulneráveis aos impactos das mudanças no clima. Apesar disso, ainda existem vários sistemas em desenvolvimento que retomam os conhecimentos tradicionais para a constituição de sistemas produção e ocupação adaptados a áreas críticas.

Por fim o prof. Sicard, pergunta para a plenária "O que é a resiliência?". E responde em seguida:  “Resiliência não é um conceito neutro, mas está enraizado em contextos políticos, culturais, técnicos e de poder”. E dá o exemplo de uma pesquisa no município da Colômbia, onde viviam los Panches, que identificou, entre outras coisas, que um aspecto muito importante da resiliência é o cultural.

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Clara Nicholls - Presidente da SOCLA / Coordenadora da mesa

Clara Nicholls faz uma apresentação síntese em que traz elementos globais sobre as questões das mudanças no clima. Diz para “não esquecermos quem são efetivamente os responsáveis pela emissão dos gases que provocam as mudanças e que a emissão destes gases tem relação direta com o modelo capitalista e de hiperconsumo que caracteriza nossa economia e sociedade”.

Alega que os "Trumpstas" ou negacionistas não creem e muito menos discutem as raízes dos processos de mudanças no clima. “Para se contrapor a esse tipo de atitude a pergunta que fazemos na Red Iberoamericana de Agroecologia para el Desarrollo de Sistemas Agrícolas Resilientes al Cambio Climatico - REDAGRES é se: podem as mudanças no clima afetar a produção de alimentos?  E a resposta a essa pergunta fica cada vez mais evidente que é sim”. A Prof. Nicholls apresenta um conjunto de exemplos que confiram a resposta, no México, em Bangladesh e na África.

Afirma que muitos agricultores ao redor do mundo passaram a desenvolver inovações para se adaptar às novas condições produzidas pelas mudanças no clima. Traz novos exemplos na Colômbia e dos que praticam a zai no sahel africano, que desenvolveram sofisticados sistemas de manejo da água no solo para garantir as suas colheitas.

A Prof. Nicholls, ainda faz uma nova pergunta chave: A tecnificação melhora a adaptação às mudanças climáticas? E comenta que, se não entendermos o viés militante das ciências e a sua parcialidade, não conseguiremos responder esta questão de forma correta.

Por fim em sua fala, a Prof. Nicholls afirma que há muitos caminhos para a construção da resiliência. Diz que esses caminhos podem ser emancipadores, ou apenas reformistas, de forma que não dialogam necessariamente com as raízes dos problemas que geram as vulnerabilidades dos sistemas de produção. Neste contexto, ela afirma que devemos estar atentos aos diferentes aspectos dos agro ecossistemas que contribuem para identificarmos sua resiliência, sua vulnerabilidade, a avaliação dos riscos a que estão submetidos e a sua capacidade de resposta.

Perguntas e comentários do público.

-“O termo resiliência não está desgastado? E quanto tempo durou a pesquisa realizada pelo INSA, apresentada por Aldrin? ”

- “Ano passado 600 mil ha de florestas foram consumidos pelo fogo e os bosques nativos protegeram as propriedades. As estratégias de restauração com bosques nativos não deveriam ser consideradas para a ampliação da resiliência dos sistemas de produção? ”

- “A Reforma Agrária na Colômbia não está estagnada após os processos de negociação de paz estabelecidos entre o governo e as FARC? ”

- “O termo resiliência não seria um campo em disputa e quem estaria ocupando os lugares nesta disputa? ”

- “Apesar de o capitalismo negar as mudanças climáticas, há um campo de oportunidades abertas em que as empresas tentam se posicionar, como por exemplo o mercado de carbono, e que teríamos que tomar cuidado com as falsas soluções”.

Respostas dos membros da mesa:

Aldrin, do INSA, diz que a pesquisa continua e que eles levaram três anos para a construção da proposta. Concorda com a questão do participante e afirma que o termo resiliência em grande parte é um conceito cooptado, e que no caso deles trabalham com o conceito de "convivência com o semiárido".

O Prof. Sicard, afirma que “para nós, toda a propriedade privada na América Latina é ilegal, pois há muitos questionamentos jurídicos colocando em cheque o Tratado de Tordesilhas. O acordo de paz com as FARC, que estabelece a perspectiva de destinação de 3 milhões de hectares a Reforma Agrária em 10 anos, não terá condições de promover uma verdadeira reforma agrária, mas sim uma estratégia de desenvolvimento rural integrada à indústria, como as próprias FARC já vem afirmando”.

Eric comenta sobre a questão da resiliência. Diz que, em uma reunião, uma representante de uma importante agência de cooperação foi questionada pelos agricultores porque ela não propunha projetos de ampliação da resiliência para as grandes empresas bananeiras multinacionais que atuam na América Central? “Ou seja, para os grandes capitalistas oferecem capital e para os pobres oferecem resiliência despolitizada” destaca. Ainda comenta que o capitalismo está lutando com todas as suas forças para sobreviver nas condições insustentáveis que criou: “A privatização das sementes e a privatização do carbono são falsas soluções para manter vivo este sistema que está acabando com a civilização”.

Por fim, a Prof. Clara Nicholls, afirma que é necessário deixar claro quais são as raízes e as causas por traz das mudanças do clima e que a resiliência tem relação com aspectos sociais, econômicos, culturais e políticos e não apenas técnicos. Defende que os agricultores devem fazer suas opções por trilhar, caminhos que sejam reformistas, de transição ou transformadores.

E assim desfaz a mesa agradecendo aos participantes e aos palestrantes.

 

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#AT86 – Experiências de Construção do Conhecimento voltadas a públicos diferenciados na AL

Experiencias de Construcción del Conocimiento dirigidas a públicos diferenciados en AL

Dia 14 | 14h00 – 16h00 | ARARA CANINDÉ | #Agroecologia2017

Responsável(is): Makeda Dyese (Trinidad e Tobago/SERTA – REGA); Eliane Oliveira da Silva Kai (MST); Adriana Galvão Freire (ASPTA); Coordenador: Giuseppe Bandeira (ABA)

Relato:

No dia 14 de setembro na Sala Arara Canindé do Centro de Convenções Ulisses Guimarães em Brasília, realizou-se a mesa redonda sobre Experiências de Construção do Conhecimento voltados a Públicos Diferenciados na América Latina Coordenada por Giuseppe Bandeira da Associação Brasileira de Agroecologia - ABA, com a participação  de Makeda Dyese do Serviço de Tecnologia Alternativa SERTA de Pernambuco, substituindo Mônica Mendonça; Vanderlúcia  de Oliveira Simplicio, Coordenadora do Setorial de Educação do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e Adriana Galvão Freire que trabalha na ASPTA Paraíba - PB junto aos grupos de mulheres do Polo da Borborema.     

Guiseppe abriu a atividade resgatando os objetivos da mesa, que buscou apresentar as experiências de educação formal articuladas por organizações e instituições do campo agroecológico, que tem como ponto comum os públicos diferenciados como jovens e mulheres. Também resgatou deliberações dos processos de construção de diretrizes para experiências de educação formal inclusiva, promovidas pela ABA, como o I Seminário Nacional de Educação em Agroecologia I SNEA realizado em 2013 pela ABA em parceria com o Núcleo de Agroecologia e Campesinato - NAC da Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE em Paulista - PE, onde mais de 170 educadores, educadoras e estudantes de instituições de ensino e movimentos sociais realizaram vários debates e processos de aprendizagem coletiva, buscando a identificação e ressignificação de referenciais que orientam experiências concretas de Educação Formal em Agroecologia.


Acesse aqui o blog com os resultados do I SNEA


Makeda Smenkh-Ka-Ra educadora do Serviço de Tecnologia Alternativa - SERTA de Pernambuco - Brasil  

Makeda abre a fala apresentando um vídeo sobre o trabalho de educação do SERTA.

Acesse aqui o vídeo sobre a Escola Inovadora do SERTA


Após o vídeo, Makeda retoma a fala sobre a experiência do SERTA, apresentando-o como um portal onde se encontram as diversidades e se abrem possibilidades de desenvolvimento das pessoas. Disse ainda que o SERTA é uma Oscip, que se articula como uma institucionalidade e uma (in)institucionalidade, onde o não formal e o formal se misturam e se articulam no currículo explícito e no currículo oculto da instituição.

Disse  que se animou em estudar no SERTA, pois já era pedagoga, mas tinha interesse em vivenciar a pedagogia da alternância. Comentou que está se formando no próximo ano  e que tem vivenciado um tipo diferente de pedagogia, onde há uma diversidade real na base das ações, que vem de comunidades quilombolas, assentamentos e  comunidades tradicionais e cada vez vemos mais alunos das áreas urbanas.

Comentou que hoje são mais de 600 alunos estudando no SERTA e o apoio do governo não ultrapassa o necessário para manter  200. Os recursos são muito minguados e as contas são muito altas. Estamos aqui para propor parcerias e construir junto com vocês.

Para promover o processo de construção de conhecimento agroecológico, disse que tem feito um trabalho para que as pessoas construam sua história de vida e se coloquem como um ator na construção da agroecologia. Dentro da proposta metodológica,  depois vem a imersão, que é um momento de parceria total, muito abertura e muita intimidade, onde centenas de pessoas estabelecem um profundo processo de intercâmbio.

Chamou a atenção para o fato de que precisamos dar valor e conhecer nossas relações com nossa primeira casa,  que é nosso corpo e progressivamente temos que expandir nossa percepção para a nossa comunidade, para nossas organizações e para os ecossistemas naturais e sociais em que vivemos.


Vanderlucia de Oliveira- Setor de Ediucação do MST

Vanderlúcia, como coordenadora do Setor de educação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST substituiu Eliane Kai que não pode estar presente e falou sobre o que o Setor de Educação do MST vem discutindo e realizando no que se refere a educação para agroecologia. Disse que o trabalho do MST em relação a agroecologia já acontece a muitos anos e que  agora temos feito uma campanha junto às escolas rurais por alimentação saudável e valorização dos alimentos agroecológicos. 

Comentaou que para iniciar essa campanha foi realizado um diagnóstico sobre o que as famílias assentadas vem comendo. Daí percebeu-se que mesmo com o potencial produtivo das comunidades as famílias assentadas de uma forma geral ainda comem mal.

Disse que também vem realizando um grande esforço para a introdução da agroecologia como conteúdo transversal dentro de todos os cursos realizados pelo MST. Dessa forma passaram a discutir a agroecologia não como um conteúdo específico mas como referência para todas  as atividades e em todas as disciplinas. 

Complementou a fala dizendo que É nesse sentido é que temos marcado o nosso trabalho, valorizando não só a produção, mas os aspectos culturais, sociais e políticos dos processos educacionais orientados para fortalecer as ações das famílias, comunidades e organizações.  

Adriana Galvão Freire (ASPTA - Agricultura Familiar e Agroecologia)

Adriana se apresentou, como bióloga, que trabalha na ASPTA da Paraíba, junto ao movimento de mulheres, na região da Serra da Borborema, num espaço de articulação chamado Pólo da Borborema, que é uma região que articula 14 municípios no Agreste, região entre a Zona da Mata e o Semiárido do estado da Paraíba.

Inicialmente Adriana fez um resgate do início do trabalho da ASPTA com as mulheres na região, comentando que dentro dos princípios metodológicos desenvolvidos para se trabalhar o apoio às organizações do Polo da Borborema, uma das estratégias foi a assessoria para a constituição e o fortalecimento dos grupos de mulheres, que começaram a se formar a partir do trabalho de uma Comissão formada pelos Sindicatos para trabalhar as questões de saúde e educação. 

Assim seguiu sua fala dizendo que desde o início do trabalho da ASPTA na região, as mulheres começaram a participar, e que  nesse processo buscou-se identificar o seu papel e o papel do seu trabalho no contexto das propriedades da região, daí se projetou o espaço que elas chamavam de "arredor de casa", que é um espaço complexo e pluriativo onde se processa boa parte dos trabalhos femininos dentro da unidade familiar, e que apesar da clara importância desse espaço para a reprodução da família, muitas vezes a ele se destina a invisibilidade.

Luciana comentou seguindo sua apresentação, que foram feitas muitas atividades para se aprofundar o conhecimento sobre esse espaço e processos de diagnósticos e experimentação para se dar visibilidade e entender melhor os papéis das mulheres e de seu trabalho dentro dos sistemas produtivos. Nesse contexto foi-se desenvolvendo um conjunto de ações que contribuíram para formar uma rede de agricultoras experimentadoras. Hoje há uma rede consolidada de agricultoras experimentadoras envolvendo algo como 1.300 mulheres, em mais de 300 comunidades e 10 municípios. É essa rede que mobiliza a força do trabalho das mulheres no Polo da Borborema. 

Sobre essa etapa do trabalho Luciana disse, que  partir dessa rede e dos conhecimentos produzidos no âmbito da atuação das mulheres, foram se identificando necessidades de investimento em seus espaços de trabalho e oportunidades de financiamento e apoio, via políticas públicas por exemplo, que levaram à introdução de infraestruturas de armazenamento de água no "arredor de casa", infraestruturas estas que  contribuíram para potencializar a capacidade produtivas destes espaços e o fortalecimento de suas atividades econômicas e por fim da sua autonomia no contexto familiar.

Durante o trabalho Luciana comentou que foi se percebendo que a força do patriarcado ainda prendia as mulheres à cozinha e a partir desta constatação passaram a discutir os papeis das mulheres como lideranças comunitárias e como a agroecologia contribuía para abrir e fortalecer os caminhos e oportunidades para essas mulheres. Neste processo realizaram a sistematização da trajetória de de Wanda, uma mulher líder comunitária que passou por todos os problemas relacionados à preconceitos e opressão que as mulheres lideranças passam.  

A partir da experiência e da vida de Wanda, transformada em foto novela, se permitiu o debate e a reflexão sobre as raízes do machismo na agricultura familiar da região, e a sua vida e história serviram de reflexão para vários grupos de mulheres que refletiram sobre suas próprias vidas a partir das publicações feitas com a História de Wanda. A partir daí, se fortaleceu o papel do teatro na reflexão sobre o machismo e o patriarcado dentro do trabalho com as mulheres. Dessa forma foi produzida uma peça chamada a "Vida de Margarida" que depois se transformou em video-novela e em seguida foi produzida uma cartilha que também foi utilizada para se refletir sobre a condição das mulheres na região.

Luciana comentou ainda que em setembro de 2014 houve o assassinato de Ana Alice de Macedo Valentin, do município de Queimadas.  Ana Alice era militante do Polo da Borborema e no dia 19 de setembro de 2012, quando voltava da escola, foi sequestrada e barbaramente violentada. Seu corpo foi enterrado na Zona Rural do município de Caturité, só sendo encontrado 50 dias após o crime. E que após o desaparecimento da jovem, foi formado o Comitê de Solidariedade e pelo Fim da Violência Contra a Mulher Ana Alice, composto por mais de 30 organizações rurais e urbanas. Após isso criamos uma campanha pela justiça e pelo fim da violência contra mulher #PeloFimDaViolênciaContraMulher. 

Luciana disse que ao longo desses anos realizou-se um conjunto de manifestações chamadas de Marchas pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia que mobilizou dezenas milhares de mulheres na região, sendo realizada em vários dos municípios mais importantes do Polo. No último ano realizamos a 8ª Marcha das Margaridas em que houve uma dinâmica de multiplicação das Margaridas.

Assim Luciana encerrou a sua apresentação agradecendo a todos com um "Sem feminismo não há agroecologia"!!


Debate

Guiseppe abre a discussão e propõem uma metodologia para se promover o debate. Fica decidido que cada um faz a inscrição para falar.

Primeira pergunta:

Como estas experiências podem ser realizadas para ampliar o movimento da agroecologia em termos territoriais??

Vanderlúcia: O trabalho do setor de educação tem contribuído para a disseminação do trabalho em agroecologia do MST nos diversos territórios em que o movimento tem atuação, isso se dá principalmente pela capacidade dos estudantes em transformar em prática os conhecimentos produzidos nos processos formativos. 

Makeda: Para ela, os intercâmbios internacionais e interestaduais podem ajudar a se fazer a ampliação do trabalho.

Luciana: Para ela, a atuação em Redes, como os sindicatos e a Articulação do Semiárido - ASA, ajudam a expandir os resultados obtidos em um contexto para adapta-los para os outros.

Segunda pergunta:

Como fazer um tipo de educação que vá para além da produção e da técnica? A escola sozinha não transforma a sociedade porem sem a escola a sociedade não se transforma. Temos que valorizar a rede de educação agroecológica do NE, precisamos fazer de outra forma. precisamos nos conhecer, precisamos nos entender como atores neste contexto da atuação social e política e dos educadores e educandos no processo de construção de um novo conhecimento que avance para outras dimensões alem da dimensão técnica.

Makeda: Eu diria que primeiro devemos olhar para o currículo oculto, o sutil, o que se vivencia e o que se experimenta e depois para o currículo formal, valorizando a experiência temos como promover processos que valorizem as várias dimensões da aprendizagem.  

Vanderlucia: No MST, para nós a escola é fundamental, mas a escola precisa estar na comunidade, aberta à comunidade e não apenas um prédio no lugar. Estamos agora na formação da terceira turma de professores dos assentamentos para discutir as relações entre agroecologia e educação.

Luciana: Eu sou mineira e me encantei com o nordeste, no primeiro dia de trabalho, estávamos discutindo uma metodologia de trabalho para explicar o que era a silagem, ficamos construindo uma proposta, mas quando chegamos na propriedade o agricultor já tinha feito tudo, estava muito mais adiantado que a gente. Por exemplo, foi com elas que começamos a compreender o que é o "arredor de casa" e a partir disso transformamos a nossa ação e da nossa ação a realidade em que vivemos e trabalhamos. Ou seja precisamos apurar muito nossos ouvidos e ter muita sensibilidade para captar esses elementos que tem mais relação com a cultura, mas que tem relações profundas com a técnica. 

Makeda: Gostaria de retomar a questão da parceria, que tem a ver com o convite real da participação e da colaboração para a se colocar e contribuir em processos reais.
  
Terceira pergunta:

Prof. do IFG Formosa: A pergunta do outro camarada me levou a refletir sobre a necessidade de conversarmos mais sobre os nossos diferentes campos de saber e colocar os entendimentos para revelar mais de seus campos. A partir do debate sobre o feminismo, comecei a pensar que hoje vivemos uma era do slogan, em que as pessoas não estão querendo mais que dialogar e aprender mutuamente, estão muito interessadas em ganhar o debate tipo: lacrou!! Como as reuniões mistas de homens e mulheres contribuem para a promoção do debate verdadeiro lá na Borborema?

Luciana: Isso que você perguntou é bem legal, no início a participação das mulheres era muito menor, nos trabalhamos com um movimento sindical, que é muito machista, E a partir do trabalho com as mulheres, percebemos a importância de debater a questão do machismo e do feminismo de forma conjunta, com homens e mulheres, principalmente para garantir que o processo de mudança integre todos. Por fim no último ano tivemos a realização da marcha com 1500 mulheres, que inicialmente estava prevista para ter 3000 participantes, mas como não conseguimos recursos, a realizamos com o apoio dos Sindicatos, mas foi redesenhada para os sindicatos poderem bancar a marcha.

Vanderlucia: No MST temos realizado as cirandas feministas, envolvendo crianças, homens e mulheres para envolver as mulheres em todos os processos. O movimento também estabeleceu cotas de participação de mulheres em todas as suas instâncias de decisão, o que tem contribuido efetivamente para se incorporar a visão de inclusão de gêmeros em todos os processos decisórios do movimento. 

Palavras finais:     

Por fim todas agradeceram a participação no evento e a oportunidade de estarem naquela mesa e Guiseppe encerrou o debate.

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#AT67 – ESPAÇO DE CO-CRIAÇÃO: perspectivas e estratégias de resistências para a Agroecologia

ESPACIO DE CO-CREACIÓN: perspectivas y estrategias de resistencias para la Agroecología

Dia 14 | 10h00 – 12h00 | SALÃO VEREDAS | #Agroecologia2017

ATIVIDADE CANCELADA 

 

 

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#AT61 – Feira de Troca de Sementes Crioulas – Abertura

Feria de intercambio de Semillas Criollas

Dia 13 | 16h00 – 18h00 |  FEIRA | #Agroecologia2017

Responsável(is): Rogério Pereira Dias

Relato:

Às 16:00 horas do dia 13 de setembro, no palco central do Centro de Convenções Ulisses Guimarães,  Mariane Vidal, presidente da comissão organizadora do X CBA abriu oficialmente a Feira de Troca de Sementes do Congresso. Espaço dedicado ao intercâmbio de conhecimentos e sementes entre o público em geral e os Guardiões de Sementes, agricultores e agricultoras que, por meio de seu esforço e das organizações e movimentos a que estão associados, trabalham para a preservação da agrobiodiversidade brasileira e dos demais países participantes dos encontros. Mariane, na abertura da Feira, agradece a equipe responsável pela organização da atividade, Terezinha Dias e Jane Simoni, ambas pesquisadoras da Embrapa.

Terezinha assume a fala de abertura agradecendo a participação do Instituto Federal de Brasília - IFB, cujos alunos, como voluntários, participaram de toda a preparação da atividade e foram capacitados para atuar no apoio aos guardiões para que a feira alcançasse seus objetivos. Terezinha agradeceu em especial aos guardiões e guardiãs de sementes que se deslocaram de suas comunidades e países trazendo as sementes das espécies, e variedades que utilizam em seus plantios, para compartilhar com os demais participantes do Congresso. Em seguida Terezinha passa a palavra a Jane Simoni, outra das organizadoras da atividade.
Abertura com Terezinha Dias.
Jane Simone agradece a oportunidade de participar da construção da atividade dentro do Congresso. Fala do prêmio que será oferecido aos participantes da feira a partir dos  levantamentos que os voluntários estão fazendo junto aos Guardiões e Guardiãs. Logo em seguida convida Satyavan Sat, facilitador em agroecologia do Centro UNB Cerrado e membro da Rede Pouso Alto de Agroecologia da Chapada dos Veadeiros, sediada em Alto Paraíso GO.

Satyavan Sat agradece a oportunidade de participar do evento e dessa atividade em particular. Chama a atenção para o papel dos guardiões e guardiãs de sementes, da importância da conservação da agrobiodiversidade para a construção de uma agricultura mais sustentável e da necessidade de estes agricultores e agricultoras receberem mais apoio para realização dos seus trabalhos.
Troca de sementes
Jane Simoni convidou também Larissa, do Sítio Ecoflorestal do Núcleo Rural da Taquara, em Planaltina DF, onde cultivam frutas em sistemas agroflorestais. Larissa também faz a sua fala valorizando o papel dos guardiões de sementes, agradece a oportunidade de participar da atividade e deseja a todos boas trocas e abundância de vida.

Terezinha convidou Gabriel Romeu, permacultor e meliponicultor, guardião de sementes do DF, para fazer a sua fala. Gabriel ressaltou a importância das sementes como recursos e identidade para os seres humanos. Sugeriu que todos plantem, por menos espaços que tenham, “pois as sementes são recursos que quanto mais usamos mais estão disponíveis”, afirmou. Gabriel agradeceu também aos núcleos de guardiões de sementes do DF pela oportunidade de representá-los.

Terezinha convidou  Antônio Barbosa, coordenador do Programa Uma Terra e Duas Águas da Articulação do Semiárido ASA, para fazer a sua fala. Barbosa chama a atenção para o fato de que o espaço da pesquisa e da academia, durante muito tempo, negou que as sementes locais fossem realmente sementes. Ele ressaltou que a realização da Feira de Troca de Sementes no X CBA deve ser considerada como um marco, o momento em que a pesquisa e a academia passam a reconhecer o conhecimento ancestral e os conhecimentos tradicionais dos agricultores familiares como fundamentais para a construção de uma agricultura mais sustentável e resiliente. Dessa forma, Barbosa comenta “que as sementes do povo não são recurso genéticos. Semente, são identidade, cultura e vida”.
Antônio Barbaso da ASA
Em seguida, Barbosa faz agradecimentos a várias pessoas e instituições que contribuíram para o desenvolvimento do trabalho com sementes crioulas da ASA. Então, agradece a Silvio Porto, por ter iniciado o trabalho com sementes crioulas dentro da CONAB, de forma pioneira no Governo Lula. Agradeceu também ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES e à Fundação Banco do Brasil pelo apoio ao Programa de Sementes Crioulas da ASA. Comentou a importância da participação da Embrapa nesse debate e a abertura dos seus Bancos de Germoplasma para os agricultores e as comunidades tradicionais e povos indígenas.

Em seguida Terezinha Dias convida o estudante do Instituto Federal de Brasília - IFB, João Miguel, voluntário da atividade, a falar em nome dos estudantes. João agradece a oportunidade de participar da atividade e faz uma reflexão sobre a importância do descendente fértil em contraposição à tecnologia Terminator, que promove a esterilização genética de sementes, desenvolvida e utilizada por grandes corporações para inviabilizar a propagação de seus produtos pelos próprios agricultores.

Em seguida Terezinha convida Batista Krahô, representante do povo Krahô na Feira de Troca de sementes, para fazer a sua fala. Batista agradece a Catwêkwyj, deusa em forma de estrela que traz a sabedoria para a terra. Segundo a lenda, no começo do mundo, as tribos se alimentavam da caça, de frutos e de plantas coletadas na natureza. Um dia, a estrela se apaixonou por um jovem índio e transformou-se em mulher, a Catwêkwyj, que desceu à terra e ensinou as formas de cultivo, tendo início a agricultura. Batista faz um resgate da história das sementes tradicionais dos Krahô, que haviam se perdido. Com o apoio da Embrapa, foram resgatadas e hoje voltaram a ser parte fundamental da cultura e da vida nas aldeias.

Acesse aqui vídeo de parte da fala de Batista Krahô

Por fim, Dante Alfredo Hernandes, do SEDAS, organização do México que atua em agroecologia, faz uma a fala final agradecendo a todos os participantes da Feira e do Congresso, pela oportunidade de estar neste momento no Brasil e pela oportunidade de falar ao microfone, dando um grande viva à genética natural.
Guardiãs de sementes fazendo Intercâmbio

Facilitação Gráfica:

Notíciashttps://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/27142596/troca-troca-de-sementes-crioulas-celebra-a-biodiversidade

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