#AT105 – Construção Social de Mercados

Construcción de Mercados

Dia 15 | 10h00 – 12h00 | AUDITÓRIO JATOBÁ | #Agroecologia2017

Responsável(is): Sérgio Schneider (PGDR/UFRGS); Silvio Porto (ex diretor da CONAB – PAA); Andrea Zimmermann (CSA Brasil). Mediadora: Renata Navega

Arquivos:

Live de formas alternativas de comercialização dos produtos do seu SAF!!!! Construção social de mercados.Com Sérgio Schneider (PGDR/UFRGS) Silvio Porto (ex Diretor da CONAB -PAA)Andrea Zimmermann (CSA Brasília) e Renata Navega (CSA Brasília)#agroflorestadofuturo #congressoagroecologia2017 #xcongressobrasileirodeagroecologia #agroecologia2017 #agriculturasintrópica #CSA #CSABrasília

Posted by Agrofloresta do Futuro on Friday, September 15, 2017

Relato
A mediadora Renata Navega inicia a fala com a pergunta: O que te levou a estar na sala de construção social de mercados?

A atividade é discutida em dupla pelo público. Duas duplas comentam a resposta:

Alsimar e Daniela: destacam o encontro entre o agricultor de cabras e a vigilante sanitária; comentam as barreiras institucionais da pequena agricultura; sua expectativa é saber como o produto artesanal chega à mesa do consumidor.

Rodrigo e Fabiano: demonstram preocupação com a agricultura orgânica e a burocracia do selo de orgânico; têm expectativa de conhecer mais sobre o tema e compartilhar o que sabem.

Sergio Schneider: – Professor de pós-graduação em Desenvolvimento Rural da UFRGS

O palestrante inicia sua fala com uma exposição acerca dos diferentes conceitos de mercado:  mercado como espaço físico (espaço de compra); mercado como destino comercial (um lugar para o qual alguém envia um produto que será comercializado) e mercado no sentido abstrato (como aparece nos telejornais). Afirma que quando se fala em mercado, pensa-se em sociedades mercantilizadas (sociedades ocidentais com valores de uso e de troca, mercados impessoais) e não-mercantilizadas (sociedades indígenas, sociedades antigas, troca direta); Sérgio passa por esses conceitos para chegar à definição de mercados (no plural) e trazer clareza de que existem diversas formas de troca (mercados) e que o capitalismo é apenas uma forma.  Ressalta que o capitalismo é baseado no individualismo, livre compra e venda e concorrência enquanto as trocas podem também ser centradas na reciprocidade (igualdade, comunitarismo, solidariedade, parentesco, cooperação) e na redistribuição (centralidade, hierarquia, etc.). Traz então a definição de mercado como: “Relação social entre dois agentes cujo sentido é satisfazer os interesses econômicos ou outro através da troca”. Passa rapidamente pelas definições de mercado das teorias clássicas para chegar ao mercado como construção social que tem a seguinte origem: resistência e/ou oposição aos mercados hegemônicos; exclusão – social/econômica; luta social e luta por autonomia. Aponta as seguintes características dos mercados imersos “socialmente construídos”: as interações – com Sociedade/Mercado e com o Estado funcionam com distintividade – por produto, por processo, por lugar produzido; há atuação em redes – relações com consumidores; baseados na territorialidade e identidade social dos atores; atuam em forma de cadeias curtas; formalidade e informalidade andam juntas. Em seguida, o palestrante dá exemplos de mercados imersos (os socialmente construídos) e segue para uma classificação (dele mesmo) com cinco tipos de mercado: 1-O personalizado; 2- Personificados - face-a-face, fair trade; 3-Proximidade- feiras, sacolão; Institucionais- licitação, leilão, edital; 4-Centralizados -integradoras, cooperativas; e os 5-Convencionais - atravessador, comércio.

Ele finaliza colocando algumas questões e perigos para o debate atual:

- Forte insistência e tendência nos canais locais de comercialização dos produtos agroecológicos. “Por que eles devem estar inseridos somente nos mercados locais”?

- Restrições e tentativas de evitar canais tradicionais como o supermercado. “Será que não”?

- Tendência geral de feiras diretas (porta a porta) ou pela internet como principais canais de venda de produtos agroecológicos.

- Localismo: ele afirma que o sujeito cria o local e os novos entrantes são barrados sugerindo localismo defensivo e não democrático. “O local tem limites, sobretudo o tamanho da demanda. Se eu discutir a produção orgânica somente para os mercados locais impeço o crescimento dos produtores...não espraia os produtos para além do local, não se discute o alcance da agroecologia. Existe uma questão entre aumentar a oferta e crescer a dependência: crescer ou ficar como está”?

- Como fugir dos nichos – elitização do consumo via renda.

- Interfaces dos mercados agroecológicos. “Com os outros mercados pode haver coexistência”?

Sílvio Porto – Consultor Internacional em Segurança Alimentar

O palestrante inicia a fala afirmando que as relações de mercado são relações de poder que estão conectadas a um sistema agroalimentar, diferenciando assim mercado capitalista de regime capitalista. Explica o Codex Alimentarius, código que determina o padrão de alimentação e consumo que foi aderido por 187 países e que embora, a adesão seja voluntária, é obrigação dos países signatários adotarem as medidas no interior das suas respectivas legislações.  Em seguida, mostra alguns dados sobre o lucro de supermercados no Brasil. De acordo com os dados apresentados por Sílvio, esse setor movimenta R$ 315 bilhões de reais por ano (dessa soma, 2/3 pertencem a três empresas – Carrefour, Wallmart e Pão de Açúcar). Ressalta que um dos princípios do mercado neoliberal é a autorregulação: “talvez isso sirva para o capitalismo, mas, não para os mercados sociais”. Afirma que pela autorregulação cada um deveria ter as possibilidades de escolha para permitir que se constituíssem os códigos, os padrões; traz a Rede Ecovida como exemplo. É particularmente crítico à inserção da produção agroecológica e de orgânicos nos supermercados. Acredita que deixa de ser uma construção agroecológica e passa a ser uma relação mercantil. “É importante avaliar o nível de subordinação que as organização e associações se colocam” ressalta. Questiona quais são essas relações e qual é o contrato que o supermercado está estabelecendo com esses produtores. Enfatiza que se três grandes redes representam o que circulam no mercado alimentar (entre outros produtos) há um poder muito grande no sentido de formar hábitos e desestruturar economias regionais. “Como são então as relações com uma pequena cooperativa de leite, ou quem fornece frutas e hortaliças?”, pondera. Acredita na descentralização como um elemento para construir novas dinâmicas, na aproximação entre atores (produção e consumo), nas relações de confiança e de reciprocidade, na relação de proximidade (saber de onde vem e quem produz o alimento), mesmo que ele seja consumido à distância e, por último, na autonomia.

Andreia Zimmerman: agricultora e membro da CSA (Comunidade que sustenta a agricultura) Toca da Coruja, Lago Oeste, DF:

A palestrante narra um pouco da sua trajetória pessoal e de forma bem didática (a partir de charges e outras imagens) coloca como a escassez de recursos pode levar à construção de uma rede de pessoas que buscam se orientar de forma diferente par solucionar problemas. Define o CSA como uma comunidade que reestabalece a conexão em uma lógica da abundância pelos princípios da cooperação, solidariedade, empoderamento, respeito, confiança e satisfação mútua de necessidades. Traz um pouco da história dos CSAs no mundo dizendo que não necessariamente os CSAs fortalecem a agricultura familiar e a produção orgânica: “isso é algo que acontece no Brasil”, afirma. Explica o funcionamento de um CSA na prática: procura por um agricultor que levanta o custo de produção; o agricultor ganha o quanto ele acha justo e o quanto o grupo acorda contribuir; ele apresenta tudo que pode organizar e plantar e se compromete com um prazo; o termo de compromisso é firmado entre 6 meses e 1 ano; é necessário aceitar os produtos de alimentos da época; é pactuado entre o grupo arcar com um custo compartilhado dos riscos; o valor é definido antecipadamente  o valor é negociado na cota. Ela ressalta que são definidas também as cotas sociais – quem pode pagar mais e quem não pode pagar esse valor. Enfatiza que é uma comunidade que se estabelece em cooperação. Há um trabalho voluntário para organizar as atividades da comunidade como colheitas semanais e entrega de uma cesta com cerca de dez itens em um ponto de convivência. Aponta que a proximidade da terra e das relações que se estabelecem também influencia na formação da comunidade. “Cada comunidade cria sua escultura social”, afirma. Por fim, Andrea levanta os desafios dos CSAs:

- Formar comunidade, que requer vínculo, dedicação e tempo do estabelecimento do vínculo, para as pessoas descobrirem o que as aproximam.

- Compromisso e rotina de longo prazo. “Às vezes esse formato não se adequa à rotina da pessoa. Se ela não cozinha em casa, quando e como vai cuidar dos produtos? Assim, a rotatividade na comunidade se torna um desafio”, pondera.

- Produzir com a variedade necessária 12 meses por ano: sazonalidade x expectativas.

- Internalizar a cultura do apreço. “As pessoas ainda estão na transição e têm dificuldade de sair da relação de consumidor para co-agricultor.

- CSA não é a solução para todos os agricultores e para toda a produção. “Às vezes o agricultor vai estar na feira, produzindo... tem outros fornecedores para abastecer”.

- CSA não se adequa a todas as pessoas. Há diversas formas de comércio justo e solidário.

Foto da atividade:

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#AT92 – Análise Financeira e Ambiental Integrada de Sistemas Agroflorestais

Análisis Financiero y Ambiental Integrado de los Sistemas Agroforestales

Dia 14 | 14h00 – 17h00 | AUDITÓRIO PEQUI | #Agroecologia2017

Responsável(is): Andrew Miccolis (ICRAF); Marcelo Arco-Verde (Embrapa Florestas); Luciano Mansor de Mattos (Embrapa Cerrados); Ray Pinheiro Alves (UnB); Coordenador: Patrícia Bustamante (Embrapa)

Responsáveis pela atividade: estamos ansiosos para publicar seus materiais aqui, mas precisamos de sua permissão. Basta enviar para o endereço eletrônico  relatosagroecologia2017@itbio3.org a mensagem:

Concordo com a disponibilização do(s) material(is) apresentado(s) por mim na atividade #AT92 – Análise Financeira e Ambiental Integrada de Sistemas Agroflorestais no blog https://relatosagroecologia2017.itbio3.org/atividades/   e concordo  com o termo de uso do blog relatosagroecologia2017.itbio3.org/atividades/termo-de-uso/”.

 Materiais adicionais (fotos, relatos vídeos etc.) são muito bem-vindos na mensagem.

 

 

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#AT91 – Controle Social como Mecanismo de Garantia da Qualidade Orgânica

Control Social como Mecanismo de Garantía de la Calidad Orgánica

Dia 14 | 14h00 – 17h00 | AUDITÓRIO JATOBÁ | #Agroecologia2017

Responsável(is): Romeu Leite (Fórum de SPGS); Wareaiup Kaiabi (ATIX – Xingu); Yaiku Suya (ATIX – Xingu); Coordenador: Rogério Pereira Dias (Instituto Agroecologia)

Responsáveis pela atividade: estamos ansiosos para publicar seus materiais aqui, mas precisamos de sua permissão. Basta enviar para o endereço eletrônico  relatosagroecologia2017@itbio3.org a mensagem:

Concordo com a disponibilização do(s) material(is) apresentado(s) por mim na atividade #AT91 – Controle Social como Mecanismo de Garantia da Qualidade Orgânica no blog https://relatosagroecologia2017.itbio3.org/atividades/   e concordo  com o termo de uso do blog relatosagroecologia2017.itbio3.org/atividades/termo-de-uso/”.

 Materiais adicionais (fotos, relatos vídeos etc.) são muito bem-vindos na mensagem.

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#AT89 – Avanços e limites da institucionalização na Agroecologia

Avances y límites de la institucionalización en la Agroecología

Dia 14 | 14h00 – 18h00 | AUDITÓRIO BABAÇU | #Agroecologia2017

Responsável(is): Eric Holt-Gimenez (Food First-USA); Manuel González de Molina (Universidad Pablo de Olavide – Espanha); Cláudia Schmitt (ABA); Coordenador: Paulo Petersen (ABA)

Relato:

Relato elaborado por Marcos Lima e Luisa Correa


O objetivo da atividade foi refletir sobre os desafios, avanços e limites da institucionalização da Agroeocologia de forma a captar e analisar o que Paulo Petersen (ABA), coordenador da mesa, chamou de ciclo de institucionalização: um processo de coprodução das políticas públicas que envolve o Estado, a academia/pesquisa e a sociedade civil. A mesa, portanto, visou um debate não exatamente sobre os instrumentos de políticas, mas sim uma reflexão em torno da interação entre a esfera da prática da Agroecologia, o Estado e a ciência/academia. A atividade abarcou a exposição de cada um dos palestrantes e a interação com o público em formato de perguntas.

Eric Holt-Gimenez é integrante do centro de investigação Food First, que compõe o que Instituto de Políticas Públicas para Alimentação e Desenvolvimento, cujo objetivo é gerar informações e análises acerca de políticas públicas. Ele iniciou sua fala questionando para quem se constrói as políticas de Agroecologia e chamou atenção para o fato da Agroecologia não ser apenas um método, mas uma forma social. Frisou, ainda, que as políticas públicas delineiam questões de poder e que a esfera pública envolve diferentes decisões advindas de diferentes grupos, redes, sindicatos, camponeses, etc.

No atual contexto, Holt-Gimenez diz que há um avanço da governança do regime neoliberal corporativo que estrutura o sistema alimentar, o que implica no aprofundamento da dependência do Sul global em um cenário de complexificação das cadeias alimentares comparativamente aos regimes alimentares anteriores (Colonial e Imperial). Agora, há uma tendência de retirada constante do Estado da vida pública, de privatização das empresas estatais e da intensificação da sobreposição da ideologia de mercado em relação à ideologia social paralelamente a menor governança do Estado, destaca.

Isto posto, a questão central colocada por Holt-Gimenez, e considerada por ele o problema mais difícil no momento, foi como avançar com políticas públicas se há diminuição da esfera pública e um contexto de reacionarismo? Com quem vai se dialogar e fazer demandas se não o Estado? Se antes os partidos e instâncias/organizações populares demandavam políticas do Estado, hoje se torna cada vez mais difícil essa dinâmica devido à redução do espaço público onde se podem colocar as demandas da sociedade, constata.

Assim, Holt-Gimenez afirmou que é fundamental, nesse momento, defender a esfera pública, desde o Estado à própria sociedade, inclusive mediante ações autônomas como, por exemplo, criação de mercados autônomos e solidários. Eric frisou a relevância desse tipo de articulação e afirmou que “a Soberania Alimentar e a Agroeocologia são duas bandeiras importantíssimas” frente o atual contexto político, tanto no Brasil como nos Estados Unidos, seu país de origem, onde considera que tenha ocorrido o avanço de uma construção de caráter fascista nos espaços públicos.

Já Cláudia Schmitt (CPDA/UFRRJ), embasou sua fala em experiências de pesquisa e na perspectiva da Ecologia Política em torno da transição para a sustentabilidade. Pontuou que a discussão da questão ambiental hoje generaliza em dois pontos centrais: de um lado, para as mudanças climáticas e para questões relacionadas ao uso do solo como grandes problemas globais e, de outro, para um conjunto de soluções e novas tecnologias projetadas e criadas por um grupo de cientistas.

“Nessa perspectiva, parte-se do pressuposto de que deve haver uma adaptação às mudanças climáticas, em especial da agricultura, colocando a própria mudança climática como elemento externo e a-histórico. Trata-se, portanto, de uma visão gerencialista da transição para uma sociedade sustentável, onde se deve traçar um conjunto de ações, políticas e tecnologias que possibilitem a condições de sustentabilidade. Contudo, essa visão não engloba questões fundamentais como os processos de colonização, as distintas naturezas e culturas em questão, os modos de vida, as assimetrias entre Norte e Sul global, dentre outros elementos. Assim, a tecnologia é colocada como elemento suficiente e central de solução dos problemas ambientais.

Dentro desse contexto, a Ecologia Política contribui trazendo um olhar para as relações de poder e chama a atenção para os diversos modos de vida e para a construção de outro tipo de problematização. Dessa forma a Agroeocologia se torna um elo fundamental como contraponto ao discurso que a coloca com insuficiente ou ineficiente frente às necessidades futuras de oferta de alimentos. Essa mesma visão, que diminui a Agroecologia, coloca como central a capacidade de oferta em detrimento de um olhar voltado para o funcionamento do sistema como um todo e para as contradições do sistema agroalimentar”, afirma Cláudia.

Isto posto, Schmitt enfatizou a importância de se situar a Agroecologia como uma perspectiva que disputa a possibilidade de pensar a transição do sistema agroalimentar dentro de um conjunto maior de abordagens que apresenta diversas nuances. Esse conjunto englobaria, dentre outras concepções:

- intensificação sustentável da agricultura;

- agricultura climaticamente inteligente;

- intensificação ecológica da agricultura;

- agroecologia.

Nesse contexto macro, as contradições em torno da institucionalização da Agroecologia se tornam bastante relevantes. Um exemplo dado por Schmitt foi o Cadastro Ambiental Rural, um instrumento relacionado à institucionalização da Agroecologia que contraditoriamente serve como instrumento de grilagem e apropriação de terras no Brasil, acredita.

Schmitt também afirmou que a Agroecologia atua em vários campos/espaços onde sua institucionalização se dá, como a política pública, os modos de vida, os movimentos sociais, a pesquisa/campo do conhecimento, dentre outros: “Esses vários campos interagem e se conflitam: um exemplo é a criação de políticas públicas voltadas a nicho de mercados e que estão embasadas no campo do conhecimento. Assim, os movimentos sociais se chocam com a institucionalização da Agroecologia, por exemplo, nesse caso, devido à criação de regras e normas, significados, valores, definição de atores, atribuição de identidades, parâmetros de aferição e uma série de outros elementos”.

Schmitt frisou, ainda, a queda de recursos disponibilizados tanto para a Agricultura Familiar como para a Agroecologia no atual cenário (como PAA, ATER, reconhecimento e indenização de territórios quilombolas, etc).

Nessa perspectiva Schmitt afirmou que é importante um olhar para as dinâmicas de institucionalização desde a perspectiva dos territórios e da história das redes de Agroecologia nos territórios, a exemplo da rede Zona da Mata (MG). A palestrante fez um apanhado histórico e panorâmico da criação de articulações e arranjos feita pela rede desde a década de 1970/1980, pontuando que o tecido de arranjos foi se tornando cada vez mais complexo e que é importante compreender isso no atual cenário, chamando atenção para o fato de que a desconstrução de políticas não significa necessariamente a desestruturação da Agroecologia.

“Como refletir sobre a Agroecologia, portanto, em um contexto que envolve, de forma geral, dois grandes movimentos: a disputa de narrativas e a abordagem institucional que estreita mercados, cria certificações e exclui agricultores mediante regras e normas do modelo dominante e, ainda, um forte movimento de desinstitucionalização”. Schmitt finalizou sua fala dizendo que o caminho é uma leitura crítica e uma visão estratégica sobre os processos de institucionalização e sobre a violência e perda de direito aliadas a uma dinâmica de articulações dentro da Agroecologia em defesa dos bens comuns e das lutas emancipatórias.

O palestrante Manuel González de Molina, vinculado ao Laboratório de História dos Agroecossistemas da Universidade Pablo de Olavide, começa sua palestra destacando que o regime alimentar industrial se encontra numa situação de colapso devido aos impactos sobre os recursos naturais. Essa situação foi constatada por diversos organismos internacionais, afirma. Para Molina é consenso que este modelo não pode se manter no médio e longo prazo. A partir dessa constatação, questiona: Se existe essa necessidade de mudar, por que isso não acontece?

Molina aponta a existência de vários fatores que criam obstáculos à mudança. Dentre eles, destaca: a) Marco institucional desfavorável ; b) A ação dos lobbies e oligopólios (Bayer, Monsanto, Dupont, Syngenta e BASF); c) As limitações das alternativas agroecológicas. Sobre esse último obstáculo o palestrante ressaltou alguns aspectos como a fragmentação (múltiplas pequenas experiências de produção e consumo), os custos comparativos mais altos, a ausência de estruturas de distribuição e as estruturas de distribuição que existem são hostis a esse tipo de produção/produtores. Além disso, o consumo de produtos orgânicos ainda é reduzido e apresenta grandes dificuldades para generalizar os preços, constata. Contudo, o elemento central dentre esses obstáculos é o Marco Institucional, ressalta.

O Marco Institucional foi definido, segundo Molina, como um conjunto de regras e normas que regula as relações. É quem estabelece a regra do jogo e o seu funcionamento. Essas regras podem ser escritas ou não. Contudo elas regem as relações sociais. No caso da agricultura, orienta a produção, o intercâmbio, a distribuição, o consumo de produtos agrícolas, dentre outros aspectos. O palestrante também ressaltou que esse Marco também condiciona a alocação de bens e serviços por meio de uma hegemonia. Nesse sentido, Molina chamou atenção para três aspectos: a) A autoregulamentação do mercado (relação de poder); b) Linguagem de valorização monetária que não considera as externalidades da produção; e c) Função baseada na concorrência e não na cooperação (raiz do lucro).

Molina explica que “o Estado detém o monopólio de regular dessa atividade porque tem a competência de fazer essas regras e normas. Assim, a produção agroecológica sofre obstruções devido ao conjunto de regras estabelecidas no âmbito do Estado. Isto pode ser involuntário e envolve toda a propriedade devido as normas que determinam a forma, o modo de produzir e a comercializar. Essas normas operam e pressionam a dependência do mercado. Além disso, abrange todos os processos de produção, distribuição e consumo. Assim, o Marco Institucional cumpre duas tarefas. Ele tanto estabelece as regras do jogo da dieta dominante como facilita sua operação. Com isto, ocorre o bloqueio que impede ou dificulta que os regimes alternativos ganhem escala”.

Molina destacou o processo de “convencionalização”. Segundo o palestrante, este é definido como o processo pelo qual a produção não comercial (de camponeses, produção familiar ou produção orgânica não comercial, etc.) acaba subordinada e dependendo do mercado para a sua reprodução. Nesse sentido, o caso da produção orgânica (certificada ou não, dos agricultores familiares ou não) foi utilizado como exemplo. Para Molina o fenômeno refere-se à proliferação de um modelo de produção que reitera as características da agricultura e dos alimentos convencionais.

O palestrante frisou que a prática agroecológica é única alternativa sustentável à crise. Ele destacou que é necessário construir um sistema agroalimentar que possibilite a produção, distribuição e consumo com critérios agroecológicos. “Contudo, isto requer a generalização ou massificação da Agroecologia, mas como alcançar? ” Para Molina é necessário politizar o consumo. Além de estabelecer alianças dentro do movimento agroecológico. Outro aspecto relevante destacado é o desenvolvimento de experiências de inovação social. Ele compreende que sem movimentos sociais agroecológicos que inovem, não há progresso na transição agroecológica. Em seu lugar avançará a convencionalização.

Também ressaltou a importância de elaboração e avaliação de políticas públicas agroecológicas: “Estas tratarão do ganho de escala e da proteção de experiências criando e impondo uma nova institucionalidade. Para isso é preciso combinar políticas públicas e experiências locais”. Nesse sentido, Molina apontou algumas tarefas para a agroecologia. Dentre elas, destacam-se: a)Trabalhar no design institucional mais apropriado para esta nova institucionalidade, protegendo o regime de alimentos agroecológicos da convencionalização; b) Trabalhar no projeto de políticas públicas que possibilitem e consolidem essa fase; e c) Uma nova política de alianças: politização do consumo para produzir maiorias sociais de mudança (contra alimentos orgânicos para os ricos).

Para Molina é necessário que desenvolva cientificamente a Agroecologia Política como um campo de estudo: “ela deve ser desenvolvida em duas direções: a) como campo disciplinar que trata do projeto e produção de ações, instituições e normas voltadas para a conquista da sustentabilidade agrícola; e b) Como uma ideologia que, em concorrência com os outros, se dedica a espalhar e tornar-se hegemônica uma nova maneira de organizar agroecossistemas com base no paradigma ecológico e na sustentabilidade”.

Sobre as Políticas Públicas, Molina ressaltou que o quadro institucional atual regula os mercados agroalimentares em favor da produção convencional, dos interesses da indústria de insumos, das empresas agroindustriais e da grande distribuição em detrimento dos consumidores, dos agricultores e do meio ambiente e saúde. Para o palestrante isto pode ser revertido com a proposição de planos ou medidas para mudar o sistema de incentivos monetários e fiscais que a produção e o consumo convencionais agora usufruem. Também sinalizou que na avaliação das políticas públicas é importante a utilização de critérios agroecológicos/ambientais:  “Estes critérios compreendem -  a) o encerramento de ciclos de nutrientes em nível local, autonomia máxima; b) uso de energias renováveis; c) resgate e reutilização de material genético; e d) inovação tecnológica (tecnologias apropriadas + pesquisa). Eles possuem objetivos e econômicos e sociais. Dentre os objetivos econômicos encontram-se a avaliação econômica de serviços ambientais; a eliminação de intermediários (canais curtos ou híbridos) e a desmercantilização ou desengate do mercado (insumos). Já os objetivos sociais, destacam-se a igual distribuição de renda agrícola, comida saudável para todos, acesso à terra e a outros recursos naturais”.

Um panorama do debate

Algumas das ideias trazidas pelo público se debruçaram na inserção da agroecologia no interior dos movimentos sociais e demais lutas emancipatórias da classe trabalhadora, incluindo processos maiores contra-hegemônicos.

Outra questão trazida pelo público se voltou para uma reflexão em torno da amplitude de ação e de criação de diálogo e interação da agroecologia com as sociedades urbanas e rurais.  “A abertura de cursos de agroecologia seria uma forma de institucionalização da agroecologia? A PLANAPO foi de fato uma construção que abarcou a população rural e os movimentos? ” Outra questão foi se a Agroecologia dá conta de geração de renda a nível local ou no município em um país assentado na produção de commodities, o que evidencia que a institucionalização da agroecologia se distancia de um real e concreto projeto de desenvolvimento rural/agrário.

Schmitt, em uma de suas respostas, afirmou que o atual processo é denso e que é preocupante desconsiderar sua magnitude, muito maior do que algo momentâneo. Afirmou, ainda, que é importante olhar para além das políticas e ver como os diversos atores se organizam para buscar e demandar essas políticas de forma a ter uma escuta mais ampla e fazer uma avaliação mais justa do que se foi construído ao longo dos últimos governos, muito embora não tenha sido elaborada uma estratégia articulada entre a construção de um sistema agroalimentar alternativo e o desenvolvimento agrário. Claudia pontuou, ainda, que o PLANAPO envolveu, de fato, uma construção ampla e com participação de múltiplos atores, dando como exemplo o movimento de mulheres e movimentos sociais que chamaram para si a construção da agroecologia, destacando a multiplicidade de construção da agroecologia no interior dos movimentos. Assim, a desinstitucionalização da agroecologia envolve mais do que a diminuição de recursos e programas, mas gera impactos diversos sobre os arranjos construídos até aqui pelos diversos atores que compõem o campo da Agroecologia, afirma.

Molina, respondendo a uma das perguntas acerca do porquê de se utilizar o termo “Agroecologia Política”, já que a agroecologia em si já é política, afirmou que a importância do conceito consiste no fato de Agroecologia ser uma teoria da prática e que envolve o campo ideológico, o que é especialmente importante dentro do contexto acadêmico e de pesquisa. 


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#AT79 – Agroecologia em Cuba: avanços e desafios

Agroecología en Cuba: avances y retos

Dia 14 | 10h00 – 12h00 | PACARI  | #Agroecologia2017

Responsável(is): Luis Vazquez Moreno (Instituto de Investigaciones de Sanidad Vegetal – Cuba); Fernado Funes (Estacion Indio Hatuey – Cuba); Leidy Casimiro (Estacion Indio Hatuey – Cuba); Coordenador: Miguel Altieri (SOCLA)

Relato:

“Cuba é um farol da Agroecologia”. A frase foi repetida durante as palestras diversas vezes, não só pelos cubanos, mas também por brasileiros e outros latino-americanos que estiveram presentes na plenária. Ela se refere ao sucesso cubano na área, tendo em vista que 85% da produção agrícola do país já é agroecológica. As falas demonstraram os avanços tecnológicos cubanos na produção de alimentos orgânicos.

O moderador Miguel Altieri, do SOCLA (Sociedad Científica Latinoamericana de Agroecología), deu início às falas lamentando a ausência de alguns dos palestrantes, devido ao furacão Irma, que passou por Cuba causando enorme destruição. Miguel lembrou que a catástrofe é fruto do modelo de consumo descabido dos países centrais do capitalismo, causador das mudanças climáticas que afetam o planeta. Segundo Miguel, quem paga o preço pelos excessos dos países ricos são os pobres.

A pesquisadora Janet Alfonso-Simonetti realizou uma apresentação breve do conteúdo do livro “Avances de la Agroecologia em Cuba”, que seria lançado no congresso por um dos palestrantes que não pôde vir. O livro é uma compilação de 70 autores, entre pesquisadores e campesinos, um por capítulo.

Passando a sua própria apresentação, Janet ressaltou que a produção agrícola cubana deixou de ser predominantemente estatal nas últimas décadas, indo de 18,5% de produtores individuais para 51%. A pesquisadora criticou a devastação dos ambientes causada pela monocultura. O problema criou, também, uma crise na biodiversidade local e mundial. Um dos principais fatores para tal devastação é a contaminação do solo por químicos. 

Janet falou à plenária sobre o Programa Nacional de Lucha Biológica, criado em 1988 e fortalecido nos anos 2000. O programa estabelece princípios da política ambiental do país, além de um sistema de controle de qualidade da produção e assessoria a agricultores, visando à melhora do manejo e preservação.

A pesquisadora contou como pragas foram controladas a partir do desenvolvimento de tecnologias na área da biologia, inserindo-se micro-organismos não patológicos para humanos nas plantações. Tal prática promove a autonomia do controle biológico pelos próprios agricultores. Outro aspecto interessante para o fortalecimento do cultivo de orgânicos cubano foi a implementação de agrossistemas mais complexos. A biodiversidade equilibra o meio e também contribui para o controle das pragas.

Janet encerrou sua apresentação com uma foto de um mercado de orgânicos cubano, mostrando o orgulho do que está sendo feito em seu país. 

Reinaldo Demesio Aleman Pérez, pesquisador da Universidad Estatal Amazónica, explicou aos presentes que com o fim da URSS, deixou de entrar em Cuba uma série de insumos que possibilitavam o modelo anterior de monocultura de cana de açúcar, o principal produto para exportação do país.

A partir desse momento, a agricultura da ilha caribenha teve que se reinventar. Isso se deu de tal forma que, hoje, a Agroecologia chegou ao patamar dos 85% da produção. 

Margarita Fernandes, do Vermont Caribbean Institute, começou sua palestra com um lamento. Margarita lembrou o furacão que devastou Cuba, “o país está vivendo uma situação muito difícil”. A pesquisadora expressou solidariedade com o povo cubano e foi recebida com muitos aplausos pela plateia.

Margarita salientou que a retomada de relações diplomáticas com os EUA, assinada por Obama e Raul Castro, resultou em um princípio de mudanças que podem vir a ser positivas e negativas para Cuba. Um dos desenvolvimentos do acordo foi a criação da USACC, iniciativa formada por grandes empresas multinacionais como a Monsanto, com a intenção de reestabelecerem o comércio e entrarem no mercado cubano. Tal possibilidade incorre no risco de um grande dumping (queda de preços proposital), visando acabar com a competitividade dos produtores locais, para o domínio do mercado no país.

Em contraponto, formou-se o CUBA-US Agroecology Network, de “gente que pensa em uma agricultura diferente”. A rede tem como objetivo a troca de conhecimentos entre pesquisadores, camponeses e estudantes dos dois países. Uma das propostas é que estudantes americanos possam ir até Cuba para aprender Agroecologia. “Queremos levantar a voz dos cubanos fora de Cuba.”

Segundo a pesquisadora, Cuba viveu um tsunami de americanos depois do acordo. Muitos deles políticos e representantes de empresas que procuravam mercado. Além do risco das grandes empresas norte-americanas, há um interesse americano em importar produtos orgânicos de Cuba. “A monocultura de orgânicos pode afetar a produção de agroecológicos em Cuba”, ressaltou.

Para Peter Rosset, o elemento mais importante para o sucesso de Cuba foi como transferir o método agroecológico de camponês a camponês, “fazemos muito intercâmbio de conhecimento de maneira horizontal”. Para tanto, foi criada uma plataforma online, a “Escola Camponesa Multimedia”, um curso completo da metodologia agroecológica. 

O pesquisador apresentou um vídeo introdutório do programa: no vídeo, uma das pesquisadoras do projeto conta que, em 1997, se inicia um projeto de agroecologia em Cuba. Em 2001, há um encontro no qual se decide transformar o projeto em um movimento massivo.

A partir daí, definem-se alguns pontos centrais para o programa: “Começar fácil e pequeno; limitar a introdução de tecnologia; experimentar primeiro em pequena escala; conseguir êxito rápido; conseguir um sucesso multiplicador.”

Depois disso, o intercâmbio de informações entre os camponeses foi fundamental. “Se a metodologia fornece uma solução ao produtor, ele a transmitirá a todos que passarem por ele.” Foram realizados, então, encontros com produtores para levantar dados sobre as práticas ecológicas que realizam. Passou-se, também, a categorizar as propriedades em três níveis de Agroecologia, para estimular as famílias a buscarem o nível mais sustentável.

Depois de um breve vídeo apresentado para contextualizar a transição para o sistema agroecológico de produção em Cuba, a moderação abriu espaço para as perguntas do público. Respondendo sobre a questão de gênero na Agroecologia, Peter comentou: “há um tipo de violência de gênero que acontece porque é socialmente aceitável”. O professor lembrou, ainda, iniciativas para a conscientização sobre o tema em Cuba.

Levantou-se, também, a questão do analfabetismo funcional de grande parte dos camponeses brasileiros como impedimento para a transmissão de conhecimento a ser realizada inspirada no modelo cubano. A ideia foi rechaçada com a lembrança de que a transmissão “campesino a campesino” acontecia, antes de Cuba institucionalizá-la, em países com problemas similares de educação no meio rural, como Guatemala e Honduras, e de que há outros meios para a transmissão de conhecimento que podem ser igualmente bem-sucedidos.

 

 

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#AT78 – Manejo Agroecológico Sanitário em Sistema Orgânico de Produção Animal

Manejo Agroecológico Sanitario en Sistema Orgánico de Producción Animal

Dia 14 | 10h00 – 12h00 | BARBATIMÃO | #Agroecologia2017

Responsável(is): Ângela Escosteguy (Instituto IBEM); Coordenador: Luiz Carlos Britto Ferreira (EMATER-DF)

Responsáveis pela atividade: estamos ansiosos para publicar seus materiais aqui, mas precisamos de sua permissão. Basta enviar para o endereço eletrônico  relatosagroecologia2017@itbio3.org a mensagem:

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 Materiais adicionais (fotos, relatos vídeos etc.) são muito bem-vindos na mensagem.

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#AT75 – Manejo da biodiversidade local para a conservação do controle biológico e insetos benéficos na agricultura

Manejo de la biodiversidad local para la conservación del control biológico e insectos beneficiosos en la agricultura

Dia 14 | 10h00 – 12h00 | AUDITÓRIO JATOBÁ | #Agroecologia2017

Responsável(is): Madelaine Venzon (EPAMIG); Alessandra Carvalho Silva (Embrapa Agrobiologia); Maíra Queiroz Rezende (IF-Norte de Minas Gerais); Pedro Henrique Brum Togni (UNIP Brasília); Coordenador: Edison Ryoiti Sujii (Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia)

Notícias: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/27468659/agroecologia-2017-biodiversidade-funcional-no-controle-biologico-de-pragas-e-tema-de-painel

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#AT74 – Territórios, Direitos e Resistências: Relatos dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais

Territorios, Derechos y Resistencias: Relatos de los Pueblos Indígenas y Comunidades Tradicionales

Dia 14 | 10h00 – 12h00 | AUDITÓRIO IPÊ AMARELO | #Agroecologia2017

Responsável(is): Edel Moraes (Extrativista); Samuel Leite Caetano (CAA-Norte de Minas Gerais); Carmo Thum (Associação Pomeranos do Sul); Alicia Santana Salvador Morais (Catadora de Mangaba); Coordenador: Marcio Santilli (Instituto Socioambiental)

Relato

Registro dos comentários dos congressistas 

Mirinju Yan Guarani Mbya

Carta Política – Recomendações da MESA AT74 – Territórios, Direitos e Resistências: Relatos dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais
Solicitamos e reivindicamos que os Direitos dos Povos Indígenas, Quilombolas e Comunidades Tradicionais referente à posse e permanência em suas terras ancestrais e tradicionais sejam respeitados e garantidos através da homologação das mesmas, assim como garantia e cumprimento do acordado na Convenção 169 da OIT sobre os povos indígenas e tribais ao qual o Brasil é signatário, assegurando o acesso destes povos à natureza que é onde eles garantem sua soberania tradicional e a proteção destas áreas naturais.

Nós, Povos Indígenas, Quilombolas e Comunidades Tradicionais, solicitamos ao Congresso Latino Americano de Agroecologia, Congresso Brasileiro de Agroecologia e Seminário de Agroecologia do Distrito Federal e Entorno, uma maior abertura e apoio, tanto político quanto financeiro, para que seja garantida a ampla presença e participação de lideranças, representantes e pesquisadores como palestrantes e debatedores nas diversas atividades que constam na programação de seus eventos. Destacamos somos os maiores conhecedores de nossos próprios saberes, demandas e necessidades que são temas fundamentais a serem debatidos nesses Congressos.

Gabriel Paes Tupinambá UFRJ – Raízes e Frutos marcosdgei@gmail.com

“A maior reflexão ficou sobre o quão é importante a representatividade sóciohistórica e cultural para a garantia da soberania nacional no que diz respeito a produção brasileira do conhecimento. A agroecologia tem sido uma ferramenta útil em mãos hábeis, porém, ocorre-se o risco de perda identificatória, geo-espacial e cultural, quando o papel de registrar , legitimar e sistematizar saberes tradicionais é assumido pelo Estado. É obrigação do congresso policiar e garantir a representatividade ética, cultural e social.
 Deixo meu email, e peço ajuda, desde já pois represento a Rede de grupos da minha região responsavel pelo próximo Congresso Regional de Agroecologia. Entendo que minhas dúvidas e questões pessoais sobre o tema serão sanadas pela simples confirmação de que meu relato recebeu atenção”

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#AT71 – Mulheres e agroecologia: avanços na economia feminista e solidária

Mujeres y agroecología: avances en la economía feminista y solidaria

Dia 14 | 10h00 – 12h00 | AUDITÓRIO PEQUI | #Agroecologia2017

Responsável(is): Aymara Llanque Zonta (AGRUCO – UMSS, Bolívia); Liber Soé Puro (Agricultora e representante da Amazônia Boliviana);  Alicia Sarmiento (Agricultura Grupo Vicente Guerrero – México). Mediadora: Juliana Merçon (Universidad Veracruzana – México)

Relato:

Cleudes Pessoa (Universidade Livre Feminista):

Cleudes inicia sua fala colocando o protagonismo das mulheres na economia solidária e no cuidado. Ela diz que, pela divisão de gênero na sociedade, esse papel foi sempre pertencente as mulheres. Por outro lado, a mesma divisão que lega seu protagonismo, leva também à sua invisibilidade, afirma. As mulheres não são representantes das políticas públicas, enfatiza.  Cita o projeto Brasil Local Feminista, que buscou o olhar sobre a economia solidária feminista a partir da autonomia financeira das mulheres e também o exemplo da Feira Fértil, com o qual finaliza sua fala. A Feira é uma experiência que começou há mais de um ano, com Mônica Carapaços, do Sítio Nós na Teia, onde a troca entre os produtos é mediada por uma moeda social. Ela traz a questão: para que e por que precisamos de dinheiro? “Isso permite com que as mulheres visibilizem seus talentos ao descobrirem serviços que podem prestar e fontes geradoras de troca. Isto nos volta a uma economia da satisfação e não do “não ter”, da política da escassez e do acúmulo”. No final, há uma plataforma online para registro das experiências não citada pela palestrante.

Alicia Sarmiento Sanchez (agricultora Grupo Vicente Guerrero – México)

A palestrante é originária da comunidade de Vicente Guerrero, em Tlaxcala, no México. Campesina com orgulho de ser campesina, formada na metodologia de campesino a campesino, mãe de família e defensora, também é assessora e facilitadora em práticas agroecológicas, plantas medicinais, resgate da alimentação tradicional, etc. Tem uma visão da agroecologia como uma forma de vida integral que compreende diversos âmbitos – o econômico, o social, o ambiental e o político. Não gosta de falar em ‘feminismo’ porque sente que ainda não se apropriou completamente do termo, mas entende que faz um trabalho de gênero por meio dos grupos compartilhados e que é uma defensora de todos, homens e mulheres. A comunidade VG, em Tlaxcala, trabalha pelo resgate de costumes tradicionais e pela recuperação das sementes nativas. Conta com trabalhos mistos focados na agroecologia e soberania alimentar. Afirma que as mulheres se veem como empreendedoras, transformadas e mais bem preparadas como cuidadoras da vida. Trabalham por um pagamento justo nos mercados alternativos, defendem as sementes nativas e os recursos naturais, afirma. Contudo, enfatiza os desafios na representatividade pública: na formação de mulheres como lideranças políticas, a luta pelo reconhecimento das mulheres indígenas e campesinas, etc.

Liber Soe Puro (Agricultora e representante da Amazônia boliviana):

A palestrante inicia sua fala com uma saudação calorosa ao público e à Amazônia boliviana e afirma ser também proveniente de uma comunidade campesina.  Compartilha um pouco do processo histórico das mulheres e povos indígenas pela consolidação do direito ao território. Em 1996, começou a luta contra quem tinha concentração de terra nas mãos, os chamados “barraqueiros”. Foi o começo das marchas pela terra onde as mulheres desempenharam um papel muito importante, destaca. Com as marchas pela terra que ocorreram em 1994, 1999 e 2000, as “ex-barracas” que se dedicavam à extração de gomas e castanhas são tituladas em favor da comunidade e dos povos indígenas originários dos campos. A Lei INRA regula a função da terra. No ano de 2008, muda a lei da constituição política do estado e se reconhece a integralidade do território indígena, que inclui o direito à terra, ao uso e aproveitamento exclusivo dos recursos naturais renováveis. A titularidade da terra é em favor das mulheres, independentemente do seu estado civil. A palestrante finaliza sua apresentação dizendo que dez minutos é muito pouco para apresentar uma luta com anos de história.

Em seguida, abre-se para perguntas da plateia, que giram em torno de um eixo comum: como lidar/chamar os homens para o movimento do feminismo. Algumas estratégias são comentadas pelas palestrantes – não falar em feminismo, falar em igualdade – outras pontuaram que a presença dos homens na luta pelas questões do campo e da economia solidária é fundamental. Afirmam que não há como fazer uma luta somente de mulheres e que a adesão das próprias mulheres ainda vem com muita resistência. Uma pergunta relativa à Academia e à luta do campesinato é lançada. Cleudes Pessoa responde que o espaço acadêmico ainda não tem acessibilidade para mulheres pretas e de periferia. Sarmiento responde que se sente muito feliz de poder compartilhar seus saberes no espaço acadêmico, mas sugere aos pesquisadores e pesquisadoras que pensem também como mães, como mulheres, como lideranças comunitárias e não somente como Academia.

Juliana Merçon (Universidad Veracruzana – México)

A mediadora propõe uma atividade em grupo com a seguinte pergunta geradora: como podemos, de maneira muito prática, concreta e pontual fortalecer os vínculos entre mulheres, economia solidária e agroecologia?

Os grupos discutem o tema durante dez minutos. Em seguida, cada grupo resume as ações discutidas em frases curtas ou palavras chaves:

Mercados alternativos; fortalecer potencial das mulheres e o autoconhecimento; envolver a juventude de modo a garantir a formação; criar grupos, incentivar nas comunidades e mapear os já existentes; unir cultura, arte e artesanato na feira da agricultura; reivindicar políticas públicas específicas; criar discussão ampla de economia valorizando o nível micro e macro de produção; fortalecer articulação política das mulheres para lograr políticas públicas; novas escolas comunitárias para educação alternativa; formação desde as crianças até o nível superior na temática do painel; identificar valor agregado por meio de uma certificação de gênero nos produtos; resgate dos conhecimentos tradicionais (rezadeiras, parteiras, agricultoras); unir momento de formação agroecológica para mulheres com gênero e raça; intercâmbio de experiências entre as mulheres; passar da lógica do preço para o apreço; adoção de novas formas de governança; desmantelamento do patriarcado; estímulo do cuidado entre mulheres;    trabalho compartilhado e equitativo entre homens e mulheres; criar ferramentas de controle de violência machista em espaços criativos como o tempo de fala; CSA com mulheres agricultoras; auto-organização das mulheres em coletivos; titularidade das terras para as mulheres; criação de ferramentas para inclusão digital; reforma agrária para mulheres.

A atividade é finalizada com uma síntese propositiva sobre o tema da atividade. As falas citam a necessidade de ações simultâneas em diferentes escalas: desde práticas cotidianas pequenas – família, escola – seguindo para o plano comunitário, até a incidência em políticas públicas. Reforçam a necessidade de aumentar a intensidade de ações em todas as escalas, de forma transversal. De acordo com a síntese realizada por uma das participantes, as propostas devem responder às questões: como a gente constrói o processo de auto-organização das mulheres (fundamentais para a autonomia)?; b) como construir alianças com outros grupos – relação com comercialização, educação, processo de formação; e c) como construir alianças em uma perspectiva anticapitalista e antirracista

Foto da atividade:

Facilitação Gráfica:

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#AT69 – O papel dos centros vocacionais tecnológicos e NEA na construção do conhecimento agroecológico

El rol de los centros vocacionales tecnológicos y NEA en la construcción del conocimiento agroecológico

Dia 14 | 10h00 – 12h00 | TATU CANASTRA | #Agroecologia2017

Responsável(is): Claudemir Fávero (UFVJ); Ana Cláudia Fernandes Nogueira (Nupeas Humaitá); Ana Maria Resende Junqueira (UnB); Coordenador: Amauri Santos (Embrapa Tabuleiros Costeiros)

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