#AT105 – Construção Social de Mercados

Construcción de Mercados

Dia 15 | 10h00 – 12h00 | AUDITÓRIO JATOBÁ | #Agroecologia2017

Responsável(is): Sérgio Schneider (PGDR/UFRGS); Silvio Porto (ex diretor da CONAB – PAA); Andrea Zimmermann (CSA Brasil). Mediadora: Renata Navega

Arquivos:

Live de formas alternativas de comercialização dos produtos do seu SAF!!!! Construção social de mercados.Com Sérgio Schneider (PGDR/UFRGS) Silvio Porto (ex Diretor da CONAB -PAA)Andrea Zimmermann (CSA Brasília) e Renata Navega (CSA Brasília)#agroflorestadofuturo #congressoagroecologia2017 #xcongressobrasileirodeagroecologia #agroecologia2017 #agriculturasintrópica #CSA #CSABrasília

Posted by Agrofloresta do Futuro on Friday, September 15, 2017

Relato
A mediadora Renata Navega inicia a fala com a pergunta: O que te levou a estar na sala de construção social de mercados?

A atividade é discutida em dupla pelo público. Duas duplas comentam a resposta:

Alsimar e Daniela: destacam o encontro entre o agricultor de cabras e a vigilante sanitária; comentam as barreiras institucionais da pequena agricultura; sua expectativa é saber como o produto artesanal chega à mesa do consumidor.

Rodrigo e Fabiano: demonstram preocupação com a agricultura orgânica e a burocracia do selo de orgânico; têm expectativa de conhecer mais sobre o tema e compartilhar o que sabem.

Sergio Schneider: – Professor de pós-graduação em Desenvolvimento Rural da UFRGS

O palestrante inicia sua fala com uma exposição acerca dos diferentes conceitos de mercado:  mercado como espaço físico (espaço de compra); mercado como destino comercial (um lugar para o qual alguém envia um produto que será comercializado) e mercado no sentido abstrato (como aparece nos telejornais). Afirma que quando se fala em mercado, pensa-se em sociedades mercantilizadas (sociedades ocidentais com valores de uso e de troca, mercados impessoais) e não-mercantilizadas (sociedades indígenas, sociedades antigas, troca direta); Sérgio passa por esses conceitos para chegar à definição de mercados (no plural) e trazer clareza de que existem diversas formas de troca (mercados) e que o capitalismo é apenas uma forma.  Ressalta que o capitalismo é baseado no individualismo, livre compra e venda e concorrência enquanto as trocas podem também ser centradas na reciprocidade (igualdade, comunitarismo, solidariedade, parentesco, cooperação) e na redistribuição (centralidade, hierarquia, etc.). Traz então a definição de mercado como: “Relação social entre dois agentes cujo sentido é satisfazer os interesses econômicos ou outro através da troca”. Passa rapidamente pelas definições de mercado das teorias clássicas para chegar ao mercado como construção social que tem a seguinte origem: resistência e/ou oposição aos mercados hegemônicos; exclusão – social/econômica; luta social e luta por autonomia. Aponta as seguintes características dos mercados imersos “socialmente construídos”: as interações – com Sociedade/Mercado e com o Estado funcionam com distintividade – por produto, por processo, por lugar produzido; há atuação em redes – relações com consumidores; baseados na territorialidade e identidade social dos atores; atuam em forma de cadeias curtas; formalidade e informalidade andam juntas. Em seguida, o palestrante dá exemplos de mercados imersos (os socialmente construídos) e segue para uma classificação (dele mesmo) com cinco tipos de mercado: 1-O personalizado; 2- Personificados - face-a-face, fair trade; 3-Proximidade- feiras, sacolão; Institucionais- licitação, leilão, edital; 4-Centralizados -integradoras, cooperativas; e os 5-Convencionais - atravessador, comércio.

Ele finaliza colocando algumas questões e perigos para o debate atual:

- Forte insistência e tendência nos canais locais de comercialização dos produtos agroecológicos. “Por que eles devem estar inseridos somente nos mercados locais”?

- Restrições e tentativas de evitar canais tradicionais como o supermercado. “Será que não”?

- Tendência geral de feiras diretas (porta a porta) ou pela internet como principais canais de venda de produtos agroecológicos.

- Localismo: ele afirma que o sujeito cria o local e os novos entrantes são barrados sugerindo localismo defensivo e não democrático. “O local tem limites, sobretudo o tamanho da demanda. Se eu discutir a produção orgânica somente para os mercados locais impeço o crescimento dos produtores...não espraia os produtos para além do local, não se discute o alcance da agroecologia. Existe uma questão entre aumentar a oferta e crescer a dependência: crescer ou ficar como está”?

- Como fugir dos nichos – elitização do consumo via renda.

- Interfaces dos mercados agroecológicos. “Com os outros mercados pode haver coexistência”?

Sílvio Porto – Consultor Internacional em Segurança Alimentar

O palestrante inicia a fala afirmando que as relações de mercado são relações de poder que estão conectadas a um sistema agroalimentar, diferenciando assim mercado capitalista de regime capitalista. Explica o Codex Alimentarius, código que determina o padrão de alimentação e consumo que foi aderido por 187 países e que embora, a adesão seja voluntária, é obrigação dos países signatários adotarem as medidas no interior das suas respectivas legislações.  Em seguida, mostra alguns dados sobre o lucro de supermercados no Brasil. De acordo com os dados apresentados por Sílvio, esse setor movimenta R$ 315 bilhões de reais por ano (dessa soma, 2/3 pertencem a três empresas – Carrefour, Wallmart e Pão de Açúcar). Ressalta que um dos princípios do mercado neoliberal é a autorregulação: “talvez isso sirva para o capitalismo, mas, não para os mercados sociais”. Afirma que pela autorregulação cada um deveria ter as possibilidades de escolha para permitir que se constituíssem os códigos, os padrões; traz a Rede Ecovida como exemplo. É particularmente crítico à inserção da produção agroecológica e de orgânicos nos supermercados. Acredita que deixa de ser uma construção agroecológica e passa a ser uma relação mercantil. “É importante avaliar o nível de subordinação que as organização e associações se colocam” ressalta. Questiona quais são essas relações e qual é o contrato que o supermercado está estabelecendo com esses produtores. Enfatiza que se três grandes redes representam o que circulam no mercado alimentar (entre outros produtos) há um poder muito grande no sentido de formar hábitos e desestruturar economias regionais. “Como são então as relações com uma pequena cooperativa de leite, ou quem fornece frutas e hortaliças?”, pondera. Acredita na descentralização como um elemento para construir novas dinâmicas, na aproximação entre atores (produção e consumo), nas relações de confiança e de reciprocidade, na relação de proximidade (saber de onde vem e quem produz o alimento), mesmo que ele seja consumido à distância e, por último, na autonomia.

Andreia Zimmerman: agricultora e membro da CSA (Comunidade que sustenta a agricultura) Toca da Coruja, Lago Oeste, DF:

A palestrante narra um pouco da sua trajetória pessoal e de forma bem didática (a partir de charges e outras imagens) coloca como a escassez de recursos pode levar à construção de uma rede de pessoas que buscam se orientar de forma diferente par solucionar problemas. Define o CSA como uma comunidade que reestabalece a conexão em uma lógica da abundância pelos princípios da cooperação, solidariedade, empoderamento, respeito, confiança e satisfação mútua de necessidades. Traz um pouco da história dos CSAs no mundo dizendo que não necessariamente os CSAs fortalecem a agricultura familiar e a produção orgânica: “isso é algo que acontece no Brasil”, afirma. Explica o funcionamento de um CSA na prática: procura por um agricultor que levanta o custo de produção; o agricultor ganha o quanto ele acha justo e o quanto o grupo acorda contribuir; ele apresenta tudo que pode organizar e plantar e se compromete com um prazo; o termo de compromisso é firmado entre 6 meses e 1 ano; é necessário aceitar os produtos de alimentos da época; é pactuado entre o grupo arcar com um custo compartilhado dos riscos; o valor é definido antecipadamente  o valor é negociado na cota. Ela ressalta que são definidas também as cotas sociais – quem pode pagar mais e quem não pode pagar esse valor. Enfatiza que é uma comunidade que se estabelece em cooperação. Há um trabalho voluntário para organizar as atividades da comunidade como colheitas semanais e entrega de uma cesta com cerca de dez itens em um ponto de convivência. Aponta que a proximidade da terra e das relações que se estabelecem também influencia na formação da comunidade. “Cada comunidade cria sua escultura social”, afirma. Por fim, Andrea levanta os desafios dos CSAs:

- Formar comunidade, que requer vínculo, dedicação e tempo do estabelecimento do vínculo, para as pessoas descobrirem o que as aproximam.

- Compromisso e rotina de longo prazo. “Às vezes esse formato não se adequa à rotina da pessoa. Se ela não cozinha em casa, quando e como vai cuidar dos produtos? Assim, a rotatividade na comunidade se torna um desafio”, pondera.

- Produzir com a variedade necessária 12 meses por ano: sazonalidade x expectativas.

- Internalizar a cultura do apreço. “As pessoas ainda estão na transição e têm dificuldade de sair da relação de consumidor para co-agricultor.

- CSA não é a solução para todos os agricultores e para toda a produção. “Às vezes o agricultor vai estar na feira, produzindo... tem outros fornecedores para abastecer”.

- CSA não se adequa a todas as pessoas. Há diversas formas de comércio justo e solidário.

Foto da atividade:

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#AT104 – Diálogos entre Agroecologia e as Economias Críticas

Diálogos entre la Agroecología y las Economías Críticas

Dia 15 | 10h00 – 12h00 | AUDITÓRIO IPÊ AMARELO | #Agroecologia2017

Responsável(is): Walter Pengue (The Economics of Ecosystems and Biodiversity –TEEB / Intergov); Guilherme Delgado (IPEA); Isabelle Hillenkamp (IRD -França); Coordenadora: Emma Siliprandi (GT Mujeres, Agroecologia y Economia Solidária de CLACSO – Espanha)

Arquivo: Apresentação Isabelle Hillenkamp 

Relato:

Mesa para diálogo entre Agroecologia e Economias Críticas. Os convidados que compõem a mesa atuam e/ou realizam pesquisa na área de economia e trouxeram informação importante para conectar Economia e Agroecologia. O diálogo levantou questões que ainda caminham para um processo de solução, mas evidenciou o momento de ampliar o olhar para uma necessidade urgente de mudança para uma economia integral e ecológica. Inspirações em uma escala macro e micro, para repensar um sistema econômico de depreciação dos recursos naturais e reestabelecer uma cosmovisão das relações econômicas e sociais.

Guilherme Delgado:

Economista do IPEA, acompanha o movimento desde a luta pela reforma agrária e dos movimentos camponeses do Brasil. Delgado afirmou que, de fato, a corrente principal da economia convencional não dialoga com agroecologia. Explica que, para as correntes convencionais da economia, os progressos técnicos são molas propulsoras do desenvolvimento econômico, e cria-se o mito de que estes progressos técnicos sejam a solução da proposta civilizatória, do capital e do dinheiro. Essa visão possui muitas críticas ao longo do Século XX, sendo que algumas dessas críticas dialogam com a agroecologia. O palestrante apresenta quatro vertentes dessas críticas: a) economia política do capital com crítica aos fundamentos do capitalismo e à desigualdade da repartição dos rendimentos sociais; b) teoria do subdesenvolvimento: coloca a questão dos custos invisíveis do processo de desenvolvimento e a forte ligação com a exploração das vantagens comparativas naturais; c) privação de capacidades humanas e de suas liberdades; e d) vício estrutural do progresso técnico de alta entropia.

A economia ecológica, fundado nos anos 1970, possui princípios que são válidos como crítica à modernidade. O vicio estrutural de alta entropia, traduzido de forma simples, diz respeito à forte dissipação de energia útil que se materializa em poluição ambiental, diferentemente do foco na ideia livre que dialoga com a visão integral da agroecologia. Uma economia de cosmovisão pode ser considerada como uma revolução científica. O diálogo tem que ser com um conjunto de saberes, deve ser compatível com a vida em sociedade. O diálogo é pertinente para construção de um novo caminho, possui forte relação também, com a teologia abordado pelo atual Papa Francisco, que se preocupa com tema e é uma estrutura de poder.

Isabelle Hillenkamp:

Economista que trabalha com economia feminista, expôs a visão para uma escala micro em que as relações econômicas-sociais podem ser construídas. Afirma a importância do diálogo com o campo, e que a leitura feminista é um aprofundamento da história dentro da história. Iniciou nos anos 1970, juntamente com a reforma agraria, críticas à agricultura convencional e posicionou-se em prol da pluralidade existente. Isabelle citou que na década de 1990 atuou na inserção da visão agroecológica e do desenvolvimento sustentável, e em 2003, com foco em políticas públicas. A principal necessidade para o reconhecimento feminino da agroecologia é a valorização do trabalho dos conhecimentos agroecológicos, afirmou. Continuou, do ponto de vista do fluxo econômico, a busca por autonomia das mulheres mostra diferentes relações tanto monetárias como não monetárias. Essas relações merecem qualificação no sentido de buscar critérios. Hillenkamp disse que as práticas mercantis podem ou não trazer visão capitalista. Afirmou ainda que práticas não monetárias muitas vezes possuem propósito de comércio justo e solidário, como as trocas de sementes e mudas e as doações de alimentos, mas podem também, vir de uma situação impositiva e gerarem exploração e desigualdade. Por fim, informou que a economia feminista na agroecologia busca por sustentabilidade de vida com uma cultura de afeto, práticas de interdependência, reciprocidade, redistribuição, partilha doméstica e mercado.

Walter A. Pengue
 
Walter A. Pengue é professor e pesquisador na Argentina, com experiência das questões agrárias da América Latina. Expôs uma visão macro, da real necessidade de brutal transformação para o período pelo qual a humanidade passa. Afirma que agroecologia possui uma visão sustentável. Afirmou: precisamos entender que todos os modelos econômicos, sejam de esquerda ou direita, precisam olhar a questão ambiental, o solo, os recursos naturais, e seus impactos precisam ser tratados, para uma visão global e de necessidade da humanidade.

As estruturas de poder precisam tratar dos quesitos econômicos e recursos naturais em conjunto. Não é uma temática somente para América Latina. Precisamos considerar a economia e a ecologia, em uma situação de reparação para uma nova situação, uma mudança paradigmática, mudança civilizatória para a sociedade não desaparecer. Tem sido comum adicionarem adjetivos à economia, como exemplo, economia verde, circular, solidária e ecológica. Mas não tem sido efetivada uma mudança de fato. A economia ecológica nos traz uma visão abundante, avançar de forma mais rápida e socioecológica com transformação cultural.
 
Walter firmou que a América Latina precisa se restabelecer. Que possui muitos recursos naturais, que são explorados e aproveitados por países “mais desenvolvidos”. A China, por exemplo, tem criado uma mudança de demando sobre seus recursos no mundo. O planeta, de forma geral, comete um genocídio de seus recursos naturais. Perguntou: Como consertar essa realidade? Não será possível mudar somente a partir dos conhecimentos científicos, as mudanças veem dos movimentos sociais para uma economia ecológica e sustentável. Pengue afirmou ainda que será necessário aliar a visão macro e o nível micro, das organizações de tarefas familiares, passando pelas práticas de ocupação do mercado, até a proposição de um modelo mais geral.

Contribuições do público:

O público fez contribuições com questionamentos e com relatos de suas experiências e entendimentos na temática. Entre os questionamentos levantados, destacamos: a importância da valoração dos serviços ambientais; refletir sobre processos sem discriminação e igualitários; inserção da economia ecológica no currículo da graduação de economia de forma mais profunda, visto seu perfil marginal atualmente; mudança para um paradigma da abundância e economia do bem viver.

Ainda foi levantado que a economia feminista urbana trouxe contribuições importantes, mas sempre ficou atrelada em incluir as mulheres no sistema de mercado acelerado convencional. A participação das mulheres rurais traz uma possibilidade de renovação. Visão da natureza não como objeto, e sim como um sujeito do sistema. Discutir o direito à propriedade da terra, pois sem território não há agroecologia, construir como categoria no mercado de trabalho, agregar multidisciplinaridade de profissionais e incluir economia solidaria e feminista, e ecológica com respeito as relações sociais.

 

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#AT72 – Metodologias para análise econômica na Agroecologia

Metodologías para el análisis económico en la Agroecología

Dia 14 | 10h00 – 12h00 | SERIEMA | #Agroecologia2017

Responsável(is): Luciano Silveira (ASPTA); Elisabeth Cardoso (CTA-ZM e GT de Mulheres da ANA); Luiz Octavio Ramos Filho (Embrapa Meio Ambiente); Coordenadora: Cinara Sanches (SASOP)

Notícia: https://www.facebook.com/agroecologiadf/posts/853155264850189

 Responsáveis pela atividade: estamos ansiosos para publicar seus materiais aqui, mas precisamos de sua permissão. Basta enviar para o endereço eletrônico  relatosagroecologia2017@itbio3.org a mensagem:

Concordo com a disponibilização do(s) material(is) apresentado(s) por mim na atividade #AT72 – Metodologias para análise econômica na agroecologia no blog https://relatosagroecologia2017.itbio3.org/atividades/   e concordo  com o termo de uso do blog relatosagroecologia2017.itbio3.org/atividades/termo-de-uso/”.

 Materiais adicionais (fotos, relatos vídeos etc.) são muito bem-vindos na mensagem.

 

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#AT33 – Agroecologia, agrobiodiversidade e valoração das funções ecossistêmicas

Agroecología, agrobiodiversidad y valoración de las funciones ecosistémicas

Dia 13 | 10h00 – 12h00 | AUDITÓRIO JATOBÁ | #Agroecologia2017

Responsável(is): Gloria Guzman Casado (Universidad Pablo de Olavide – Espanha); Santiago Sarandón (Universidad Nacional de La Plata – Argentina); Georgina Catacora (SOCLA – Bolivia); Coordenador: Walter Pengue (The Economics of Ecosystems and Biodiversity –TEEB / Intergov

Arquivos:

Apresentação de Gloria Guzman Casado

Apresentação de Santiago Sarandón

Relato:

Esta atividade contou com apresentações orais dos quatro convidados. Ao final, foi aberta a participação da plateia para comentários e perguntas. Abaixo, destacamos os principais pontos de cada etapa da atividade.

1ª apresentação, de Walter Pengue, com o tema "Agroecologia, agrobiodiversidade e valoração das funções ecossistêmicas":

- Afirma que a humanidade precisa dos recursos naturais para obter todos os bens que consome, os quais têm sua origem a partir do solo, água, biodiversidade e serviços ambientais.

- Problematiza os impactos negativos da agricultura industrial, como a expressiva perda de biodiversidade, mudanças climáticas e danos aos ciclos hidrológicos e de nutrientes, entre outros.

- Ressalta o drástico aumento populacional nos últimos séculos, com estimativas de alto crescimento para as próximas décadas, especialmente a parcela urbana.

- Constata que enquanto o modelo da economia marrom desconsidera os limites ambientais para o crescimento econômico, o da economia verde propõe um desacoplamento entre o aumento do bem-estar humano com a demanda de recursos e impactos ambientais (ver arquivo da apresentação).

- Afirma que a obesidade causa mais danos do que o cigarro e os conflitos armados.

- Afirma que os efeitos dos agroquímicos custam 167 bilhões de dólares por ano.

- Ressalta a importância de se pensar metabolicamente.

- Diz que há alta demanda por recursos de base.

- Aponta que os intangíveis ambientais - solo e água virtual - não são valorados economicamente.

- Diz que há terra arável disponível somente nos países em desenvolvimento.

- Defende a necessidade de se mudar a visão para reparar os danos ambientais.

- Aponta os fluxos visíveis e invisíveis da produção agrícola entre sistemas humanos, agroalimentares e ecossistêmicos.

- Defende o papel da Economia Ecológica para dar visibilidade e valoração aos serviços ecossistêmicos e da biodiversidade, negligenciados em outras abordagens econômicas tradicionais.

- Destaca a importância da participação dos campesinos e populações tradicionais

- Finaliza dizendo que é hora de agir para resolver os problemas socioambientais.


 


2ª Apresentação, de Gloria Guzman Casado, com o tema "Aplicação do Metabolismo Social Agrário à valoração das funções ecossistêmicas das variedades tradicionais".

- Diz que a investigação é muito útil para compreender, recuperar e manter os serviços ecossistêmicos que as propriedades podem prestar.

- Afirma que o metabolismo social agrário estuda fluxos de energia e materiais que constituem o funcionamento do agroecossistema. Estes fluxos devem satisfazer as necessidades da sociedade e também manter a qualidade dos elementos de fundo, como biodiversidade, solos e outros. Isso requer diminuir os insumos de origem fóssil e fortalecer os fluxos internos - leguminosas e reciclagem de resíduos.

- Destaca que o escopo do estudo é a comparação entre uma variedade tradicional e outra moderna de trigo em diferentes sistemas de manejo - tradicional (agroecológico) e moderno.

- Esclarece que variedades são consideradas componentes estruturais dos agroecossistemas pois modificam seu funcionamento, afetando os elementos fundo e consequentemente os serviços ecossistêmicos associados.

- Afirma que a variedade tradicional sob manejo tradicional apresentou produtividade de biomassa (palha, grãos e raiz) 53% maior. Mais palha permite incorporar mais biomassa ao solo, interessante em especial para regiões semiáridas.

- Aponta os serviços ecossistêmicos e benefícios da variedade tradicional de trigo sob manejo agroecológico em regiões semiáridas: maior aporte de proteína à sociedade; aumento do sequestro de carbono; melhora da fertilidade do solo com menores perdas de nitrogênio por lixiviação; levam à diminuição da biomassa de plantas espontâneas e ao aumento de sua diversidade.

3ª apresentação, de Santiago Sarandón, com o tema "Agrobiodiversidade, Agroecologia e Agricultura Sustentável. Valoração e importância em sistemas extensivos"

- Afirma que a agrobiodiversidade presta diversos serviços ecossistêmicos.

- "Sou engenheiro agrônomo e na faculdade nunca me contaram nada sobre biodiversidade", disse Santiago Sarandón.

- Mostra imagens de quando se busca na internet o termo 'biodiversidade' aparecem animais selvagens, plantas, insetos e flores. Logo em seguida, mostra imagens de quando se busca o termo 'sistemas agrícolas' aparecem grandes áreas de monoculturas (ver arquivo da apresentação).

- Afirma que há três níveis de biodiversidade: genética, de espécies e de ecossistemas.

- Considera a biodiversidade fundamental para a agricultura como provedora de recursos biológicos (genes) e serviços ecológicos.

- Resssalta que na conservação ex-situ de agrobiodiversidade (como os silos de sementes no Ártico), apenas genes são protegidos - ou seja, apenas um dos três níveis de biodiversidade.

- Constata que a agricultura é a atividade que mais impacta ecossistemas, já que metade dos ecossistemas terrestres são agroecossistemas.

- Diz que 90% da demanda por calorias no mundo é obtida pelo cultivo de 15 plantas.

- Aponta que dois terços da alimentação humana atual é provido por apenas três espécies: arroz, milho e trigo.

- Diz que há forte redução do número de variedades cultivadas. Grande quantidade de variedades de milho foram perdidas em apenas um século. Monocultivos simbolizam a uniformidade da agricultura moderna.

- Indica os níveis de agrobiodiversidade: espécies, lotes, propriedades e regiões.

- Apresenta os componentes da diversidade biológica agrícola ou agrobiodiversidade:
a. recursos genéticos para alimentação e agricultura
b. serviços ecológicos proporcionados
c. fatores abióticos
d. dimensões socioeconômicas e culturais.

- Constata que a biodiversidade parece ser a base ecológica de outro modelo de agricultura menos baseada em insumos.

- Afirma que apesar de seu conhecimento poder ser comum, científico ou teórico, sua aplicação é local, situada e empírica.

- Apresenta os serviços ecológicos que a agrobiodiversidade proporciona: ciclagem de nutrientes, regulação de pragas e doenças, polinização, manutenção e melhora da fauna e flora silvestres e os habitats locais em suas paisagens; manutenção do ciclo hidrológico; controle de erosão; regulação do clima e absorção do carbono. "Quantos engenheiros se preocupam com isso?", questionou Santiago Sarandón.

- Destaca as dimensões da diversidade biológica em um agroecossistema: genética, espécies, vertical, horizontal, estrutural, funcional, temporal - ressalta a relevância da diversidade funcional.

- Diz que há diferentes escalas para avaliar se um agroecossistema tem boa biodiversidade.

- Aponta as práticas para aumentar a biodiversidade na propriedade: manejo da biodiversidade cultivada (consórcios); ambientes seminaturais (reservas de biodiversidade).

- “Ao se analisar indicadores de agrobiodiversidade, não devemos nos prender aos números em si e sim à ideia, já que cada bioma e ecossistema apresenta um grau diferente de riqueza de espécies” afirma Santiago Sarandón.

- Afirma que o 'valor' da biodiversidade é intrínseco, utilitário, de opção, e funcional. Exemplo citado por Sarandón: um estudo sobre a relação entre a proporção de terreno sem cultivo de colza e rentabilidade mostrou que 32,7% do terreno deve ficar sem plantio pois a colza precisa de inseto para polinizar e dar semente. Logo, não vale a pena plantar em toda a área disponível.

- Defende que a biodiversidade tem que ser conservada in-situ para que mantenha suas funções ecológicas, diferentemente do que papel desempenhado por bancos de germoplasma.

- Conclui que: a biodiversidade é essencial para agricultura; a agricultura moderna gera um impacto negativo sobre a agrobiodiversidade e biodiversidade; é necessário detectar os principais componentes da agrobiodiversidade responsáveis pelas funções ecológicas e compreender os impactos que os diversos usos da terra têm sobre estes componentes; compreender que o valor da biodiversidade supera amplamente o preço de alguns de seus elementos.


 


4ª apresentação, de Georgina Catacora, com o tema "Agrobiodiversidade e sua valoração desde o aporte alimentar - análises de resultados e aspectos metodológicos":

- Aborda a dimensão mais social da agrobiodiversidade.

- Compreende que agrobiodiversidade é a diversidade biológica silvestre e domesticada relevantes para a alimentação e agricultura.

- Diz que há múltiplas funções da agrobiodiversidade.

- Aponta que a caracterização da agrobiodiversidade em diferentes sistemas de cultivo mostra que o agroecológico é o mais biodiverso nos parâmetros analisados.

- Estudo demonstra que quanto maior a agrobiodiversidade, maior a produtividade e a colheita de nutrientes (quantidade e diversidade).

- Resgata as definições de segurança alimentar ao longo do tempo: disponibilidade (década de 70); acesso físico e econômico (década de 80); acesso físico, social e econômico (década de 90).

- Destaca os componentes da segurança alimentar: disponibilidade, acesso, estabilidade e utilização.

- Afirma que o foco no 'acesso' das primeiras concepções de segurança alimentar levou à busca pela produtividade e especialização agrícola.

- Conclui que: os sistemas agrobiodiversos são mais eficientes em termos de produtividade e aporte de nutrientes; produtividade de cultivos é insuficiente para valoração adequada de sistemas produtivos a partir da perspectiva alimentar; o atual enfoque de segurança alimentar é limitado para valorar o aporte real dos sistemas agroecológicos.


 


Participação do público gerou as seguintes questões e comentários:

- Santiago Sarandón acrescenta que a agrobiodiversidade está muito ligada à cultura - e não somente ao físico e biológico. Destaca o conhecimento dos agricultores. Diz que quando os agricultores são perguntados sobre quais plantas possuem na propriedade, eles não mencionam as espécies que não são comercializadas.

- Plateia pergunta para Gloria Casado: como considerar escala temporal nas pesquisas? R: "Três anos é pouco para avaliar o fator tempo (...) mas agora fico motivada em buscar registros históricos para realizar este tipo de análise."

- Plateia pergunta para Santiago Sarandón: quais medidas de agrobiodiversidade são mais robustas? R: "É difícil agregar muitos indicadores e citou o PRB (potencial de regulación biótica), formado por 15 indicadores."

- Membro da plateia ressaltou a importância da defesa do território frente a modelos degradantes e destacou que boa parte de seu país está tomado pela mineração.

- Plateia pergunta para Georgina Catacora-Vargas: além da quantidade, foi estudada a qualidade nutricional dos alimentos na sua pesquisa? R: "Em segurança alimentar e nutricional há os seguintes aspectos: quantidade, diversidade e qualidade. Eles caminham juntos”. Cita um estudo sobre análise composicional de tomates agroecológicos e convencionais no qual constatou-se que os primeiros eram mais nutritivos. “Qualidade não é só nutriente, há também a questão dos resíduos, questões esotéricas e espirituais. Aprendi de uma chef de cozinha que a relação sentimental com o alimento e sua memória se dá pelo olfato. Ainda não estamos considerando os aromas e possíveis relações com valores culturais e emocionais. Sempre nos sentimos felizes ao sentir o cheiro e comer comida de vó. Há que se considerar o que está por trás do prato e como aquele alimento foi produzido." (Aplausos da plateia).

 -Giordano Viola, membro da plateia, pergunta para Gloria Casado: Como a variedade tradicional de trigo consegue colocar mais nutrientes no grão? Houve uma abordagem genética? Estudou-se qual enzima faz isso? R: "Não entramos no nível genético não por falta de relevância, mas por não ser prioridade da nossa pesquisa." O membro da plateia replica levantando a possibilidade da menor concentração de nutrientes no grão de trigo da variedade moderna ser proposital, como uma estratégia do mercado para obrigar as pessoas a consumirem mais. Ressalta ainda a importância da agroecologia em estudar isto mais a fundo.

Foto da atividade:

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