#AT31 – Juventude, Educação e Agroecologia: Desafios para a permanência das Juventudes no Campo e Sucessão Rural

Juventud, Educación y Agroecología: Desafíos para la permanencia de las Juventudes en el Campo y la Sucesión Rural

Dia 13 | 10h00 – 12h00 | GUEROBA | #Agroecologia2017

Responsável(is): Mônica Bufon Augusto (CONTAG); Elisa Guaraná de Castro (UFRRJ); Natália Faria de Moura (Prefeitura de Sete Lagoas-MG); Coordenador: Giuseppe Bandeira (GT de Juventudes da ANA)

Arquivos: 

Carta dos Movimentos de Juventude do Campo

Apresentação Natália Faria

Relato:

Atividade de exposição e discussão sobre Juventude, Educação e Agroecologia: panorama geral dos avanços e desafios existentes com jovens no campo e sua permanência. Fundamentou-se nessa mesa a importância da temática  devido ao contexto histórico de saída dos jovens do campo e a desvalorização das atividades rurais, sendo uma grande ameaça para a vida digna no campo.

Mesa composta por Guiseppe Bandeira, Elisa Guaraná, Natália Faria, Mônica Bufon e Diana Hahn. Compartilharam seus estudos, pesquisas e vivências com a juventude no campo e posteriormente abriram para troca com o público. A metodologia adotada inicialmente foi o “cochicho”, onde pequenos grupos (de até 10 pessoas) foram formados para diálogo do tema e, posteriormente, intervenções gerais dos participantes para todos os presentes.

Contribuição inicial de Guiseppe Bandeira:
Guiseppe Bandeira, integrante do GT de Juventude da ANA e ABA coordenador da mesa, deu abertura com a leitura da Carta dos Movimentos de Juventudes do Campo, das Florestas e das Águas, elaborada em 2016, em favor do direito da juventude construir nos territórios rurais suas vidas e o campo que se deseja. A carta ressalta pontos estratégicos para estruturação de um Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural que promova oportunidades de autonomia dos jovens na área rural, coerentes com suas demandas.


Natália Faria de Moura:
Natália, geógrafa, atua com a juventude rural do Estado de Minas Gerais e comunidade Quilombolas. Ela compartilha a sua experiência com a pesquisa desenvolvida, em 2015, em um local que vive uma transição agroecológica, na região norte da Zona da Mata (MG). O objetivo da pesquisa foi sistematizar reflexões sobre a permanência e protagonismos da juventude no campo. “Quais os motivos que levam os jovens a ficar? A maioria dos estudos se desenvolve a partir dos motivos de saída dos jovens e não o contrário” constata a pesquisadora.  Ela concedeu voz e escuta aos jovens para pontuar os fatores que os atraem ao campo. O que atraem os jovens, geralmente, também, é o que repulsa, as conclusões apontaram, de forma geral.

Os fatores predominantes da permanência são: alcance de autonomia financeira; autonomia para desenvolver os projetos no campo; oportunidades de vivenciar experiências de educação no campo; o acesso às políticas públicas e as formações em feminismo.

Os fatores predominantes de repulsa são: a falta de autonomia financeira e na propriedade; busca por outras formações profissionais; dominância da monocultura e falta de direito à terra. As mulheres possuem maior dificuldade de permanência, pois não há autonomia e condições de se manter no campo. Às vezes os jovens possuem vontade de permanecer no campo, mas com outros modelos de atuação que não sejam diretamente manejo da terra, mas se entendendo como sujeito do local capaz de transformações.

Elisa Guaraná:
Elisa, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRRJ), com experiência na área de sociologia e antropologia com ênfase rural. Inicia questionando o que é sucessão rural e seus desafios. Afirma a necessidade de se pensar um novo modelo de sociedade distinto do construído. Num panorama geral dos últimos 15 anos é perceptível a construção de uma juventude forte em que a atuação é um ato político. Houve, também, um processo de reconhecimento social da juventude rural com entendimento de juventude diversa, do campo das águas e das florestas.

Foram citados alguns marcos importantes nessa construção da juventude. Dentre eles alguns esforços que tiveram peso no governo Lula/Dilma, como o Planapo (Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica); Pronara (Programa Nacional para Redução do Uso de Agrotóxicos), REUNI (Reestruturaçao e Expansão das Universidades), Decreto de Educação do Campo, Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural e Decreto Nacional de Sucessão Rural.

Todo esse amadurecimento de 15 anos culminou em avanços significativos como reconhecimento social da juventude respeitando a diversidade de gênero, racial e de etnia com uma formação da primeira geração de jovens do campo como atores políticos, que devem se fortalecer e continuar a realizar essa luta.

Elisa reforça também os fatores negativos que não avançaram nesse período. Como o preconceito existente nas áreas urbanas com jovens que permanecem na área rural, o contexto histórico de formação dos pais desses jovens do campo, desvalorização por parte da família e da comunidade, ausência de autonomia e participação na gestão familiar, ausência de uma política integrada e nacional.

O desafio atual, após o golpe na política com redução drástica no orçamento para as políticas rurais, é avançar no reconhecimento social da agricultura familiar como uma estratégia para agroecologia.  

Mônica Bufon e Diana Hahn, Contag:
Monica Bufon, secretária de Jovens trabalhadores e trabalhadoras rurais e Diana Hahn Diretora de Juventude da Contag do Rio Grande do Sul. As duas como representantes da Contag fizeram uma apresentação em conjunto devido a uma limitação física de voz da palestrante Mônica.

Na exposição de ideais foi colocado que um dos desafios dos projetos de agroecologia é considerar a diversidade de etnias, povos tradicionais, regionalismo e também, a diversidade ambiental do país. A força da juventude do campo aponta desafios diferentes da agricultura familiar. Atualmente, há um interesse cada vez maior da juventude nos espaços de campos e nas políticas publicas.

Muitas barreiras são evidentes, barreiras que travam a efetivação das políticas, como exemplo, o Plano  Nacional de Juventude e Sucessão Rural que, apesar da existência, está paralisado. Há necessidade de retomá-la para sua consolidação.

Um novo modelo é capaz de influenciar a forma de produção e comercialização dos alimentos que seja protagonista em contraposição ao modelo dominante. Para atingir um grau de alcance e consciência dos jovens para a visão agroecológica deve-se investir nos processos de educação. Mesmo com o cenário atual de redução de orçamento, a juventude deve cobrar seus direitos, deve ser um canal de comunicação.

Uma estratégia seria promover a realização de campanhas de divulgação, congressos e espaços de diálogos entre as pessoas para alcance do reconhecimento social da agricultura familiar.


Dinâmica do Cochicho:
Nessa atividade houve formação de grupos com até 10 pessoas, para diálogos e compartilhamento de experiências. Foi perceptível uma grande interação do público. Não sendo possível compilar as trocas de todos os grupos. Abaixo segue relatos de pequenos trechos de alguns grupos.

Entre as contribuições dos pequenos grupos surgiram questionamentos:

- como conquistar a juventude do campo, levando em conta as dificuldades burocráticas e falta de recursos?

- como incidir e lutar pelos direito a terra, e no processo de empoderamento das comunidades?

Foi exposta a afirmativa de que a luta atual das jovens do campo e da cidade é pela sobrevivência

Entre as experiência compartilhadas segue o relato de uma jovem do Instituto Federal do Sul de Minas e membro do MST, filha de agricultores que cursou pedagogia, mas depois teve acesso ao movimento e hoje se entende como parte desse processo, optando por retornar aos estudos e cursar agronomia. Ainda sofre muito preconceito da comunidade, dos professores, sentindo resistência até mesmo dos pais que são agricultores que não possuem renda proveniente diretamente de sua terra e trabalham em outra fazenda para ter renda.

Também foi apresentada a experiência de uma pesquisadora que compartilha a solução aplicada com uma comunidade de agricultores do estado de Tocantins. A estratégia utilizada para acessar os jovens locais foi usar a comunicação, com estímulo para os jovens divulgarem as atividades agroecológicas realizadas na comunidade. Nesse processo houve o reconhecimento do valor das atividades no campo, valorização das origens, mesmo se a escolha for distinta.

Perguntas, reflexões e contribuições da Plenária:

- Experiência do Mato Grosso do Sul: “meus avós eram do meio rural e tiveram que vender a terra e os meus pais também foram pra cidade, mas há três anos voltou para o meio rural, e o jovem teve q sair para cidade tentar a vida, hoje é serralheiro, mas está desempregado, e o desejo é voltar para o campo, luta para comprar uma terra”.

- Jovem do Maranhão graduado em pedagogia da terra e educação do campo acredita que a ausência de uma educação contextualizada no campo construiu uma imagem de retrocesso dos camponeses. O essencial é construir uma imagem de pertencimento para fortalecer o novo modelo, respeitando a diversidade e pluralidade de ideias e aptidões no campo, com introdução de cultura, lazer e outros.

- Jovem do Acre, servidora do ICMBio,  acredita que saída do jovem para a cidade é um desafio mundial  deve-se lutar pelos espaços com tomada de decisão; o jovem é faixa etária com maior criatividade, com potencial de criar soluções e colocar em prática.

- O jovem necessita enfrentar a crise após o golpe, o governo cortou os recursos. Por isso, importante pensar formas criativas e cotidianas para além do estado e ampliar o diálogo entre todos.

-Participante questiona e provoca todos ao indagar: “cadê a luta da juventude? Não tenho visto os jovens fazer a diferença pelo futuro que desejam”.

- Em resposta a colocação anterior, uma jovem afirma que a juventude tem lutado, está ocupando os espaços que têm por direito, que provocações são necessárias para que os jovens levantem sua voz.

Em coro os jovens finalizam atividade com um grito de guerra e reafirmam sua luta: #Juventude e agroecologia! #Alutaétododia !

Foto da atividade:

 

Facilitação Gráfica:

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#AT11 – Plenária das Juventudes da América Latina pela Agroecologia

Plenaria de las Juventudes de América Latina por la Agroecología

Dia 12 | 14h00 – 18h00 | AUDITÓRIO IPÊ AMARELO | #Agroecologia2017

Responsável(is): Taina Mie (REGA); Mariana Pontes (REGA); Makeda Dyese (Trinidad e Tobago/SERTA – REGA). Coordenador: Hércules Gonzales (REGA)

Relato:

Rede de Grupos de Agroecologia que organizou a plenária

O grupo responsável pela atividade utilizou a metodologia participativa denominada Café Mundial. Os coordenadores da plenária chamaram o público ao palco e apresentaram quatorze temas de discussão que foram agrupados da seguinte forma: Movimento estudantil e Educação; Luta pela terra, lutas anticapitalistas e saúde; Permacultura, agricultura urbana e comunicação; Comunidades tradicionais e cultura; Feminismo; Transição agroecológica e sementes crioulas; e Bem-viver. Compunham o público pessoas de diversas origens, nacionalidades, entidades e movimentos: Colômbia, Uruguai, Holanda, Institutos Federais, UnB, Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB), Quilombo Abacatal, UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia), UFSC, UFRJ, UFPE, UFG, Unesp, UFMT, Uniminuto (Colômbia), Associação Brasileira de Estudantes de Engenharia Florestal(ABEEF), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), UFPA (Universidade Federal do Pará), MST, UFF, UFV/Movimento de Ocupação, CONTRAF, CONAQ, UFPel (Universidade Federal de Pelotas, Udelar (Uruguai/Colômbia), IFAM-Tefé (AM), GAE, DANU, Universidade Estadual de Goiás (UEG), CETRA (Ceará), Ctur, FURG, IKPENG (Mato Grosso), CPT (Univasf), REGA (GO).



Apenas o tema Bem-viver não agrupou pessoas para uma discussão. Contudo, 6 grupos se formaram e duas perguntas geradoras serviram de estímulo para que propostas e desafios fossem discutidos, são elas:

1. Quais são os principais desafios que envolvem o tema?

2. Como podemos nos organizar coletivamente frente aos desafios relatados em cada tema?

Ao final do período de discussão, uma síntese de cada grupo foi apresentada da seguinte forma:

Educação e movimento estudantil:

Desafios: educação emancipadora a serviço da transformação; defesa da Educação Pública porque está sendo desestruturada. Houve corte de 80% (10 milhões para 2 milhões) dos recursos do PRONERA, o que interfere na permanência dos estudantes que vem do campo; metodologias inadequadas por parte das Universidades.

Propostas: educação popular; mais diversidade dentro das universidades; elaboração de manifesto carta política e abaixo-assinado da juventude brasileira e latinoamericana; 

Luta pela terra, lutas anticapitalistas e saúde:

Desafios: conscientização e valorização das pessoas; reconhecimento da luta pelo acesso a terra via Reforma Agrária; manipulação a grande mídia; incentivo a atividades de mineração e das hidrelétricas vem crescendo e estão se apropriando das terras dos índios, comunidades tradicionais e outros; a intoxicação por agrotóxicos.

Propostas: pensar em parcerias da comunidade, de organizações, movimentos e articulações; dar prioridade de pensar no coletivo; comunicação na luta pela terra; saber o que cada um está fazendo no seu território (comunicação); construção de SAFs; plantar sem desmatar; práticas agroecológicas na conquista pelo território; pautar a volta do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA);lutar por políticas públicas; continuar na luta mesmo sem políticas públicas; mobilizar o trabalho de base para mostrar o que a gente faz; construir uma mídia do campo (comunicação popular); importância do encontro presencial e do reconhecimento do outro; valorização das metodologias participativas.

Transição agroecológica e Sementes Crioulas;

Desafios: acesso às sementes crioulas (legislação não facilita o acesso ao pequeno produtor).

Propostas: reconhecimento institucional da transição agroecológica; extensão rural; inclusão da juventude rural nas arenas de conhecimento para a geração de oportunidades e poder de escolha; desenvolver a comunicação que explique: o que são as sementes crioulas? De onde elas vêm?; Economia solidária: troca de sementes crioulas ao invés de venda; feira de trocas como forma de transmissão de conhecimento; ações jovens: juventude como promotora do futuro.

Permacultura, agricultura urbana e comunicação;

Desafios: Agricultura urbana possui o papel social de construir um novo sistema; agricultura urbana como formadora de uma nova geração diversa e multidisciplinar; papel de disseminação da juventude e o não acesso à educação; a cidade trouxe vários problemas para o campo; disseminação do estilo agroecológico; entrelace entre agricultura a soberania alimentar - como pensar em agricultura e no lugar que a gente vive com o crescimento das cidades cada vez mais concreto?

Propostas: organização dos jovens para disseminar os espaços e a Agroecologia; jardinagem de guerrilha como forma de ocupação dos espaços.

Cultura e comunidades tradicionais

Foi discutido nesse GT as culturas indígenas e quilombolas; a fala foi realizada por um homem indígena de uma etnia do Mato Grosso do Sul.

Desafios: desrespeito ao meio e às tentativas de denúncias; a adesão da geração mais jovem ao português em detrimento do dialeto local (a cultura era mais forte quando não havia predominância da língua do branco); comida e merenda escolar não diferenciada; influência das novas tecnologias e fenecimento da cultura comunitária e intergeracional; inimigos no poder; luta pela terra; grilagem.

Propostas: parar de comprar comida do branco, proximidade entre as gerações (mais novos e mais velhos), comida dos brancos com a transição da terra depois da demarcação, voltar ao movimento de roça de toco, reunir a comunidade para a prática da roça de toco, reunir os mais jovens com adultos, juventude indígena como elo da ligação entre as sociedades quilombolas, indígenas, todos, pela união se consegue mais respeito e a preservação da cultura da sociedade.


Feminismo e Agroecologia

Desafio: dificuldades da discussão do feminismo na Agroecologia; dependência financeira das mulheres e a impossibilidade de  autonomia financeira; mulheres como agente aglutinador; protagonismo e visibilidade; desafio de lutar contra o patriarcado na esfera pessoal e macro (superestrutura; desafios dentro de casa, diálogo intergeracional entre mulheres; como tornar o diálogo entre mulheres de segmentos diversos de luta de modo que se possa discutir como é o feminismo para diferentes classes, diferentes idades e culturas; reunir os diversos feminismos para que eles não percam as especificidades e também para que não se fragmentem.

Propostas: valorização do conhecimento dos sujeitos sociais enquanto debate; organização política das mulheres; articulação em redes, somar sem perder as diversidades; autonomia econômica através de geração de renda; políticas públicas específicas para mulheres; ampliar instrumentos de combate à violência e ao machismo nas esferas privadas, públicas e mais formais.

Foto da atividade:

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