#AT65 – Painel IV – Campesinato e Soberania Alimentar na América Latina

Panel IV – Campesinato y Soberanía Alimentaria en América Latina

Dia 14 | 8h00 – 10h00 | AUDITÓRIO BABAÇU | #Agroecologia2017

Responsável(is): Peter Rosset (ECOSUR – México); Frei Sérgio Görgen (MPA); Iridiani Seibert do Movimento do Mulheres Camponesas (MMC); Glaicon José Sell (agricultor). Coordenadora: Islândia Bezerra (ABA)

Relato:

Atividade de diálogo sobre Campesinato e Soberania Alimentar na América Latina. Composição da mesa: Peter Rosset da Via Campesina Internacional, Frei Sérgio Sérgio Görgen, do Movimento dos Pequenos agricultores,  Iridiani Seibert do Movimento do Mulheres Camponesas (MMC),Glaicon José Sell (agricultor litoral catarinense). Metodologia do debate: exposição de ideias dos palestrantes e abertura ao público para contribuições por escritos ou com microfone.

O diálogo trouxe contribuições importantes para o contexto histórico e político que o Brasil vive, evidenciando o papel transformador da juventude e mulheres na luta da classe do campesinato pela soberania nos territórios. Traz também a reflexão sobre o fortalecimento das relações entre o campo e a cidade para o enfrentamento das alianças do agronegócio com as forças políticas e internacionais que mudaram o contexto dos latifúndios.  Debateram também sobre as estratégias que são fundamentais para a massificação da agroecologia.

 Contribuição de Peter Rosset:

Peter, representante da Ecosur no México, apresentou de forma sistematizada sete teses para agroecologia e soberania alimentar, descritas abaixo:
1. Avanço do capitalismo e dos regimes de direita:  A nova conjuntura política enfrenta uma guerra pela terra, ampliando as alianças com a mineração, a construção e as grandes empresas que investem e buscam minimizar a força da agroecologia. O agronegócio, possui seus aliados dentro dos partidos políticos e são alinhados com o capital internacional, tais como os EUA, China e Canadá. Desta forma, controlam a mineração com forças repressivas e difícil enfrentamento. Autonomia e massificação da agroecologia é um elemento chave, pois ajuda a construir a conjuntura que enfrentamos. O crescimento da participação e do papel dos jovens e das mulheres é muito forte e fundamental.
2. Implicações para reforma agrária e para aliança campo-cidade: Uma chamada por uma nova reforma agrária popular, baseada em uma política de conciliação é necessária, pois o latifúndio atrapalha a aliança entre a classe camponesa do campo e a burguesia da cidade. A mineração e o agronegócio que destroem o meio ambiente são sistemas produtivos. O argumento de dizer que os latifúndios não produzem foi derrubado. Apelar por uma reforma de conciliação de classes é uma estratégia fraca por causa do novo poder do capital. 
3. Luta pela terra e pelo território: O capital passa por todas as terras: indígenas, de pequenos povos, pescadores e ribeirinhos. Precisamos ter uma visão territorialista para defender os territórios.
4. Hora de massificar a agroecologia: Do discurso para a prática. É necessário construir uma agroecologia mais intensificada e levá-la para uma larga escala.
5.Nova agroecologia de disputa: Qual agroecologia vamos massificar? Disputa real com o agronegócio, pois acabam com o solo, contribuem para as mudanças climáticas e realizam campanha de um agronegócio verde. 
6.Autonomia para as famílias campesinas: É o elemento chave. Permite melhorar a gestão e a produção com recursos agroecológicos.   
7. Forças às diversidades – Mulheres, Juventudes: Fenômeno muito forte está sendo o movimento das juventudes e o movimento feminista das camponesas populares. Estão lutando pelo fim de qualquer tipo de violência contra as mulheres, por reconhecimento e por autonomia nos espaços.

 Frei Sérgio Görgen (MPA)

Frei Sergio possui visão religiosa cristã, ex-deputado, agricultor e integrante do Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA. Afirmou, em sua exposição, que o agronegócio não é somente uma nova tecnologia de produção. O agronegócio vai além disso. É um novo pacto de poder e controle do capital pelo governo internacional e pelas empresas multinacionais

Por isso, traz um desafio novo para o campesinato: a luta pelo território. Este não enfrenta o latifúndio somente regional e sim uma dimensão internacional. Por isso, é necessário criarmos uma nova visão de mundo e diversas alianças. A disputa da agroecologia nas universidades é fundamental. Não pode se olhar somente com a visão urbana. A agroecologia não se faz somente com técnicos agrícolas, é necessário que envolva todas as profissões que se relacionam com esta temática.

O campesinato precisa estar organizado. É uma ciência de um novo paradigma, uma nova cosmovisão. Para isto é necessário inverter os olhares para transformar a realidade. Para fazer essa transição em massa é importante ver a agroecologia como uma nova visão de nação e de mundo. É importante impulsionar um projeto revolucionário alternativo, como a reforma agrária popular, que seja capaz de mudar as relações entre o campo e a cidade. A transformação é importante na sucessão rural, também, porque há o registro de patriarcalismo no campo. O novo camponês precisa da visão sistêmica e holística, sem moralismo religioso. A nova geração camponesa precisa ser revolucionária!!

 Islândia Bezerra:

Islândia é feminista com atuação no campesinato e acredita em sua atuação como sujeito histórico, que segue resistindo ao poder hegemônico. A palestrante afirma a necessidade de eliminar a desigualdade na classe do campesinato. Os povos (negros, indígenas e ribeirinhos) vieram resistindo e mostrando um pouco do olhar ecológico. Além da diversidade de etnias e povos, existe uma identidade comum da classe camponesa, que é a relação com a terra, a natureza e o alimento. No processo histórico, esses povos foram capazes de realizar o melhoramento e a domesticação dos cultivos, produzindo conhecimento antes mesmo dos laboratórios e as pesquisas científicas. Transmitiram conhecimento de geração a geração e isso caracteriza-se como agroecologia: um processo real e cotidiano dos camponeses. Aos poucos esses conhecimentos foram trazidos para os estudos e as pesquisas, contribuindo assim para a valorização das práticas.

A força do movimento social e sua articulação é fundamental. É claro a impossibilidade de convivência entre agroecologia e o modelo capitalista, pois são antagônicos. Agroecologia não é um negócio, não pode ser vista como uma forma de ter lucros e ser apropriada nas mãos de poucos.

A agroecologia possui visão de abundância e partilha do conhecimento. Não pode fechar os olhos para o massacre que os camponeses e indígenas enfrentam com conflitos no campo nessa conjuntura política. Não é uma luta só pelos recursos naturais, mas também pelas relações sociais de forma democrática.

 Glaicon José Sell

Glaicon é agricultor e presidente do Instituto Eco. Discursou sobre o exemplo claro da soberania alimentar como uma política pública capaz de realizar uma transformação para área rural, contribuindo para os benefícios do crédito ao agricultor. Hoje é possível ver no país inúmeras pessoas dispostas a contribuir e a construir esse movimento. Relata sua experiência como agricultor, com a venda dos seus produtos em uma feira com mais 21 anos em Florianópolis, onde há clientes fiéis e periódicos que conseguem contribuir muito mais do que a simples compra do produto.

A agroecologia possui um empoderamento que o agronegócio não é capaz. Em um litro de terra viva há uma quantidade de vida incontáveis e que são transferidas para o alimento de origem ecológica. É possível ter uma transformação!  A culpa das sementes geneticamente modificadas e dos inseticidas é de quem consome. Hoje o poder da juventude está se levantando com uma força tão grande, potencial de revolução, jovens que retornam para o campo sem vergonha. Não precisa ter medo, pois cabe a todos nós! A sociedade é capaz e deseja essa mudança, esse congresso é um exemplo disso.

“Viva como se fosse morrer amanhã e faça agricultura como se fosse viver para sempre”. Josan Clay – WWF

Contribuições do público participante:

-      Jovem diz que a produção orgânica não usa agroquímicos, mas também, muitas vezes não respeita princípios de conservação ambiental. Afirma a necessidade de fortalecimento da agricultura familiar e da agroecologia.

-    É claro que o estado burguês não quer reconstruir a soberania alimentar. O poder hegemônico constrói uma cortina de fumaça e agrega os dois termos: segurança alimentar e soberania, sendo que há grande diferença nos conceitos, não podem se apropriar da palavra.

-   Um estudo do Pronaf tinha a missão de inserir o campesinato no agronegócio e essa não é a saída!

-      O Frei Sérgio ao ser questionado sobre ideologias de gênero, diz seguir sua visão religiosa. Acredita no princípio do evangelho de amar uns aos outros, independente das definições de gênero. A sociedade como um todo, independente dos posicionamentos de ideologia, precisa de um novo encantamento com a natureza.

-       O camponês precisa se apropriar do campo, precisar revalorizar e mudar a ótica do campo. O que o capitalismo fez foi desvalorizar essa visão para ter massa trabalhadora a baixo custo nas indústrias urbanas e periurbanas. Dessa forma, ganhou espaço no campo para o latifúndio.

-  Na luta contra o golpe a juventude e as mulheres foram as maiores expressões com protagonismo em defesa da ocupação pública. Assim, diversidade sexual não pode ser discutida sem também discutir o perfil das mulheres e das relações raciais.

-    O preço mais alto dos produtos orgânicos considera as dimensões sociais e ambientais, que não são consideradas nos custos dos produtos convencionais.

 

Facilitação Gráfica:

Notícias:

http://agroecologia2017.com/campesinato-e-soberania-alimentar-na-america-latina-e-tema-de-debate-no-x-congresso-de-agroecologia

http://www.cloc-viacampesina.net/portugues/brasil-campesinato-e-soberania-alimentar-na-america-latina-e-tema-de-debate-no-x-congresso

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#AT14 – Intercâmbio de experiências territoriais para a conquista da soberania alimentar na AL

Intercambio de experiencias territoriales para la conquista de la soberanía alimentaria en AL

Dia 12 | 14h00 – 17h00 | TAMANDUÁ BANDEIRA | #Agroecologia2017

Responsável(is): Eric Holt-Gimenez (Food First – USA); Maria Emília Pacheco (FASE); Coordenador: Marcos Figueiredo (UFPE)

 

Facilitação Gráfica:

Responsáveis pela atividade: estamos ansiosos para publicar seus materiais aqui, mas precisamos de sua permissão. Basta enviar para o endereço eletrônico  relatosagroecologia2017@itbio3.org a mensagem:

Concordo com a disponibilização do(s) material(is) apresentado(s) por mim na atividade #AT14 – Intercâmbio de experiências territoriais para a conquista da soberania alimentar na AL no blog https://relatosagroecologia2017.itbio3.org/atividades/   e concordo  com o termo de uso do blog relatosagroecologia2017.itbio3.org/atividades/termo-de-uso/”.

 Materiais adicionais (fotos, relatos vídeos etc.) são muito bem-vindos na mensagem.

 

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